O governo brasileiro apresentou ao Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ligado ao BRICS, um projeto de US$ 320 milhões para erguer o primeiro hospital inteligente do SUS (Sistema único de Saúde). O Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil) será construído no complexo do Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo, e pretende transformar o modelo de atendimento hospitalar no país.
Com 150 mil m² de área, o ITMI-Brasil terá foco em urgência, terapia intensiva e neurologia. O projeto incorpora inteligência artificial (IA), tecnologia 5G e soluções de automação hospitalar, além de incluir serviços de telessaúde e sistemas preditivos para aprimorar diagnósticos e tomadas de decisão.
Segundo a proposta, o hospital deverá funcionar como um centro de inovação em saúde pública, integrando ensino, pesquisa e atendimento em alta complexidade.
O projeto é resultado da articulação entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Ministério da Saúde, a USP e conta com apoio técnico da China. A proposta já foi aprovada pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) e agora aguarda análise final do NDB.
Caso seja aprovado, o investimento abrirá caminho para a implementação de um modelo pioneiro de hospital no Brasil, com potencial para servir como referência na América Latina.
Apesar do entusiasmo com a iniciativa, especialistas já apontam questionamentos sobre os valores apresentados. Comparações feitas com obras hospitalares de grande porte sugerem que os custos reais de construção e equipamentos poderiam superar em muito os US$ 320 milhões previstos.
Estimativas citam valores próximos de R$ 785 milhões para unidades de porte médio e até R$ 2 bilhões para hospitais de alta complexidade.
Ainda assim, a proposta é vista como um marco na tentativa de modernizar o SUS e aproximá-lo de modelos hospitalares baseados em tecnologia de ponta.
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Foi residente de Clínica Médica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) de 2016 a 2018. É um dos cofundadores da Medway e hoje ocupa o cargo de Chief Executive Officer (CEO). Siga no Instagram: @alexandre.remor