A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passará a se chamar oficialmente Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP).
A mudança foi publicada no periódico The Lancet e apresentada durante o Congresso Europeu de Endocrinologia 2026, após um consenso internacional que reuniu 56 organizações científicas, clínicas e grupos de pacientes de diferentes países.
Segundo os especialistas envolvidos, a nova nomenclatura busca refletir de forma mais precisa a complexidade da condição, que envolve alterações hormonais, metabólicas, cardiovasculares e reprodutivas — e não apenas alterações ovarianas.
De acordo com o consenso, o termo “ovários policísticos” era considerado impreciso porque sugere a presença de cistos patológicos como principal característica da síndrome. No entanto, os especialistas destacam que, na maioria dos casos, os achados observados ao ultrassom correspondem a folículos com desenvolvimento interrompido, e não a cistos verdadeiros.
Além disso, o nome anterior acabava restringindo a compreensão da condição ao sistema reprodutivo, apesar da associação com alterações metabólicas e endócrinas relevantes.
O novo termo incorpora diferentes aspectos da doença:
O processo de revisão do nome durou cerca de 14 anos e contou com participação internacional, incluindo representantes brasileiros da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
A SOMP afeta aproximadamente 1 em cada 8 mulheres globalmente, somando cerca de 170 milhões de pessoas.
A síndrome pode se manifestar com diferentes apresentações clínicas, incluindo:
O documento também destaca que até 70% das mulheres afetadas permanecem sem diagnóstico.
Entre os fatores associados à condição, os especialistas apontam resistência à insulina em grande parte das pacientes, incluindo mulheres magras, além de maior risco para obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial, esteatose hepática e doenças cardiovasculares.
Apesar da alteração na nomenclatura, o consenso reforça que não houve mudanças imediatas nos critérios diagnósticos ou no tratamento da síndrome.
Em mulheres adultas, o diagnóstico continua baseado na presença de pelo menos dois dos seguintes critérios, após exclusão de outras causas:
Já em adolescentes, os três critérios seguem sendo considerados simultaneamente, com maior cautela diagnóstica.
O tratamento permanece individualizado e pode incluir anticoncepcionais hormonais, antiandrogênicos, metformina, indutores de ovulação e acompanhamento metabólico, além de intervenções relacionadas ao estilo de vida.
A implementação da nova nomenclatura deve ocorrer gradualmente ao longo dos próximos três anos, incluindo atualização de diretrizes, prontuários eletrônicos, materiais educativos e classificações internacionais.
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Professor da Medway. Formado pela Universidade de Brasília (UNB), com residência em Ginecologia e Obstetrícia no HC-FMUSP. Ex-preceptor de Ginecologia do HC-FMUSP. Especialista em pré-natal de alto risco e Ginecologia endócrina. Siga no Instagram: @danielgodamedway