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Hérnias Abdominais: confira os achados de imagem

Você sabe qual é o papel da radiologia no manejo das hérnias abdominais? Após a leitura deste texto, temos certeza de que vai ficar mais fácil entender e lidar com esses casos. E aí, tá preparado? Então, bora aprender juntos! Vamos lá!

Para começar a falar sobre as hérnias abdominais

Para compreender as hérnias abdominais em relação à imagem, antes temos que resgatar alguns conceitos primordiais das hérnias. Segundo a BVS Saúde do SUS, hérnia é “o escape/protrusão parcial ou total de um ou mais órgãos por um orifício que se abre”. 

Elas são classificadas como internas e externas, de acordo com sua localização. Veja a imagem abaixo com exemplos de hérnias externas, que são as mais comuns.

Hérnias abdominais externas
Hérnias abdominais externas. Fonte: gruposurgical.com.br
Corte sagital de hérnias abdominais externas.
Corte sagital de hérnia abdominal externa. Fonte: folhape.com.br

Como diagnosticar as hérnias abdominais

Na grande maioria das vezes, o diagnóstico é evidente no exame físico. É fácil observar um abaulamento umbilical ou epigástrico. 

Em outros momentos, nos quais a hérnia ainda é pequena, um exame de imagem seria interessante. Para as hérnias internas, não há discussão: apenas a radiologia pode fechar o diagnóstico.

Métodos diagnósticos

Não tem muito segredo. Para as hérnias externas, a melhor modalidade de exame é aquela que é capaz de nos mostrar uma imagem dinâmica. Sabe qual é? Essa pergunta é fácil, e se você pensou no ultrassom, acertou.

O fato do exame poder ser dinâmico nos permite realizar imagens com e sem manobra de Valsalva e observar o órgão herniado protruindo ao vivo.

Já para as hérnias internas, o exame adequado é a tomografia. Na imensa maioria das vezes, a gente não vai se preocupar se um paciente tem uma hérnia interna, a não ser que ele esteja com um quadro de abdome agudo. E daí você já sabe: a tomografia é nota dez para avaliarmos essa queixa. 

Ultrassonografia da parede abdominal

Através da ultrassonografia, podemos ver uma série de características que nos ajuda a classificar as hérnias externas quanto à possibilidade de redução ou não, encarceramento, viabilidade das alças protrusas e das partes moles adjacentes.

A técnica do exame consiste em varrer a parede muscular abdominal e encontrar uma falha de continuidade. Essa falha pode estar evidente sem a manobra de Valsalva ou somente após a manobra. 

Por isso, é importante que o exame seja feito de forma meticulosa em toda a extensão da parede abdominal e, em alguns pontos suspeitos, realizamos imagens também com a manobra de esforço.

É de alta relevância a queixa do paciente, porque muitas vezes ele será capaz de apontar o local do abaulamento ou da dor ao esforço.

Depois que a hérnia for encontrada, temos que caracterizar as dimensões do orifício ou falha (colo herniário), as dimensões do saco herniário, se a hérnia é espontaneamente redutível, se ela é redutível apenas com manobras, se ela está encarcerada e se ela está estrangulada. 

A descrição das partes moles adjacentes é de suma importância também, já que podemos encontrar tecidos saudáveis ou tecidos densificados ou edemaciados, indicando inflamação..

O exame pode ser feito em decúbito ou em ortostase, sendo que a ortostase aumenta a sensibilidade para a detecção das hérnias por aumentar a pressão intra-abdominal.

O transdutor que utilizamos é o linear. Basta lembrar que o transdutor convexo é útil para caracterizar estruturas mais profundas e que, por conta disso, ele perde qualidade de imagem. Já o linear não atinge muita profundidade, só o suficiente para caracterizar a parede abdominal, mas tem excelente definição anatômica.

Hérnia não visualizada à esquerda e visualizada à direita com manobra de Valsalva.
Hérnia não visualizada à esquerda e visualizada à direita com manobra de Valsalva. Fonte: radiopaedia.com

Tomografia computadorizada

A tomografia computadorizada também pode caracterizar algumas hérnias externas, ainda mais quando são bastante volumosas e não redutíveis espontaneamente. Seu papel mais significativo é no contexto de abdome agudo obstrutivo, principalmente para as hérnias internas.

No geral, essa será uma situação de pronto-socorro, na qual o paciente estará com dor abdominal. Sendo assim, hérnias determinando obstrução intestinal serão sempre um bom diagnóstico diferencial. Será possível observar pontos de obstrução, distensão difusa da alças, líquido na cavidade abdominal e densificação de partes moles adjacentes.

Tomografia computadorizada em corte axial mostrando uma hérnia de Spiegel.
Tomografia computadorizada em corte axial mostrando uma hérnia de Spiegel. Fonte: radiopaedia.com
Tomografia computadorizada em corte coronal mostrando uma hérnia inguinal direta bilateral.
Tomografia computadorizada em corte coronal mostrando uma hérnia inguinal direta bilateral. Fonte: radiopaedia.com
Tomografia computadorizada em corte axial mostrando uma hérnia inguinal à direita encarcerada e com sinais de estrangulamento (pneumatose intestinal, inferindo sofrimento vascular da alça herniada).
Tomografia computadorizada em corte axial mostrando uma hérnia inguinal à direita encarcerada e com sinais de estrangulamento (pneumatose intestinal, inferindo sofrimento vascular da alça herniada). Fonte: radiopaedia.com

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Eduardo Soares