OMS monitora casos de hantavírus em cruzeiro após confirmação de três mortes

Conteúdo / Medicina de Emergência / OMS monitora casos de hantavírus em cruzeiro após confirmação de três mortes

Conteúdo publicado em: 07/05/2026   A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha um possível surto de hantavírus registrado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Oceano Atlântico. Até o momento, três mortes foram confirmadas e outros passageiros apresentaram sintomas compatíveis com a infecção, reacendendo o alerta internacional para uma doença considerada rara, mas potencialmente grave.

Segundo as informações divulgadas, o navio saiu da Argentina com destino a Joanesburgo e permanece ancorado enquanto autoridades sanitárias investigam os casos. Entre passageiros e tripulantes, cerca de 150 pessoas estavam a bordo da embarcação.

O que se sabe sobre os casos investigados

De acordo com a OMS, sete casos foram identificados até o momento: dois confirmados laboratorialmente e cinco suspeitos. Os sintomas começaram entre os dias 6 e 28 de abril e incluíram febre, manifestações gastrointestinais e rápida evolução para insuficiência respiratória.

Um dos passageiros morreu ainda a bordo após piora respiratória. Outro caso confirmado envolveu uma passageira que desembarcou em Santa Helena e morreu após ser encaminhada à África do Sul. Um terceiro paciente confirmado segue internado em unidade de terapia intensiva.

As autoridades também monitoram passageiros com quadros leves e moderados que permanecem na embarcação sob observação clínica.

OMS avalia risco como baixo para a população geral

Apesar da repercussão internacional, a OMS afirmou que o risco para a população geral permanece baixo e que, até o momento, não há recomendação para restrições de viagens. A organização destacou ainda que a transmissão entre humanos é incomum.

Entretanto, o Ministério da Saúde da África do Sul confirmou a presença da cepa andina do hantavírus, considerada a única entre as cepas conhecidas com capacidade de transmissão entre pessoas.

A investigação busca esclarecer se os passageiros foram infectados antes do embarque ou se houve transmissão durante a viagem. A hipótese principal continua sendo a exposição a roedores infectados, mecanismo mais comum da doença.

O que é o hantavírus

O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com a urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. A infecção pode provocar quadros graves, com acometimento pulmonar e renal.

Nas Américas, a principal manifestação é a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, caracterizada por rápida evolução para insuficiência respiratória e alta taxa de mortalidade.

Os sintomas iniciais costumam incluir febre, cefaléia, dores musculares, dor lombar e manifestações gastrointestinais. Em casos graves, podem surgir tosse seca, dispneia, edema pulmonar, hipotensão e choque.

Atualmente, não existe antiviral específico aprovado para a doença. O tratamento é baseado em suporte clínico intensivo, conforme a gravidade do quadro.

Medidas adotadas no navio

As autoridades internacionais implementaram medidas de isolamento, rastreamento de contatos, evacuação médica de pacientes graves e realização de exames laboratoriais. Passageiros foram orientados a permanecer em suas cabines, enquanto os protocolos de higiene, ventilação e desinfecção foram intensificados.

O caso mobiliza uma resposta conjunta entre Cabo Verde, África do Sul, Holanda, Espanha e Reino Unido, além do acompanhamento contínuo da OMS.

Para continuar acompanhando notícias relevantes sobre infectologia, vigilância epidemiológica e atualizações em saúde pública, acesse o blog da Medway.

É médico e quer contribuir para o blog da Medway?

Cadastre-se
Djon Machado

Djon Machado

Professor da Medway. Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com Residência em Clínica Médica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Siga no Instagram: @djondamedway