A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a fabricação no Brasil da vacina contra chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Valneva.
A decisão, anunciada em 4 de maio de 2026, permite que o imunizante passe a ser produzido localmente e amplia a possibilidade de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O imunizante autorizado é a IXCHIQ, uma vacina recombinante atenuada contra chikungunya. Embora já tivesse sido aprovada pela Anvisa em abril de 2025, a produção estava inicialmente vinculada às fábricas da Valneva.
Com a nova decisão, o Instituto Butantan passa a ser oficialmente reconhecido como local de fabricação, podendo executar parte do processo produtivo em território nacional.
Segundo a agência reguladora, trata-se do mesmo produto já registrado, agora formulado e envasado no Brasil, mantendo os padrões de qualidade, segurança e eficácia.
A autorização da produção local é apontada como um fator que pode facilitar a disponibilização da vacina no SUS, ampliando o acesso ao imunizante.
A vacina contra chikungunya é indicada para pessoas entre 18 e 59 anos que apresentem risco aumentado de exposição ao vírus. Por outro lado, o uso é contraindicado em grupos específicos, incluindo mulheres grávidas e pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas.
O imunizante é descrito como o primeiro a ser registrado no mundo para prevenção da doença, o que marca um avanço no enfrentamento da arbovirose.
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Aedes aegypti, também vetor da dengue.
O vírus foi introduzido no continente americano em 2013 e, desde então, provocou epidemias em diversos países. No Brasil, a doença foi confirmada em 2014 e atualmente há registro de transmissão em todos os estados.
Dados recentes indicam que, em 2025, cerca de 620 mil pessoas foram infectadas globalmente. No Brasil, foram notificados mais de 127 mil casos e 125 óbitos no mesmo período, segundo o Ministério da Saúde.
A internalização da produção pelo Instituto Butantan representa uma mudança no processo de fabricação do imunizante, mantendo as características técnicas já aprovadas, mas com execução parcial em território nacional.
A medida também está associada à expectativa de ampliação do acesso à vacina, especialmente no contexto do SUS, onde estratégias de incorporação podem ser facilitadas pela produção local.
Além disso, o imunizante já vinha sendo utilizado em estratégias piloto em áreas com maior incidência da doença, o que reforça o interesse em sua ampliação no sistema público.
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Professora da Medway. Formada pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com residência em Medicina Preventiva e Social na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Siga no Instagram: @marina.ulp