5 Detalhes Que Só Você Não Sabe Sobre a Prova Prática

Tempo de leitura: 13 minutos

Antes de mais nada, gostaria de te dar um aviso: se você quiser ter um excelente desempenho na prova prática, leia esse artigo até o final! 😉

Já era dezembro. O clima mais quente e o aumento da temperatura evidenciavam a chegada do verão. A família e os amigos planejavam as festividades de fim de ano, porém meu foco era outro.

Em um grande salão, cerca de 500 pessoas tentavam controlar o nervosismo do momento. A primeira etapa já havia passado e só restavam 10% dos candidatos.

5 questões me separavam do meu objetivo. Seriam cinquenta minutos (10 por questão) e o estudo de dois anos estava em jogo.

Consegue sentir a tensão…?

Por incrível que pareça, estava calmo. 

Caso tenha dúvidas de como é realizar uma prova prática, esse texto foi feito para você. Então, fique atento pois nas próximas linhas tentarei te explicar o que esperar ao longo dessa etapa e o que precisará fazer para obter sucesso.

Ao lado de alguns amigos que concorriam a outras especialidades, aguardava o chamado. E, para minha surpresa, não demorou. Meu nome era um dos cinco presentes na primeira lista de candidatos convocados para iniciar a prova prática.

Para quem não sabe como funciona, a prova prática é composta por um determinado número de estações (geralmente cinco – uma para cada especialidade).

Cada candidato realiza uma estação até que soe um alarme anunciando o término do tempo pré-determinado (5-10 minutos a depender da instituição).

Minha hora de fazer a prova prática havia chegado.

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Estação 1 – Pediatria: 

Ao adentrar a sala, deparei-me com 2 examinadores, uma mesa com um computador e fones de ouvido.

Além disso, também havia uma folha com o tempo sugerido para realização de cada tarefa e o caso clínico.

Observação 1: Tenha em mente que a minoria das provas adota esse modelo. Portanto, você deverá ser capaz de manejar o próprio tempo ao longo da estação.

O caso clínico em questão tratava-se de uma criança de 3 anos com uma história muito sugestiva de laringotraqueobronquite viral aguda. O exame físico estava descrito conforme abaixo: 

GERAL: Corado, hidratado, anictérico, acianótico

Sinais Vitais: FC = 92, FR = 50, SatO2 = 90% em ar ambiente, PA = 85 x 62 (adequada para a idade), Tax = 36,3 C

Oroscopia: Hiperemia discreta de faringe. Ausência de placas purulentas.
Exame pulmonar disponível em vídeo no computador.

O restante do exame físico não apresenta alterações significativas.

Após terminar a leitura, solicitei a primeira tarefa ao examinador que me entregou a “folha” abaixo:

Utilize o computador e o fone de ouvido para assistir ao vídeo/audio referentes ao caso.

Descreva a alteração da ausculta pulmonar presente no vídeo.

Após terminar, solicite a tarefa seguinte.

A Prova Prática está parecendo fácil, não?

Ao colocar os fones de ouvido, foi claro para mim o ruído (no caso, um estridor). Porém, também auscultei sibilos.

E, naquele momento, não soube o que colocar como resposta. Essa foi minha deixa para complicar uma questão relativamente fácil.

A partir da ausculta de sibilos, esqueci totalmente do estridor e comecei a questionar minha hipótese diagnóstica. Passei a não atentar para o que estava óbvio.

Imaginava se o diagnóstico não seria de asma exacerbada ou bronquiolite viral aguda a despeito do caso clínico e do próprio estridor presente na ausculta.

A verdade é que, apesar de calmo no início, o nervosismo começou a tomar conta de mim à medida que minha dúvida aumentava e os minutos passavam. Nessa hora, deixei de prestar atenção em detalhes importantes da questão e escrevi a resposta errada.

Resposta: Sibilos expiratórios

Como você pode imaginar, uma vez dado o diagnóstico errado – acabei decidindo em minha cabeça que o diagnóstico era de asma exacerbada -, provavelmente as próximas tarefas também seriam respondidas de forma inadequada.

E foi o que aconteceu.

Tarefa 2: Realize a prescrição do paciente 

Realizei uma prescrição voltada para crise asmática.

Tarefa 3: Indique a hipótese diagnóstica e o agente etiológico

 Nesse momento, ficou claro (para mim) que errei a questão. Solicitei ao examinador que pudesse corrigir as tarefas 1 e 2.

Ele disse que não era possível. Meu coração acelerou. O desespero bateu. Tive vontade de desistir e só sair dali.

Silêncio na sala…

Depois de um breve momento de reflexão, respirei fundo. Ergui minha cabeça e pensei:

“ Ainda faltam 4 questões. Se, por algum milagre, eu conseguir pontuar muito bem nas questões restantes, talvez ainda tenha uma chance.”

Resolvi arriscar. Não tinha nada a perder. E, apesar de totalmente incoerente com as respostas descritas nas tarefas 1 e 2, mudei de abordagem:

Tarefa 3

Hipótese Diagnóstica: Laringotraqueobronquite viral aguda

Agente etiológico: Vírus Parainfluenza

Por fim, a tarefa 4 descrevia uma piora clínica da criança mesmo após tratamento adequado e solicitava qual seria a melhor conduta.

Escrevi a resposta e segui para a próxima estação. Não havia tempo para lamentações…

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Sei que você está ansioso pelas próximas estações, porém, antes de prosseguir, não poderia deixar de aproveitar o meu exemplo para ratificar três detalhes importantíssimos:

Detalhe 01:

Mantenha-se concentrado ao longo de todo tempo durante a realização de uma estação e aja como se estivesse realizando uma prova teórica.  

Eu não tenho dúvidas de que se estivesse diante de uma prova objetiva – ou mesmo discursiva – teria realizado toda questão em menos de 5 minutos (e teria acertado).

Entretanto, é hábito nosso valorizar muito a prova prática e imaginar que “pegadinhas” podem estar ocultas em cada caso clínico.

E é aí que mora o perigo.

Como vocês puderam ler, esses deslizes são fatais durante uma prova de residência em que cada décimo pode fazer a diferença, seja a favor de você ou de seu concorrente.

Detalhe 02:

Em uma prova com 5 estações, cada uma vale 2,0 pontos. Como durante a correção o examinador segue um “Checklist”, mesmo errando as tarefas iniciais (como foi o meu caso), você ainda pode pontuar se acertar as tarefas seguintes. 

Pode parecer contraditório, mas é dessa forma que é realizada a avaliação. Não sabia no momento em que fiz a prova, porém, após ter acesso à chave de correção, vi que alcancei 0,7 de 2,0 pontos possíveis.

Detalhe 03:

Em uma estação, é possível que você não tenha que realizar nenhuma atividade prática.

Por mais que seja incoerente, essa é uma realidade na prova prática. Portanto, caso se veja diante de uma questão meramente interpretativa, fique tranquilo!

Dito isso, vamos para a próxima!

Estação 2 – Clínica Médica: 

  • 2 examinadores
  • 1 ator deitado em uma maca 
  • Uma mesa com o caso clínico 
  • Uma folha com os tempos sugeridos para a realização de duas tarefas

Este foi o cenário que visualizei ao entrar na sala. Obviamente, estava mais tenso. Naquele momento, pensava que havia “zerado” a estação anterior. Se quisesse me manter na disputa por uma vaga seria necessário gabaritar as questões restantes.

O caso clínico descrevia um paciente idoso (cerca de 70 anos), previamente hipertenso em uso de Hidroclorotiazida e Enalapril, que dormiu por volta das 22h e acordou às 05h com quadro de hemiparesia proporcionada à esquerda e paralisia facial à esquerda. Negava outras sintomatologias.

O exame físico descrevia um paciente com sinais vitais estáveis, com exceção da pressão arterial (180 x 120mmHg), e as alterações do exame neurológico citadas acima.

Tarefa 1:

Ao pedir a primeira tarefa, recebi uma folha que solicitava a realização de duas partes do exame físico neurológico: avaliação de força muscular e do VII par craniano.

Posicionei-me ao lado do “paciente” e segui o protocolo que treinei exaustivamente nos dias anteriores à prova (apresentação, higiene das mãos, explicação sobre a realização do exame físico e seu objetivo).

Iniciei pelo exame de força muscular. Solicitei ao paciente que elevasse os membros superiores; o paciente só conseguiu elevar o MSD.

Prossegui pedindo que apertasse minhas mãos; o paciente só conseguiu realizar o movimento com a mão direita. Solicitei, então, que o paciente realizasse a manobra dos braços estendidos – só conseguiu elevar o MSD – seguido da extensão dos membros inferiores – não conseguiu movimentar o membro inferior esquerdo.

Por fim, passei para o exame do VII par solicitando que o paciente franzisse a testa, fechasse os olhos e desse um sorriso; ficou evidente a paralisia facial à esquerda.

Concluído o exame, solicitei a segunda tarefa.

Tarefa 2:

Cenário 2: O paciente foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva dentro de 30 minutos da chegada ao Hospital e permanece com o mesmo exame clínico de entrada.

Realizou alguns exames laboratoriais conforme consta abaixo.

Os exames apresentados pelo examinador não evidenciavam alterações significativas (hemograma, glicemia, função renal, função hepática, eletrólitos).

A tomografia de crânio estava “normal” (não mostrava sinais de sangramento). Logo, a hipótese diagnóstica era de um acidente vascular cerebral isquêmico.

Ao terminar a interpretação dos exames, foi-me entregue a segunda tarefa.

Tarefa 2: Realize a prescrição medicamentosa do paciente

Nesse momento, o diferencial da questão era notar que, por se tratar de um paciente que acordou com o déficit neurológico – último momento em que foi visto sem déficits foi às 22h – a trombólise estava contraindicada (> 4:30h de déficit neurológico).

Logo, na prescrição deveria constar:

  1. Jejum
  2. Ácido acetilsalicílico
  3. Estatina
  4. Heparina não fracionada profilática

Itens como sintomáticos ou medicações anti-hipertensivas SOS (ex: Nitroprussiato de sódio se PA > 220 x 120mmhg), apesar de corretos, não constavam no checklist. Portanto, caso fosse realizada a prescrição destes itens, o candidato não receberia nenhuma pontuação adicional. 

Finalizada a estação, recuperei a confiança e senti que ainda existia uma chance.

Mais uma vez, antes de prosseguir, gostaria de comentar sobre dois detalhes que julgo serem fundamentais para realização de qualquer prova prática:

Detalhe 04:

Nas estações da prova prática, a realização de um procedimento em si (ex: Intubação orotraqueal, acesso venoso profundo, drenagem torácica, paracentese, etc) é menos frequente.

Geralmente, a maior parte dos itens presentes em um checklist consiste na interpretação correta de um caso clínico seguido de anamnese adequada para a questão (ex: caso clínico evidenciando um paciente com diarreia que solicita a complementação da história clínica —> Duração, consistência das fezes, presença de muco ou sangue, presença de sintomas associados, etc).

Ou até mesmo a solicitação ao candidato para realização de alguma parte do exame físico.

Confira o checklist desta estação:

Exame neurológicoSimNão
1) Solicitou realização de movimento de extensão ou flexão de MIEX
2) Solicitar realização de movimento de extensão ou flexão de MIDX
3) Solicitar realização de movimento de extensão de MSEX
4) Solicitar realização de movimento de extensão ou flexão de MSDX
5) Pedir ao paciente para franzir a testa ou elevar a sobrancelhaX
6) Pedir ao paciente para fechar os olhosX
7) Pedir ao paciente para “dar um sorriso” ou mostrar os dentesX

Detalhe 05:

O Checklist serve como um guia para que o examinador marque as suas respostas durante a realização da estação. Entretanto, não é necessário que você descreva as tarefas “exatamente” como consta no checklist.

Para exemplificar, no decorrer da estação solicitei ao “ator” que “esticasse” (extensão) e “dobrasse” (flexão) os braços e pernas. Ao realizar a avaliação, o examinador compreendeu as minhas orientações como sinônimos da chave de correção e consegui gabaritar a questão.

Estação 3 – Preventiva

  • 2 examinadores
  • 1 ator sentado em uma cadeira
  • Uma mesa com o caso clínico 
  • Uma folha com os tempos sugeridos para a realização de três tarefas

O caso clínico tratava-se de uma adolescente que havia retornado de uma viagem aos EUA há 10 dias e que passou a apresentar sintomas compatíveis com coqueluche. O médico que realizou o atendimento na UBS confirmou o diagnóstico através de um exame de PCR para coqueluche (acredite se quiser) e a paciente já estava em tratamento.

Ficou curioso para saber quais são as três tarefas?

Lembre-se que você pode se deparar com estações repetidas em qualquer prova prática que fizer neste final de ano.

A segunda parte desse post já está no ar e disponível aqui.

Mas, mais importante… como prometi no início do texto, deixo de presente pra você que chegou até aqui o nosso Ebook: Os Segredos por trás da Prova Prática!

Nele trazemos dicas e macetes essenciais para você ter um excelente desempenho nessa etapa do processo seletivo, assim como 2 checklists completos de duas estações muito frequentes: uma ambulatorial e outra de emergência, para que você saiba os diferentes tipos de abordagem na 2º fase!

#PS01: Se gostou do post, não esquece de deixar o seu comentário aqui embaixo! 😉

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