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Podcast Finalmente Residente Episódio #2: Finalmente Residente de Oftalmologia na USP-SP

Fala, pessoal! Tá no ar o segundo episódio do nosso podcast Finalmente Residente, em que batemos um papo com o Daniel Costa, formado em Oftalmologia na USP. O Finalmente Residente foi feito especialmente pro aluno de Medicina que ainda está com dúvidas sobre qual especialidade seguir e tem muita curiosidade pra saber tudo por trás das portas do hospital. Rolou uma identificação aí? Então você não pode perder esse artigo em que te trazemos o resumão do episódio: as respostas pras dúvidas mais comuns sobre a Oftalmologia e dicas inéditas pra você arrasar na sua residência! Bora lá?

Podcast Finalmente Residente Episódio #2: Finalmente Residente de Oftalmologia na USP-SP
Continue lendo para saber tudo sobre a Oftalmologia: residência, áreas de atuação, salário e muito mais!

Por que Oftalmologia?

Daniel começa nos contando como escolheu a Oftalmologia. Na verdade, ele queria fazer Anestesiologia, pra dar plantão de UTI. Mas, faltando 6 meses para decidir sua área, seu pai o aconselhou: “Meu filho, como é que você vai fazer isso? Faça Oftalmo. Oftalmo é mais tranquilo!”.

Então, ele seguiu o conselho do seu pai, mas logo descobriu que essa frase não era tão verdadeira assim! Oftalmologia é bem mais emocionante do que ele poderia imaginar naquela época. Olha só:

“Eu pensava o seguinte: ser residente de Oftalmo é tranquilo! Ninguém morre de catarata, ninguém morre de conjuntivite, então não vou me estressar. Eu me surpreendi bastante com o dia a dia em Oftalmologia”.

Ele nos contou que seu primeiro estágio foi em enfermaria no Hospital das Clínicas, e que havia 15 leitos para evoluir diariamente. Era uma rotina bastante puxada. Por essa o pai do Daniel não esperava! No entanto, ele disse que caso pudesse voltar atrás, tomaria a mesma decisão.

Daniel acredita que se durante a formação em Medicina os alunos tivessem mais contato com a Oftalmologia, teríamos muitos mais Oftalmos no mercado. Por isso, não deixe de considerar essa opção na hora da escolha profissional! A residência tem muito mais pra te mostrar do que aquele estágio rápido na graduação.

São Paulo vale mesmo a pena?

Vindo do Maranhão, Daniel explica o que o atraiu até São Paulo:

“Lá [no Maranhão] também tinha o serviço de Oftalmologia, mas a gente sabe que São Paulo é o grande centro, né? Então a gente sabe que aqui, em especial no Hospital das Clínicas, que era o meu sonho, o volume de pacientes é imenso. Eu costumo dizer que no Hospital das Clínicas nós temos os melhores pacientes. Porque, cara, lá você vê de tudo. É muito variado. E você também tem contato com grandes profissionais da área, né? Então, sem dúvida nenhuma, eu acredito que a maioria dos médicos que se forma tem o sonho de fazer uma residência médica aqui no estado de São Paulo por conta dessas características. Seja volume dos pacientes clínicos ou pacientes cirúrgicos. E as grandes universidades estão aqui”. 

Ficou bem claro a sua paixão por São Paulo, né galera? E muito bem justificada.

Quais oportunidades te aguardam em São Paulo?

Daniel nos conta que seu plano inicial era voltar pro Maranhão, mas ele dá o recado:

“Quem vem pra São Paulo fazer a residência aqui, fique bem ciente de que as oportunidades aparecem. As portas se abrem pra você, com toda certeza”.

Podcast Finalmente Residente Episódio #2: Finalmente Residente de Oftalmologia na USP-SP
Estaiada Bridge and Skyscrapers in Sao Paulo, Brazil

Algumas das grandes oportunidades que ele menciona são na área de assistência e na área de pesquisa. Em São Paulo, você consegue ter contato com profissionais renomados no mundo afora, então é comum conseguir estágios de pesquisa em hospitais renomados no exterior. Se você tem esse interesse em sair do Brasil, fazer a residência no estado de São Paulo pode ser uma boa escolha para estabelecer conexões e atingir esse sonho. Já na área de assistência médica, se destacar e conquistar reconhecimento são ótimas pedidas. Se você se destaca na residência, os próprios assistentes abrem um espaço pra você atuar.

Como é a residência em Oftalmologia?

Essa o Daniel responde:

“É legal você entender que a Oftalmo é uma das poucas grandes áreas da Medicina em que você concilia perfeitamente 3 coisas: parte clínica, cirurgia e exames. Ela é bem versátil, então pra quem tem interesse nesses três elementos unidos, eu indicaria”.

O ano mais importante da residência em Oftalmologia, de acordo com o nosso convidado, é o primeiro ano. Isso porque a evolução do R1, ele brinca, não é uma curva ascendente; é vertical, quase caindo pra trás! O residente chega sem conseguir ver um nervo óptico no paciente, e no final do ano já está fazendo pessoas voltarem a enxergar por meio da cirurgia. Ou seja, no final do primeiro ano você já é um “mini-oftalmo”. O Daniel garante:

“É uma área que você se satisfaz muito profissionalmente falando”.

Além disso, se você curte tecnologia, a Oftalmologia é uma ótima escolha. Isso porque grande parte das cirurgias são feitas de forma quase totalmente tecnológica.

Já sobre os plantões na residência, eles começam em torno do R2 e são divididos em plantões de pronto-socorro e plantões de óculos. No plantão de óculos, por uma tarde no hospital, o médico residente ganha em torno de R$600,00. Já no plantão de pronto-socorro é onde o residente mais aprende. 

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Continue lendo para saber tudo sobre o mercado de trabalho em Oftalmologia no Brasil!

O que o oftalmologista faz quando termina a residência? E quanto ganha em cada cenário?

Bom, a regra é a seguinte: quanto menor a demanda maior a oferta. Tudo depende do local onde você vai atuar. Se você estiver no Norte ou Nordeste, por terem menos profissionais da área lá, a remuneração tende a ser maior. Então, salários acima de R$20.000 são bem factíveis para aquelas localidades. Já em São Paulo, onde há muitos médicos oftalmologistas, o valor tende a ser menor. O salário de R$20.000 pode até ser possível, mas o médico tem que estar muito bem localizado, ter boas oportunidades e, claro, trabalhar muito. Pra saber sobre o salário do oftalmologista no Brasil com mais detalhes, confira nosso artigo sobre o assunto

E quais são as formas de trabalho na área logo após a residência? Daniel responde:

“[O oftalmologista] pode seguir o fellow, ou fazer plantões na área de pronto-socorro mesmo. Existem vários hospitais da cidade que contratam os oftalmos pra fazer plantão de emergência. Mas a via mais comum são os atendimentos ambulatoriais. E geralmente, nas cidades maiores existem grandes grupos, que coordenam esses atendimentos. Eles contratam os colegas que são formados, os mais novos, vamos dizer assim. E existem situações na residência de ter um colega que monta sua clínica, e sozinho ali vai tentando desenvolver.”

Mas seria basicamente isso: o salário do atendimento em pronto-socorro ou ambulatório fica entre R$10.000 e R$20.000. A Oftalmologia é uma área muito cara. Pra abrir o seu consultório, por necessitar de aparelhos tecnológicos, um consultório básico hoje custa em torno de R $80.000. Portanto, não é tão comum médicos oftalmologistas recém-formados montarem seus próprios consultórios. 

Em relação a procedimentos, é mais fácil de conseguir acesso em regiões com menos oftalmologistas e com remuneração maior. Vamos dar exemplos: cirurgia de catarata em um hospital particular, dependendo da lente utilizada, sai em torno de R$5.000 e tem uma duração de menos de 10 minutos em mãos habilidosas. Em pacientes com diabetes, com edema macular, o procedimento dura menos de 4 minutos e a remuneração é em torno de R$1.000 e R$2.000 por injeção. Claro que esses procedimentos com altas remunerações ocorrem em situações ideais.

Fazer fellowship é necessário?

Na área de Oftalmologia, fazer fellowship é praticamente natural. Fellowship é um programa de especialização para o médico que já concluiu tanto a faculdade de Medicina, quanto a residência. E, pro oftalmo, se inserir em uma subespecialidade é simplesmente orgânico. O mundo da Oftalmologia é muito grande, existem diversas especializações possíveis. Você pode se especializar em praticamente qualquer área ou doença do olho! As opções são infinitas, portanto, o fellowship é essencial para o Oftalmologista.

Uma das maneiras possíveis para conseguir uma bolsa no programa de fellowship em Oftalmologia é estar bem colocado no ranking dos residentes da sua instituição – caso ela possua esse ranking, como é o caso da USP. Agora você deve estar se perguntando: “como faço pra ficar no topo desse rankeamento?”. Bom, vamos ouvir então os conselhos do nosso convidado, que ficou em primeiríssimo lugar no ranking da sua residência no Hospital das Clínicas. Os métodos de avaliação levam em conta:

  • A atuação do residente. A todo momento o residente está sendo avaliado: tudo que ele está fazendo e, principalmente, o que ele não está fazendo conta. 
  •  As notas nas provas. Existem provas mensais de diversas áreas, e essas notas contam bastante.
  •  Pesquisa científica. 

Ou seja, tudo que o residente produz é avaliado e colocado nesse rankeamento.

Conselho do Daniel Costa pro R1 em Oftalmologia

Se liga nessa dica especial do Daniel:

“Pro cara que tá começando o R1, eu quero dizer pra ele que ele tá na melhor especialidade que existe. E que ele seja perseverante. No começo vai ser difícil, mas depois ele vai ver que realmente não tem coisa melhor do que atuar na Oftalmologia”.

E aí, curtiu?

Se você gostou desse resumão escrito, temos certeza que você vai amar escutar o conteúdo na íntegra. O podcast Finalmente Residente lança um episódio novo quinzenalmente, às quartas-feiras, sempre com um convidado de uma residência diferente pra tirar todas as suas dúvidas e curiosidades sobre as especialidades, as instituições e essa fase da formação como um todo. Além do Finalmente Residente, também temos o podcast Projeto R1 SP, em que entrevistamos alguém que tenha entrado na residência há pouco tempo pra compartilhar todos os segredos por trás da aprovação.

Você pode ouvir nosso conteúdo na sua plataforma de streaming favorita ou na página destinada ao podcast no nosso site.

Curtiu? Então solta o play aí no Episódio #2 do Finalmente Residente!

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JoanaRezende

Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.