A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 1.365/2022, que atualiza o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas no Brasil. A proposta estabelece remuneração mínima de R$ 13.662 para jornadas de 20 horas semanais e segue agora para análise da Câmara dos Deputados.
O texto aprovado também prevê reajuste anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atualização dos valores referentes a horas extras e adicional noturno, além de novas garantias trabalhistas para as categorias. A aprovação ocorreu por unanimidade na CAS, com 14 votos favoráveis e nenhuma manifestação contrária.
Segundo o relator da matéria, senador Fernando Dueire (PSD-PE), o projeto busca corrigir uma defasagem histórica relacionada à Lei nº 3.999/1961, que regulamenta o piso salarial de médicos e dentistas há mais de seis décadas.
De acordo com o parlamentar, o congelamento do piso após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) contribuiu para a perda de efetividade da norma e para a precarização das relações de trabalho no setor da saúde.
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran da Silva Gallo, classificou a aprovação como uma conquista histórica para médicos e cirurgiões-dentistas. Segundo ele, a medida representa reconhecimento à importância dos profissionais para o sistema de saúde e para a assistência à população.
O substitutivo aprovado revoga integralmente a Lei nº 3.999/1961 e estabelece novas regras para médicos e cirurgiões-dentistas vinculados aos setores público e privado. Entre os principais pontos previstos estão:
O texto também determina que os custos adicionais para estados, municípios e Distrito Federal sejam custeados por transferências do Fundo Nacional de Saúde.
Durante a votação, parlamentares defenderam a valorização das categorias médicas e odontológicas. O senador Hiran Gonçalves (PP-RR) classificou a sessão como “um dia emblemático” para os profissionais da saúde e destacou a atuação dos médicos durante a pandemia de Covid-19.
Já a senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) afirmou que a proposta busca assegurar melhores condições de trabalho sem impacto negativo direto nos orçamentos locais, considerando a previsão de custeio federal.
O presidente da Comissão de Assuntos Sociais, senador Marcelo Castro (MDB-PI), declarou que a aprovação representa o resgate de uma “dívida social” com profissionais essenciais para a saúde pública brasileira.
Por ter caráter terminativo na Comissão de Assuntos Sociais, o substitutivo ainda passará por votação em turno suplementar antes de seguir para análise da Câmara dos Deputados.
A aprovação do projeto reacende o debate sobre valorização profissional, financiamento da saúde pública e impacto das políticas salariais na organização do trabalho médico no Brasil.
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Professor da Medway. Formado pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória-ES, com Residência em Medicina de Família e Comunidade pela USP-RP. Capixaba, flamenguista e apaixonado por samba. Siga no Instagram: @padilha.medway