CNRM atualiza regimento interno e redefine governança da residência médica no país

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A Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) aprovou um novo regimento interno que reorganiza sua estrutura e detalha regras de funcionamento, fiscalização e tomada de decisão. A medida foi oficializada por meio da Resolução nº 3, de 24 de março de 2026, publicada no Diário Oficial da União, e redefine o papel do órgão na regulação da residência médica no Brasil .

RESOLUÇÃO Nº 3, DE 24 DE MARÇO DE 2026

Estrutura da CNRM passa por reorganização

O novo regimento estabelece uma estrutura dividida em três níveis principais: Plenário, Câmara Recursal e instâncias auxiliares. O Plenário permanece como órgão máximo de decisão, enquanto a Câmara Recursal atua como segunda e última instância administrativa, com decisões unânimes .

Plenário: composição e representação institucional

O Plenário, instância máxima de decisão da CNRM, é composto por representantes de órgãos governamentais e entidades médicas. De acordo com o regimento, integram o colegiado:

Ministério da Educação (MEC):

  • Secretário de Educação Superior, que preside a CNRM;
  • Representante da Diretoria de Desenvolvimento da Educação em Saúde da Secretaria de Educação Superior;
  • Representante da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Ministério da Saúde (MS):

  • Representante da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde;
  • Representante da Secretaria de Atenção Primária à Saúde;
  • Representante da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde.

Entidades médicas e instituições:

  • Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass);
  • Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems);
  • Conselho Federal de Medicina (CFM);
  • Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR);
  • Associação Brasileira de Educação Médica (Abem);
  • Associação Médica Brasileira (AMB);
  • Federação Médica Brasileira (FMB);
  • Federação Nacional de Médicos (Fenam);
  • Federação Brasileira de Academias de Medicina (FBAM);
  • Academia Nacional de Medicina (ANM).

Cada representante conta com um suplente, e as decisões são tomadas por maioria simples, com voto de qualidade do presidente em caso de empate.

Câmaras Técnicas ganham papel central

Um dos principais pontos do novo regimento é o fortalecimento das Câmaras Técnicas, que passam a ter atuação estruturada por áreas específicas, como atenção primária, especialidades clínicas, cirúrgicas e áreas diagnósticas .

Essas instâncias assumem função estratégica na análise de processos, incluindo pedidos de credenciamento, recredenciamento, criação e renovação de programas, além da apuração de denúncias e emissão de pareceres técnicos. Na prática, funcionam como etapa obrigatória antes das decisões do Plenário .

Fortalecimento das instâncias estaduais e institucionais

O regimento amplia o papel das Comissões Estaduais de Residência Médica (Cerems), que passam a atuar de forma mais ativa na supervisão e monitoramento dos programas. Entre suas atribuições estão o acompanhamento de processos de credenciamento, participação em avaliações in loco e encaminhamento de denúncias .

Nas instituições, as Comissões de Residência Médica (Coremes) também passam a ter responsabilidades mais detalhadas, como garantir a execução adequada dos programas, cumprir as matrizes de competências e manter dados atualizados nos sistemas da CNRM. O texto prevê sanções em casos de inconsistências ou omissões, incluindo advertência e suspensão .

Novas regras para funcionamento e decisões

O novo regimento estabelece mudanças na governança interna da CNRM, como a obrigatoriedade de reuniões mensais, possibilidade de encontros por videoconferência, definição de quórum mínimo e publicação de atas .

Além disso, amplia a atuação institucional da comissão, permitindo a criação de grupos de trabalho, elaboração de notas técnicas, organização de bases de dados nacionais e autorização de transferências de residentes .

Todos os processos relacionados à regulação e supervisão dos programas — incluindo credenciamento, reconhecimento, avaliação e apuração de denúncias — passam a ser submetidos ao Plenário. O regimento também explicita a possibilidade de desativação de programas e exigência de adequações por meio de protocolos de compromisso .

Impactos na regulação da residência médica

Com as mudanças, a CNRM consolida e amplia sua atuação como órgão regulador da residência médica no país. Entre os efeitos esperados estão maior rigor técnico nas decisões, padronização dos processos, aumento da transparência e fortalecimento da fiscalização sobre instituições e programas .

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Adriana Cristina Viesti

Adriana Cristina Viesti

Professora da Medway. Formada pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), com Residência em Pediatria pelo Hospital do Tatuapé e pós-graduação pelo Hospital Albert Einstein (HIAE) - docência e preceptoria médica. Siga no Instagram: @dri.medway