Conteúdo atualizado em: 01/06/2026
O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a Resolução nº 2.457/2026, que regulamenta a indicação, a execução e o acompanhamento da crioterapia e do ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) para o tratamento do câncer de próstata.
A norma foi publicada no Diário Oficial da União e estabelece critérios técnicos e éticos para a utilização dessas terapias focais em pacientes selecionados.
A resolução autoriza o uso da crioterapia e do HIFU como alternativas terapêuticas para o câncer de próstata. As duas modalidades têm como objetivo promover a destruição localizada das áreas acometidas pela neoplasia, preservando os tecidos adjacentes.
Segundo o CFM, essa abordagem pode reduzir os efeitos adversos associados aos tratamentos radicais tradicionais, especialmente aqueles relacionados à função sexual e à continência urinária.
A autarquia destaca, entretanto, que as terapias focais não são consideradas tratamento primário padrão-ouro para o câncer de próstata. Por isso, sua indicação deve ocorrer após decisão compartilhada entre médico e paciente, com assinatura de termo de consentimento livre e esclarecido.
De acordo com a resolução, as terapias focais poderão ser indicadas para pacientes com câncer de próstata de risco intermediário favorável, unifocal e unilateral, desde que não exista discordância entre os exames de imagem e os resultados anatomopatológicos quanto à lateralidade da lesão.
A norma também autoriza o uso dessas terapias como tratamento de resgate em pacientes previamente submetidos à radioterapia externa ou braquiterapia.
Em caráter excepcional, o tratamento poderá ser considerado para pacientes com câncer de próstata de baixo risco classificados como ISUP 1, quando houver lesões de grande volume ou baixa adesão à vigilância ativa.
Por outro lado, a realização dos procedimentos é vedada para pacientes com câncer de próstata de risco intermediário desfavorável, alto ou muito alto.
Além da crioterapia e do HIFU, a resolução menciona outras modalidades de terapia focal, como terapia fotodinâmica, eletroporação irreversível, ablação a laser focal e ablação transuretral da próstata com ultrassom (Tulsa).
No entanto, essas técnicas permanecem classificadas como experimentais ou investigacionais. Sua utilização continua restrita a protocolos de pesquisa clínica aprovados pelo sistema CEP/Conep.
Segundo o CFM, a manutenção dessas modalidades em ambiente de pesquisa está relacionada ao baixo nível de evidência científica disponível e à escassez de estudos de longo prazo.
A resolução também estabelece parâmetros para o seguimento dos pacientes submetidos às terapias focais. Entre as recomendações estão a dosagem periódica do PSA, a realização de biópsia prostática entre seis e doze meses após o tratamento e a realização anual de ressonância magnética multiparamétrica da próstata.
De acordo com o CFM, o objetivo do acompanhamento é monitorar a eficácia oncológica dos procedimentos e identificar precocemente possíveis sinais de progressão da doença.
A entidade ressalta que, apesar dos avanços tecnológicos e do desenvolvimento de abordagens menos invasivas, ainda existem dúvidas sobre o controle oncológico de longo prazo dessas terapias, o que motivou a definição de critérios específicos para sua utilização.
Quer continuar acompanhando atualizações sobre diretrizes médicas, políticas de saúde e novidades da prática clínica? Acesse o blog da Medway e fique por dentro dos temas que impactam a formação e a atuação médica.
Professora da Medway. Formada pela Faculdade de Medicina de Jundiaí, com Residência em Cirurgia Geral pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Residência em Urologia pela mesma instituição e Residência em Reprodução Humana pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).