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Coarctação da Aorta: achados na radiografia de tórax

Fala pessoal! Beleza? O tema deste texto vai direto ao ponto, sem rodeios. Vamos revisar os achados na radiografia de tórax que são suspeitos para coarctação de aorta. Eu falo “suspeitos” porque não vai ser a radiografia que vai te confirmar esta hipótese. O papel dela é levantar a possibilidade ou aumentar a suspeição desta condição. 

A confirmação diagnóstica depende de um estudo da aorta, podendo ser tanto com uma angiotomografia quanto com uma angiorressonância magnética.

Bora lá?

A coarctação da aorta

Rapidamente, quero revisar o que é a coarctação da aorta, para que você consiga entender melhor os achados de imagem.

A coarctação da aorta é uma anomalia congênita da aorta caracterizada por um estreitamento focal de seu calibre. É uma anomalia relativamente comum, correspondendo a 4-8% das anomalias congênitas cardiovasculares e é mais frequente em pacientes do sexo masculino (2 a 3 meninos para cada menina).

Assim como nas demais anomalias congênitas cardiovasculares, há associação com outras anomalias congênitas tanto cardíacas quanto não-cardíacas. A associação mais comum é a valva aórtica bicúspide (associada em até 75-80% dos casos).

A maioria dos casos de coarctação da aorta é esporádica; no entanto, há um componente genético claro (pelo menos 4% dos filhos de mulheres com coarctação de aorta também apresentam a anomalia).

A apresentação clínica varia dependendo do local e do grau de estenose e das anomalias associadas. Alguns pacientes com estenoses leves / moderadas podem ficar assintomáticos durante muito tempo.

A coarctação da aorta pode ser dividida em dois tipos:

  • Forma infantil (forma pré-ductal ou difusa):

– Apresentação na infância.

– Há uma hipoplasia que pode ser difusa ou longa da aorta logo após a emergência da artéria braquiocefálica até o nível do ducto arterioso (portanto, proximal ao ducto arterioso: pré-ductal).

– O ducto arterioso está patente e o suprimento de sangue para a aorta descendente ocorre através dele.

– A apresentação pode ser imediata no período neonatal, com chance de ser bastante grave. 

– Em neonatos, que têm circulação colateral ausente ou inadequada, a hipertensão pulmonar é a anormalidade dominante do quadro clínico, desde que o ducto arterioso permaneça aberto. Quando o ducto está aberto, a hipertensão sistêmica raramente é grave e o pulso femoral não é anormal. 

– Quando o ducto se fecha após as primeiras 2 semanas de vida, a circulação é gravemente alterada e os bebês tornam-se sintomáticos com hipoperfusão grave da parte inferior do corpo, disfunção renal e acidose. O ventrículo esquerdo começa a falhar devido à pós-carga grave à medida que a pressão sistêmica aumenta.

Coarctação de Aorta: achados na radiografia de tórax
Esquema da forma infantil da coarctação da aorta com estreitamento proximal ao sítio do ducto arterioso. Fonte: Coarctation of the Aorta: A Case Presentation. DOI:10.1891/0730-0832.28.2.103
  • Forma do adulto (forma justaductal, pós ductal ou da aorta média):

– É mais comum.

– Pode ser diagnosticada em crianças, mas é a forma mais comumente encontrada em pacientes diagnosticados já adultos ou assintomáticos

– É caracterizada por um curto segmento de estenose abrupta da aorta pós-ductal devido a um espessamento da camada média da aorta imediatamente distal ao ligamento arterioso (remanescente do ducto arterioso).

– Quando os sintomas aparecem mais tardios ou já na vida adulta, observamos: hipertensão arterial, hemorragia intracraniana secundária a aneurismas intracranianos, hipertrofia ventricular esquerda e, subsequentemente, insuficiência cardíaca congestiva

– Ao exame físico a diferença anormal entre os pulsos arteriais dos membros superiores e inferiores é um achado marcante.

Coarctação de Aorta: achados na radiografia de tórax
Esquema da forma do adulto da coarctação da aorta com estreitamento após o sítio do ducto arterioso. Fonte: Coarctation of the Aorta: A Case Presentation. DOI:10.1891/0730-0832.28.2.103

Coarctação da aorta: achados na radiografia de tórax

É muito importante entender que a radiografia de tórax pode ser normal em pacientes com coarctação de aorta. Portanto,  a radiografia é útil quando mostra sinais suspeitos para coarctação, mas uma radiografia normal não exclui esse diagnóstico.

A presença e a gravidade dos achados radiográficos na coarctação da aorta dependem principalmente do grau de estenose

O achado de imagem mais clássico é a convexidade da aorta descendente para a esquerda com aumento da artéria subclávia esquerda, mais conhecido como sinal do 3.  

A corcova de cima do 3 representa a aorta dilatada e a base da artéria subclávia esquerda, e a corcova de baixo do 3 é a dilatação pós-estenótica da aorta. O sinal é visto em ½ a ⅓ dos pacientes com coarctação da aorta.

Sinal do 3.
Sinal do 3. Fonte: Gaillard, F., Thakur, A. Coarctation of the aorta. Reference article, Radiopaedia.org. https://doi.org/10.53347/rID-6277

O sinal do entalhe inferior nas costelas, mais conhecido como sinal de Roesler, é outro achado radiográfico bastante clássico. É visto como irregularidades no contorno inferior do quarto ao oitavo arcos costais posteriores, e é visto em pacientes mais velhos (>20 anos), já que corresponde a um remodelamento do osso da costela como resultado do aumento do fluxo colateral pelas artérias intercostais. 

Esses vasos colaterais são os que conectam as artérias da parte superior do corpo aos vasos abaixo do nível da coarctação. O primeiro e o segundo arcos costais estão poupados. 

Apesar deste sinal aparecer em pacientes mais velhos (>20 anos), é o sinal radiológico mais confiável para o diagnóstico.

Sinal de Roesler.
Sinal do 3 e Sinal de Roesler. Fonte: Learning Radiology. http://www.learningradiology.com/archives04/COW%20128-Coarctation/coarctcorrect.htm

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É isso! 

É isso, pessoal! Esperamos que tudo tenha ficado claro e que você tenha compreendido o conteúdo!

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LuisaLeitão

Luisa Leitão

Mineira, millennial e radiologista fanática. Formou-se em Radiologia pelo HCFMUSP na turma 2017-2020 e realizou fellow em Radiologia Torácica e Abdominal em 2020-2021 no mesmo instituto, além de ter sido preceptora da residência de Radiologia por 1 ano e meio. Apaixonada por pão de queijo, café e ensinar radiologia.