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Inserção do DIU de cobre após o parto: Saiba mais!

Fala, pessoal! Tudo em cima? Hoje é dia de falar sobre um tema muito importante: a inserção do DIU de cobre após o parto. E aí, tá preparado? Então, continue com a gente pra ficar craque no assunto e dominar esse tópico! Vamos lá!

Inserção do DIU de cobre após o parto: saiba mais
Saiba mais sobre a inserção do DIU de cobre após o parto!

Para começar a falar sobre a inserção do DIU de cobre após o parto…

Os dispositivos intrauterinos são métodos de contracepção de longa duração, também chamados de LARCs, do inglês Long Acting Reversible Contraceptives. São bem tolerados, práticos e com baixa taxa de descontinuidade, podendo ser divididos em duas categorias:

  • DIU não hormonal (incluindo aqueles com cobre e cobre com prata);
  • DIU hormonal (progesterona isolada).

A partir de agora iremos direcionar toda nossa atenção para o DIU não hormonal de cobre, ok? Bora continuar! 

O DIU de cobre 

Corresponde a um dispositivo constituído de plástico e revestido com cobre, disponível em diversos modelos, alguns inclusive associando a prata ao cobre. 

O formato mais difundido, e também disponível no sistema único de saúde (SUS), é o DIU de cobre em formato clássico de “T”, que tem duração de 10 anos. Os demais dispositivos (cobre com prata, por exemplo) apresentam duração de até 5 anos. 

Trata-se do método de longa duração mais utilizado no mundo, apesar de, no nosso país, ainda ser pouco difundido. Estima-se que apenas 2% de toda a população feminina brasileira na menacme opta por esse método. 

Projetos sociais vêm sendo realizados para facilitar a inserção do dispositivo e garantir democratização à sua inserção. Você pode ler mais sobre esse assunto aqui, beleza?

Mecanismo de ação do DIU de cobre

O DIU de cobre é capaz de desencadear uma reação inflamatória no endométrio, com liberação de citocinas e prostaglandinas que são tóxicas aos óvulos e espermatozoides, resultando em:

  • Alteração da viabilidade de transporte dos espermatozoides; 
  • Alteração da viabilidade do óvulo;
  • Dificuldade de implantação do blastocisto. 

Como vocês podem notar, não é um método associado à anovulação. Mais detalhes sobre o seu mecanismo de ação você pode ler neste texto, também disponível em nosso blog. 

Eficácia

O DIU de cobre é um método contraceptivo muito eficaz. Seu índice de Pearl é de 0,8 a cada 100 mulheres em um ano no uso típico (ou seja, 8 a cada 1000 usuárias podem engravidar em um ano) e de 0,6 a cada 100 (ou 6 a cada 1000) em um ano no uso perfeito. 

Vantagens e desvantagens

Como todo método contraceptivo, ele precisa ser bem indicado. A paciente precisa ter em mente que se trata de um dispositivo exclusivo para contracepção. 

Diferentemente dos métodos hormonais, o DIU de cobre não apresenta efeitos benéficos secundários, como controle da dismenorreia, redução da oleosidade da pele, controle de acne, entre outros. 

É necessário, inclusive, informar a paciente sobre possíveis efeitos adversos associados ao uso do método, como o aumento do sangramento menstrual, dismenorreia e maior risco de infecção pélvica no primeiro mês após a inserção. 

Mas não pense que ele é um método com poucas vantagens, muito pelo contrário. É um dispositivo com alta eficácia, baixo custo, longa duração, sem interações medicamentosas e pode ser utilizado em pacientes com contraindicações aos métodos hormonais. 

A Tabela 2 apresentada abaixo resume as principais vantagens e desvantagens do método. 

Tabela 2. Vantagens e desvantagens do DIU de cobre
VantagensDesvantagens
Alta eficácia Baixo custoLonga duraçãoSem interações medicamentosasPode ser usados em pacientes com contraindicação aos hormônios Possível aumento do sangramento menstrual e dismenorreia Maior risco de infecção no primeiro mês de inserção

Indicações do DIU de cobre

Ele é uma boa opção de contracepção para pacientes que desejam um método reversível, altamente eficaz, com longa duração e sem hormônios. O melhor ainda é que a paciente não precisa ficar lembrando de tomar o contraceptivo diariamente, como no caso das pílulas. 

Assim, ele pode ser oferecido para todas as pacientes em qualquer fase da vida reprodutiva, desde que elas não apresentem as contraindicações de que vamos falar. De forma prática, ele pode ser uma excelente escolha para pacientes nas seguintes situações: 

  • Amamentação;
  • Hipertensão, Diabetes e outros fatores de risco cardiovascular;
  • Tabagismo;
  • Doença tromboembólica ou risco aumentado de trombose;
  • Enxaqueca;
  • Antecedente de neoplasia de mama;
  • Cirrose e outras alterações hepáticas;
  • Lúpus eritematoso sistêmico.

Contraindicações 

Os critérios de elegibilidade propostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) norteiam as indicações e contraindicações dos métodos contraceptivos, sendo revisados periodicamente. 

Podemos então classificar os anticoncepcionais em quatro categorias. Na categoria 1, estão enquadradas as situações clínicas diante das quais não há restrição para uso do método contraceptivo. 

Na categoria 2, por sua vez, estão descritas condições clínicas que devem ser monitoradas. Nesse caso, as vantagens de usar o método geralmente superam os riscos. 

Já na categoria 3, estão alocadas as situações em que os malefícios superam os benefícios. O método não deve ser proposto, exceto se não houver outra alternativa aceitável. 

Na categoria 4, por fim, estão agrupadas as condições clínicas que representam risco de saúde inaceitável se o método contraceptivo for utilizado. 

Para ficar mais claro, podemos citar contraindicações relativas (categoria 3) e absolutas (categoria 4) para inserção do DIU de cobre, conforme apresentado abaixo.

Contraindicações absolutas

  • Gravidez;
  • Doença inflamatória pélvica (DIP) ou infecção sexualmente transmissível (IST)  atual, recorrente ou nos últimos três meses;
  • Sepse puerperal;
  • Imediatamente pós-aborto séptico;
  • Cavidade uterina distorcida; 
  • Hemorragia vaginal inexplicada;
  • Câncer de colo uterino ou endométrio;
  • Doença trofoblástica maligna;
  • Alergia ao cobre.

Contraindicações relativas

  • Fator de risco para IST e HIV;
  • Imunodeficiência;
  • De 48 horas a quatro semanas pós-parto;
  • Câncer de ovário;
  • Doença trofoblástica benigna.

Inserção do DIU de cobre após o parto

Agora, chegou o tão esperado momento: é hora de falar sobre a inserção do DIU de cobre após o parto. E aí, quer saber quais são os principais pontos desse procedimento? Então, é só continuar a leitura. 

Indicações da inserção do DIU de cobre após o parto

Ficou claro que o DIU de cobre é uma excelente opção para pacientes que estão amamentando e com alto risco de eventos tromboembólicos, não é mesmo? Pois então, é justamente por isso que ele é tão adequado no puerpério. 

Sua inserção deve ser realizada cerca de 10 minutos após dequitação placentária ou em até 48 horas após o parto. Depois desse período, não se recomenda mais sua inserção, devido ao maior risco de perfuração uterina, sendo recomendado aguardar de 4 a 6 semanas após o parto para possível inserção. 

Como dados da OMS, temos que a inserção do DIU com cobre pós-dequitação placentária imediata apresenta as seguintes taxas de expulsão:

  • Em seis meses: 7 a 15%;
  • Em dois anos: 2 a 2,8%.

Quanto mais precoce for a inserção, menor a taxa de expulsão. Lembrando que ela é maior no pós-parto cesárea. 

Como fazer a inserção do DIU de cobre após o parto

No período pós-parto, o processo de inserção de cobre é um pouquinho diferente daquele que costumamos fazer usualmente. Vamos conferir os detalhes:

Técnica de inserção manual após parto vaginal

  • Após a dequitação placentária e antes da sutura de lacerações, o profissional deve realizar a antissepsia e trocar as luvas;
  • Não utilizamos o aplicador para inserção neste momento;
  • O DIU deve ser apreendido entre o dedo indicador e o dedo médio do profissional e inserido através da vagina e colo;
  • A mão dominante é introduzida até a altura do punho, até sentir resistência do fundo uterino;
  • A outra mão deve ser colocada no fundo uterino, para certificar que o DIU é colocado no local correto;
  • Os ramos horizontais devem estar no mesmo sentido do diâmetro lateral do útero;
  • A mão deve ser retirada cuidadosamente da vagina;
  • O fio do DIU deve ficar dentro do canal vaginal e poderá ser seccionado na consulta de revisão de puerpério, cerca de 6 semanas após o parto.

Técnica de inserção com pinça após parto vaginal

  • Após a dequitação placentária e antes da sutura de lacerações, o profissional deve realizar a antissepsia e trocar as luvas;
  • Não utilizamos o aplicador para inserção neste momento;
  • Pinçar o colo com pinça de Foerster;
  • O DIU deve ser segurado por uma pinça curva e longa, sem cremalheira;
  • Introduzir o DIU até atingir o fundo de útero;
  • Girar a pinça que posicionou o DIU em cerca de 45 graus e movê-la lateralmente para evitar o deslocamento do dispositivo;
  • Soltar a pinça que estava posicionada no colo uterino cuidadosamente;
  • O fio do DIU deve ficar dentro do canal vaginal e poderá ser seccionado na consulta de revisão de puerpério, cerca de 6 semanas após o parto.

Técnica de inserção após cesárea

  • Depois da dequitação e revisão da cavidade endometrial, podemos inserir o DIU no fundo uterino manualmente ou utilizando uma pinça curva e longa, sem cremalheira;
  • Geralmente ele desce espontaneamente através do colo do útero durante o puerpério;
  • O fio será seccionado na consulta de revisão 4 a 6 semanas após o parto.

Contraindicações especiais da inserção do DIU de cobre após o parto

Podemos citar algumas contraindicações especiais para inserção do DIU no pós-parto, além das já citadas anteriormente:

  • Infecção intrauterina recente ou ativa;
  • Febre durante o trabalho de parto;
  • Hipotonia ou atonia uterina pós dequitação;
  • Rotura das membranas ovulares > 24 horas antes do parto (alguns autores consideram 12h).

É isso!

Agora você conhece mais a inserção do DIU de cobre após o parto! Então, confira outros conteúdos que publicamos aqui, no blog. Eles foram feitos especialmente para você mandar bem no seu plantão e ficar por dentro dos mais variados assuntos.

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Referências 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Manual técnico para profissionais de saúde: DIU com Cobre TCU 380ª/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Ministério da Saúde, 2018. 

Contracepção reversível de longa ação. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia(FEBRASGO), 2016

Medical eligibility criteria for contraceptive use. A WHO family planning cornerstone / 5. edição, 2015.

Protocolo de Inserção do Dispositivo Intrauterino. Rede Cegonha. Secretaria da Saúde, Prefeitura de Guarulhos, São Paulo, 2020. 

Tratado de ginecologia Febrasgo / editores Cesar Eduardo Fernandes, Marcos Felipe Silva de Sá; coordenação Agnaldo Lopes da Silva Filho …[et al.]. – 1. ed. – Rio de Janeiro : Elsevier, 2019.

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AnaUbinha

Ana Ubinha

Nascida em Morungaba, interior do estado de São Paulo, em 1994. Formada em Medicina pela Universidade São Francisco em 2018. Atualmente é residente (R3) de Ginecologia e Obstetrícia na Escola Paulista de Medicina - Unifesp. "A persistência é o caminho do êxito".