A desnutrição infantil é um importante problema de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, e está associada a aumento da morbimortalidade, imunossupressão, prejuízo no crescimento e no desenvolvimento neuropsicomotor.
Reconhecer precocemente essa condição é fundamental tanto para o manejo clínico quanto para o desempenho em provas de residência médica.
Na prática, trata-se de um tema recorrente nas provas e que exige domínio não apenas de conceitos, mas também na abordagem diagnóstica e terapêutica.
Vamos revisar os principais aspectos da desnutrição infantil, incluindo avaliação antropométrica, classificação, diagnóstico e as fases do tratamento hospitalar.
A desnutrição infantil é definida como um estado resultante da ingestão insuficiente de nutrientes (causa primária) ou da incapacidade do organismo em utilizá-los adequadamente (causa secundária), levando a prejuízos no crescimento e no desenvolvimento.
Embora o termo desnutrição também possa abranger distúrbios relacionados ao excesso nutricional, como sobrepeso e obesidade, neste contexto o foco será a subnutrição.
A principal classificação, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é a divisão em:
O diagnóstico é baseado na associação de: Avaliação antropométrica, exame físico e a história clínica e alimentar
Os principais índices de avaliação utilizados são:


Z-score < -2: Magreza
Z-score < -3: Magreza Acentuada

A OMS classifica da seguinte forma:
| Desnutrição Aguda Moderada | circunferência do braço entre 115 a 124 mmpeso para estatura (P/E) entre o escore Z -2 e -3. |
| Desnutrição Aguda Grave | circunferência do braço menor que 115 mmpeso para estatura (P/E) menor que escore Z -3, presença de edema. |
| Desnutrição Crônica (Parada do crescimento) | nanismo moderado (estatura ou comprimento entre o escore Z -2 e -3) nanismo grave (estatura ou comprimento menor que escore Z -3). |
O marasmo está relacionado à deficiência global de energia e nutrientes, resultando em um estado de desnutrição calórico-proteica grave.
Caracteriza-se por:

Está associado principalmente à deficiência proteica, levando à redução da síntese de proteínas plasmáticas, especialmente a albumina. Como consequência, ocorre diminuição da pressão oncótica, favorecendo o extravasamento de líquido para o interstício e resultando em edema.
Caracteriza-se por:

O tratamento da desnutrição infantil, especialmente nos casos graves, deve seguir etapas bem definidas.
Fase 1: Estabilização
Objetivo: tratar complicações agudas e reduzir o risco imediato de mortalidade.
Essa fase geralmente dura cerca de 5 a 7 dias.
Principais condutas:
A reintrodução da alimentação, especialmente de forma rápida, estimula a liberação de insulina, promovendo o deslocamento intracelular de eletrólitos.
Esse processo pode levar a distúrbios hidroeletrolíticos importantes, como:
Essas alterações podem resultar em complicações graves, incluindo insuficiência cardíaca, arritmias e disfunção neurológica.
Além disso, a deficiência de tiamina, associada ao aumento do metabolismo da glicose, pode levar à síndrome de Wernicke-Korsakoff.
Fase 2: Reabilitação
Objetivo: promover a recuperação nutricional e o ganho ponderal adequado.
Principais condutas
Fase 3: Acompanhamento
Objetivo: prevenir recaídas e garantir a manutenção da recuperação nutricional.
Principais condutas
A desnutrição infantil é um tema frequente nas provas de residência médica, com alguns pontos clássicos que devem ser lembrados:
Fique atento: muitas questões exploram a diferenciação entre Marasmo e Kwashiorkor, além das condutas iniciais no manejo da desnutrição grave.
A desnutrição infantil é uma condição de grande relevância tanto na prática clínica quanto nas provas médicas. Seu reconhecimento precoce, associado a uma abordagem estruturada e baseada em protocolos, é fundamental para reduzir complicações e melhorar o prognóstico dos pacientes.
Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ). Atualmente é residente de Pediatria pelo Hospital Sírio-Libanês (HSL).