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Provas de Residência: Fazer Medicina de Emergência é Viver de Plantão para o Resto da Vida?

Nos últimos anos surgiu algo interessante no Brasil: provas de residência de medicina de emergência.

Em nossa trajetória como médicos, muito nos interessamos pelo assunto de emergências e pronto-socorro.

Além disso, após a Masterclass que discutimos sobre os fatores determinantes relacionados a escolha da especialidade médica, recebemos muitos feedbacks querendo saber mais sobre as especialidades em si.

Devido a isso, e a proximidade que tivemos com o tema em nossas residências médicas no HC-FMUSP, hoje decidimos trazer a você uma abordagem diferente.

Uma entrevista honesta, sincera e absolutamente completa sobre tudo que você precisa saber sobre a Residência de Medicina de Emergência!

  • Significa viver de plantão para o resto da vida?
  • Significa viver no caos e sob estresse todos os dias?
  • Significa ganhar o mesmo que recém-formados?

Isso e muitas outras objeções que as pessoas têm sobre essa especialidade – nova no Brasil, mas já antiga em outros países – iremos desmistificar hoje.

Ainda há poucos Residentes nessa especialidade, e há informação escassa sobre a mesma. Queremos que isso mude a partir de hoje.

O Entrevistado

residente medicina de emergência hospital das clínicas da fmusp

  • Nome: Eduardo Alher João
  • Idade: 30 anos
  • Graduação: Faculdade de Medicina da UNICAMP (2016)
  • Atual: Residente R2 de Medicina de Emergência no HC-FMUSP

Descobrindo a Residência de Medicina de Emergência

1. Explica pra gente Eduardo, o que exatamente é a especialidade Medicina de Emergência?

A Medicina de Emergência é a especialidade médica que concentra seu foco de atenção no paciente que se apresenta basicamente com três características fundamentais:

  1. Potencial gravidade;
  2. Apresentação aguda;
  3. Diagnóstico indefinido.

Ou seja, é o médico especialista – e vale frisar: não existe nenhuma outra especialidade com esse mesmo foco – no paciente que abruptamente apresenta um quadro clínico ainda sem explicação, sem diagnóstico, e que potencialmente coloca sua vida em risco, independente da sub-área da medicina na qual ele provavelmente se encaixe.

E importante: isso tudo independente de que doença é, quem é o paciente ou aonde ele esteja (pré hospitalar, intra-hospitalar, áreas remotas, etc). É como diz o lema da especialidade nos EUA (já existente há 50 anos): “Anyone, anything, anytime“.

2. O que te levou a escolher a prova para  Residência de Medicina de Emergência? Aqui na Medway é preto-no-branco, não precisa de romancismos com a gente!

Simples. Na minha concepção, perante todas as situações possíveis que alguém precisa de um médico (por exemplo: uma cirurgia, uma consulta com especialista, um pré-natal, ou mesmo numa UTI), o cenário onde é mais decisivo ter o melhor médico possível, com treinamento formal para estar lá, é o cenário de a pessoa ser acometida subitamente por uma doença ainda sem diagnóstico e que a possa levar a óbito na próxima hora caso não seja rapidamente identificada e fornecido o tratamento inicial; ou seja: numa emergência.

É lá que eu quero estar.

3. É fato: muita gente gosta de trabalhar em Pronto Socorro. Mas igualmente muita gente têm objeções fortes quanto à especialidade, como por exemplo: Precisarão viver de plantão (como fonte de renda única) para o resto da vida; Não aguentariam o estilo de vida de plantões por mais de 10-20 anos; Acham o Pronto-Socorro (PS) um ambiente muito estressante;

Essas objeções são reais? Como você as vê? 

É muito simples: quem falou que emergência é sinônimo de plantão, de desordem, de stress?

Pelo contrário, só é assim no Brasil porque não existia (ainda) a especialidade, ou seja, um grupo de pessoas formalmente preparadas e decididas a fazer bem feito e com qualidade.

A especialidade completa 50 anos nos EUA agora em 2018. Na grande parte dos hospitais o turno do Emergencista profissional é de 6 a 8 horas. Afinal, por quê não? O ambiente é organizado, fluxos bem estudados e bem estabelecidos.

O profissional passa visita, atende as emergências, faz Medicina de qualidade e de alto desempenho. Como em qualquer outra especialidade organizada.

E volta para casa.

É muito bem remunerado aliás, em qualquer ranking de salário de especialidades médicas nos EUA ou Europa.

Turnos longos de trabalho não só são coisa do passado, como está vastamente documentado em literatura que decresce a qualidade da assistência e aumenta taxas de burnout. Isso é arcaico, é contraproducente.

O PS não é estressante. Pelo contrário.

A sala de emergência é no meu modo de ver o grande templo da medicina. Onde se vê a medicina à flor-da-pele, de verdade.

Onde são feitos os diagnósticos, onde se salvam vidas literalmente, onde o contato do médico com o paciente é vivo, é emocionante.

Depois que você se ambienta no PS parece que todo o resto perde um pouco do brilho.

4. Hoje, com o mercado quase totalmente aberto para qualquer especialista (ou mesmo recém-formados) trabalhar em Pronto-Socorro, como você vê a inserção dos que terminaram a Residência nesse mercado?

Dependendo da região que o leitor estiver, ele sabe bem que qualquer um (mesmo um recém-formado) pode abrir um consultório e atender casos de Hipertensão, Insuficiência Cardíaca e FA sem ter feito cardiologia.

Ou atender depressão, ansiedade e TAB sem ser psiquiatra. Certo? Do que estamos falando então? Do grau de qualidade, de excelência da medicina que se exerce.

Tente ir em um hospital de ponta em São Paulo e diga que quer comandar a enfermaria de neurologia, sem ser neurologista. Absurdo, certo?

Isso progressivamente foi mudando para as especialidades supracitadas. Agora isso chegou para a Medicina de Emergência.

Cada vez mais (pelo menos nos centros de excelência) será indispensável ter um preparo formal, de qualidade, para atender um paciente que está na vigência de uma Anafilaxia, ou após um Afogamento, Eletrocutado, em Parada Cardíaca, em IRpA e Via Aérea difícil.

A lista é infinita.

Mas até então não existia – no Brasil – especialista para isso.

Medway: O Seu Guia à Residência Médica

5. Sabemos que muito pouca gente toca nesse assunto, e é praticamente um tabu na Medicina falar sobre dinheiro. Muita gente têm vergonha de dizer que quer ganhar dinheiro com a Medicina. Obviamente o papo muda diametralmente após a formatura, quando todo mundo cai no mundo e vê a importância do tema. E por isso é importante falarmos de dinheiro!

Por isso eu faço a pergunta: financeiramente, como você vê a especialidade no futuro, Eduardo? Em relação às outras especialidades e mesmo em relação ao médico recém-formado

Se você analisar o ranking de especialidades mais bem remuneradas nos EUA, em praticamente todas a Medicina de Emergência está entre as mais bem pagas ou pelo menos na metade superior da lista.

O motivo é óbvio: se você perguntasse a um economista qual seria o cenário ideal para um ramo profissional prosperar, ele diria: “Ora, seria algo que tem uma demanda gigantesca, e que poucas pessoas são formalmente preparadas para exercer”.

Pois bem, ele acaba de definir o que é a Medicina de Emergência no Brasil hoje. Acho que não preciso falar mais nada!

6. Por último, nos conte um pouco sobre como é a Residência de Medicina de Emergência no HC-FMUSP e os diferenciais que ela tem! Sabemos que são muitos, pelo que vimos lá não há muito tempo. Mas queremos que todos saibam!

Somos em 36 residentes no HC-FMUSP atualmente.

A Residência possui dois grandes diferenciais: a imensa diversidade de cenários, os institutos do complexo HC-FMUSP, bem como a ampla carga teórica que temos semanalmente, com curso horizontal de USG Point of Care, procedimento em cadáveres, aulas de inglês médico, reuniões de morbi-mortalidade, de análise e interpretação de trabalhos científicos.

Além do grande estímulo por parte do staff, chefiado pelo Professor Irineu Tadeu Velasco, na produção de conteúdo didático e pesquisa científica em emergência.

Não é nenhum exagero dizer que somos uma das residências mais bem organizadas do HC-FMUSP e, em muitos aspectos, como na parte teórica/didática por exemplo, considerada inclusive modelo para os demais programas.

7. Sensacional, amigo! Qual a conclusão final dessa entrevista em relação à Residência de Medicina de Emergência?

Medicina de Emergência: os 15 minutos mais interessantes de todas as outras especialidades.

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Finalizando…

Nosso entrevistado gentilmente cedeu o e-mail dele para que você possa tirar qualquer dúvida que tenha em relação a essa nova especialidade e como foi seu processo para a prova para residência médica.

Como pôde se ver, as concepções dessa nova especialidade vão muito além dos (pré-)conceitos que geralmente se têm.

Entre em contato via eduardo.joao@hc.fm.usp.br para tirarem suas dúvidas! Ou entre em contato conosco que repassaremos a dúvida!

Para saber mais, a Residência de Medicina de Emergência do HC-FMUSP tem um site próprio, não deixem de conferir: http://www.residenciamehcfmusp.com.br/

E nos dêem o feedback!

Um abraço a todos e contem conosco para ajudar vocês a passar na prova de residência médica!

AlexandreRemor

Alexandre Remor

27 anos, nascido em Florianópolis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) e Residência em Administração em Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Fanático por novos aprendizados, empreendedorismo e administração.

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