Um novo tratamento para hemofilia foi aprovado no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O medicamento QFITLIA (fitusirana sódica) poderá ser utilizado para prevenir ou reduzir episódios de sangramento em pacientes com hemofilia A ou B, com ou sem inibidores dos fatores de coagulação VIII ou IX.
O medicamento é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos e teve análise regulatória priorizada por se tratar de uma terapia destinada a uma doença rara. O registro foi concedido à farmacêutica Sanofi Medley e publicado no Diário Oficial da União.
A aprovação amplia as opções terapêuticas disponíveis para pacientes com hemofilia, condição genética que compromete o processo de coagulação do sangue.
Segundo a Anvisa, o medicamento pode ser utilizado tanto na prevenção quanto na redução da frequência de episódios hemorrágicos, um dos principais desafios no manejo da hemofilia.
Pacientes com a doença apresentam dificuldade em formar coágulos sanguíneos adequados, o que aumenta o risco de sangramentos prolongados ou recorrentes.
A possibilidade de terapias que atuem na prevenção desses episódios é considerada um avanço no cuidado da doença, especialmente em pacientes que apresentam quadros mais graves.
A hemofilia é uma doença genética rara caracterizada pela dificuldade do organismo em formar coágulos sanguíneos adequados. Isso ocorre devido à deficiência de proteínas importantes para o processo de coagulação, conhecidas como fatores de coagulação.
Sem níveis adequados desses fatores, o organismo apresenta dificuldade para formar trombina, enzima essencial para a formação do coágulo, o que favorece sangramentos prolongados ou recorrentes.
Existem dois tipos principais de hemofilia, classificados de acordo com o fator de coagulação que está ausente ou reduzido no organismo:
Ambas estão associadas ao cromossomo X, o que explica a maior prevalência da doença entre indivíduos do sexo masculino.
O novo tratamento é indicado para:
Essa característica é relevante porque os inibidores podem dificultar o tratamento convencional em alguns pacientes.
A avaliação do medicamento ocorreu de forma priorizada pela Anvisa porque a hemofilia é considerada uma doença rara.
No Brasil, existe um mecanismo regulatório específico para acelerar a análise de medicamentos destinados a doenças raras, previsto na RDC nº 205/2017. Essa política busca ampliar o acesso a novas terapias para condições que possuem menos opções de tratamento.
A aprovação do medicamento do novo tratamento para hemofilia foi formalizada por meio da Resolução RE nº 794/2026, publicada no Diário Oficial da União.
De acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados no Perfil de Coagulopatias de 2024, o Brasil possui mais de 14 mil pacientes diagnosticados com hemofilia.
Entre esses pacientes, 11.863 têm hemofilia A e 2.339 apresentam hemofilia B. Esses números reforçam a importância de ampliar o acesso a diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e terapias inovadoras.
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Foi residente de Clínica Médica do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) de 2016 a 2018. É um dos cofundadores da Medway e hoje ocupa o cargo de Chief Executive Officer (CEO). Siga no Instagram: @alexandre.remor