O Genograma é uma ferramenta gráfica fundamental e amplamente utilizada na Medicina da Família e Comunidade, pois oferece uma representação visual do sistema familiar, permitindo que o profissional de saúde compreenda não apenas as doenças genéticas, mas também as complexas relações e a estrutura do ambiente no qual o paciente está inserido. Vocês lembram quando falamos sobre determinação social de saúde?
Então, é aqui que vemos a materialização desses fatores. Ao identificar fragilidades, vulnerabilidades e patologias prevalentes, o genograma torna-se um instrumento chave para a criação de um vínculo mais forte e a prestação de um cuidado em saúde mais efetivo.
O Genograma é um instrumento de representação gráfica do sistema familiar: guardem essa informação porque ela nos ajuda a diferenciar de outros instrumentos de abordagem familiar, à exemplo do ecomapa, o qual também é uma representação gráfica mas da rede de apoio, comunidade e instituições do meio em que o paciente vive e com as quais se relaciona.
Dentro dessa representação gráfica, são utilizados símbolos para traduzir a composição e dinâmica das relações familiares de maneira padronizada, em geral utilizando pelo menos 3 gerações (embora isso não impeça de encontrarmos genogramas com menos gerações).
Embora o genograma simples funcione como uma “foto” de um determinado momento, ele deve ser reformulado quando ocorrem mudanças significativas na estrutura familiar. Lembre-se: as famílias e relações mudam com o tempo, portanto o genograma deve ser revisto e reformulado à medida que a família é acompanhada pela equipe.
Na prática médica, o genograma é essencial porque não permite mais ignorar que a estrutura familiar de uma pessoa é fundamental para o processo de desenvolvimento de saúde e de doenças. Ele é muito útil para situações mais complexas, nas quais as ações de cuidado não serão puramente biológicas. Ao enxergar a pessoa como um tudo, com quem ela convive, como é a sua rede de apoio e os pontos de vulnerabilidade, ele permite que a gente possa ter um olhar integral das pessoas.
Então, ao olhar um genograma conseguimos enxergar:
Por abordar temas sensíveis (como violências, conflitos, abuso e uso de drogas) é importante que ele seja construído com consentimento e respeito. Além disso, é necessário que o profissional pratique a escuta ativa e tenha paciência na construção do vínculo, uma vez que pode ser que nem sempre a gente consiga obter todas as informações necessárias para sua construção em uma única consulta.
Como dissemos anteriormente, o genograma utiliza símbolos padronizados para representar a estrutura e as dinâmicas familiares. Por isso, para interpretá-los (tanto na prova quanto na vida prática), é importante que vocês estejam familiarizados com eles!
As representações são utilizadas para identificar os membros da família, o paciente (índice), as relações entre os indivíduos e as patologias prevalentes.






Embora as equipes de saúde não realizem intervenções terapêuticas familiares complexas, o genograma lhes dá condições de identificar pontos de conflito que podem estar prejudicando o tratamento ou o vínculo do paciente com a unidade de saúde.
Dica para leitura nas provas: o primeiro passo é sempre identificar o paciente índice! Após, façam a leitura cautelosa das alternativas identificando corretamente cada um dos indivíduos e a relação citada. Fiquem atentos na representação do sexo, idade e com quem o indivíduo citado se relaciona porque aqui é onde as bancas costumam criar pegadinhas!
O Genograma faz parte de um conjunto de ferramentas de abordagem familiar que têm como principal objetivo facilitar a criação de vínculo com os pacientes, proporcionando maior efetividade na resolução dos casos.
A utilização dessas ferramentas permite a identificação de:
Em muitos casos, a falta de preparo dos profissionais de saúde em conduzir situações complexas e particulares exige grande dedicação e persistência. O genograma, ao trazer um diagnóstico situacional, é um passo para superar essas dificuldades, apoiando a longitudinalidade ao ajudar a compreender a trajetória das famílias.
Além disso, a aplicação da ferramenta, e principalmente as ações realizadas após o diagnóstico que ela fornece, são importantes para fortalecer o vínculo do paciente com os profissionais da equipe de referência e garantir a coordenação do cuidado.
Agora, você sabe mais sobre o genograma! Então, confira outros conteúdos que publicamos aqui, no blog. Eles foram feitos especialmente para você mandar bem no seu plantão e ficar por dentro dos mais variados assuntos.
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Nascida em Ribeirão Preto, interior de São Paulo desde 1991. Formada pelo Centro Universitário Barão de Mauá (CBM). Residência em Medicina de Família e Comunidade na Faculdade Medicina de Ribeirão Preto (FMUSP-RP).