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Podcast Projeto R1 SP – episódio #3: como encontrar motivação pra estudar pra residência médica

“A trajetória não precisa ser perfeita pra dar certo”. Essa frase é do Rafael Franco, o convidado do episódio #3 do podcast Projeto R1 SP, com título “Como perseverar na dificuldade”. Se você está em casa, sem motivação pra estudar pra residência médica, essa conversa foi feita sob encomenda pra você. 

O Rafael é cofundador do @papodeclinica e R5 de Oncologia no Instituto do Câncer, que faz parte do complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Olhando só pra linha de chegada, a gente nem imagina pelo que a pessoa passou no caminho até ali. Às vezes, parece até que foi fácil, que foi sorte. Mas a história do Rafael prova que, na verdade, a trajetória rumo à residência pode ser muito tortuosa, com desesperança e dificuldade em vários momentos — o que não torna a aprovação algo impossível. 

Aqui neste artigo, você vai encontrar um resumão do episódio e, claro, um convite pra escutá-lo também! Bora encontrar motivação pra estudar pra residência junto com o Rafael!

Como se preparar para as provas: erros e acertos

Formado em Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Rafael tinha um grande objetivo: fazer residência médica na USP. Olha só o que ele contou:

“O que marcou minha formação enquanto estudante de Medicina era o sonho de passar na USP. Era um sonho muito vivo pra mim e eu desenhei minha graduação no sentido de conseguir essa aprovação, que naquele momento era uma coisa meio impossível até”.

Pois a meta era forte mesmo. A ansiedade pra prova da USP era tanta que ele começou seus estudos de preparação no quarto ano da faculdade, fazendo cursinho! Incomum, não? Até o próprio Rafael hoje diz que não sabe se foi a melhor estratégia de fato e reconhece que cometeu muitos erros nesse processo por insegurança e medo

No quarto ano, ele baseou seus estudos na leitura de apostilas. Não media seus resultados nem fazia muitos exercícios, então o conhecimento adquirido acabou sendo complementar às aulas da faculdade. Já no internato, quando sentiu que as provas estavam chegando, o foco foi se preparar de fato:

“A proximidade com as provas me fez atentar para essa necessidade de que eu preciso entender a prova pra passar por ela”. 

Tá aí algo que a gente repete aqui na Medway há tempos! Outra coisa que falamos muito e que o Rafael começou a fazer no quinto ano é o estudo por questões, mas mesmo assim ele não abandonava as apostilas. Sua qualidade de vida até caiu e ele se alimentava mal, tamanha era a corrida contra a pilha de conteúdo teórico e a sensação de estar ficando pra trás. Será que valeu a pena? Hoje, o Rafael reflete sobre o estudo por apostilas:

“Não sei se isso faz muito sentido, acho que esse não é o caminho de fato. Quanto disso ficou na minha cabeça? Não fica. A parte mais importante, pra mim, era a parte das questões”. 

Já no sexto ano, Rafael começou a fazer provas antigas. De modo geral, o que apontava que ele estava no caminho certo eram os bons resultados em simulados. Agora, uma coisa que não funcionava para o perfil do Rafael eram as aulas presenciais super longas que ele tinha no cursinho aos fins de semana, praticamente das 8h às 20h. Ter 12 horas de aula era a fórmula para a distração. E aí, como é pra você?

O peso do sonho na motivação pra estudar pra residência 

Como deu pra perceber, o Rafael não trouxe um relato de uma preparação perfeita. Na verdade, ainda apareceram outros obstáculos na vida dele que ainda vou te contar. Portanto, não espere uma história brilhante neste episódio, muito pelo contrário. E não espere também que você precise ter uma preparação ou uma motivação pra estudar pra residência médica que sejam sem defeitos. Sobre isso, nosso convidado passa a dica:

Você não precisa acertar 100% pra dar certo. As pessoas pensam que pra passar na USP, pra passar nos grandes centros, têm que ser perfeitas, tem que ter uma trajetória perfeita. E não é. As pessoas que passam, em geral, tiveram trajetórias muito falhas, com muitos percalços. As pessoas pensam que o cara passou na USP, é um gênio, que nada. Quem passa é gente como a gente”.

Ok, dificuldades todo mundo tem e os aprovados na USP não são os iluminados na Terra. Mas em meio a tantos desafios, como se destacar? O Rafael responde:

O cara que passa é o cara que é esforçado e que tem aquilo como um sonho. O que não pode é entrar em desespero no meio do caminho. Se você não acreditar que você vai passar, ninguém vai acreditar por você”. 

Pegou esse papo reto?

Um susto na vida de Rafael 

Até aqui deu pra perceber que o Rafa, mesmo tendo feito uma ou outra escolha errada nos estudos, era muito esforçado e focado – características que já contam muito pra um candidato a R1. Mas a vida reservava uma grande reviravolta pra ele. 

Na metade de 2015, quando ele estava prestes a se formar na graduação, sua mãe decidiu fazer uma cirurgia plástica. Era uma abdominoplastia. Rafael foi contra, acreditando que não era necessário e que o investimento seria muito alto, mas sua mãe estava decidida e fez mesmo assim. 

Acontece que no segundo dia após a operação, a mãe de Rafael começou a passar muito mal. Ela sentia falta de ar para atividades simples e até sua fala saía entrecortada. Quando Rafael soube que sua mãe não estava bem, saiu correndo do estágio para o hospital em que ela estava internada, onde descobriu que ela não estava recebendo a assistência devida enquanto sua saturação marcava 82%

“Eu cheguei, fiquei um tempo com ela e nada do médico do plantão aparecer. Fiquei muito angustiado e ela já estava meio sonolenta por causa do desconforto. Aí eu chamei a enfermeira e disse: ‘pode trazer o carrinho que eu vou intubar ela aqui enquanto o médico não vem’”. 

É isso mesmo que você entendeu: o Rafael, antes mesmo de se formar em Medicina, intubou a própria mãe. A tomografia de urgência mostrou que ela estava com SARA e até hoje não se sabe a etiologia. Foram necessários 14 dias de UTI em que o Rafael não conseguiu estudar nada e de fato sentiu medo de perder a mãe.

Depois de sair da UTI, ela ainda precisou de 2 a 3 meses para se recuperar. Felizmente, não teve nenhuma sequela. No entanto, em todo esse período, o Rafael não encostou em nenhum livro. Além da sua situação emocional, os estudos foram prejudicados. 

A retomada dos estudos e as provas

No fim de agosto, já formado e com a mãe recuperada, Rafael conseguiu retomar a motivação pra estudar pra residência médica. Fez plantões, juntou dinheiro e em outubro alugou um apartamento em São Paulo com colegas para poder fazer as provas da primeira fase das residências. 

Seu desempenho começou bem: acertou 83% da prova no Einstein. Mas na Unifesp e na Unicamp ele teve rendimento pouco abaixo de 70% e começou a se desesperar. Até se sentiu um pouco injustiçado por outros colegas estarem indo bem nas provas. Ninguém quer mostrar o lado da vaidade ferida, né? Mas o Rafael se abriu com a gente:

“Uma coisa que muito me incomodava, e eu sei que isso é um erro, era ver colegas que eu julgava que tinham estudado menos do que eu tirando notas melhores. Aquilo me fez ficar na bad. Mas o que me consolava naquele momento é que nenhuma daquelas provas era a da USP”. 

Pois bem, chegou então a temida prova da USP. Era toda discursiva, provocando aquela mistura de medo e esperança. Rafael começou a fazer e perceber que estava indo bem, estava acertando. E, nessa hora, ele tomou uma das piores decisões possíveis: escreveu a prova toda em rascunho para depois passar a limpo as respostas. Adivinha o que aconteceu? Se você pensou “não deu tempo”, acertou em cheio. O tempo acabou e Rafael entregou a prova com 10% das respostas em branco. 

Foi um novo choque na sua história. Um soco no estômago que doeu. Ele chegou a ligar pra mãe e dizer que tinha dado tudo errado, praticamente desistiu do sonho. Quando os resultados das primeiras fases começaram a sair, ele percebeu que tinha passado em algumas das suas opções e se surpreendeu quando viu que também havia sido selecionado pra segunda fase da USP. A motivação voltou com tudo. Ele mandou bem na prova prática e, enfim, conquistou sua vaga tão desejada na residência em Clínica Médica na USP.

Como resgatar a motivação pra estudar pra residência médica 

Deu pra sentir a emoção que foi a preparação do Rafael, cheia de altos e baixos. Se liga no que ele falou a respeito disso:

“[Foi uma] uma trajetória cheia de falhas, muitos momentos sem estudar, muitos momentos estudando de maneira pouco produtiva. No dia da prova ela foi tomada antes da hora. E ainda deu certo. E tem cara que está em casa estudando no ar condicionado e, porque está com a apostila atrasada, ele acha que não vai dar certo”. 

Nosso convidado reconhece que o preparo pra residência é um caminho muito solitário, em que falta ajuda e orientação. Mas ressalta que o importante é não deixar o sonho morrer e se esforçar por ele. 

Com a pandemia de covid-19, muitas pessoas estão sofrendo dramas parecidos com o que ele sofreu com sua mãe na UTI, ou até piores, com a perda de entes queridos. Para essas pessoas, Rafael recomenda que não se culpem por não conseguirem estudar tanto quanto gostariam. 

Enquanto isso, outro grupo de pessoas está sofrendo mais subjetivamente, com o medo e a angústia trazidos pela pandemia. Nesse caso, Rafael dá a dica de que os candidatos à residência aproveitem ainda mais o momento pra estudar. Também chama atenção para habilidades que precisam ser desenvolvidas fora da faculdade, como saber outro idioma ou dominar relações interpessoais, algo que pode ser mais viável nesse momento. 

E aí, qual vai ser a sua história?

Deu pra sentir uma pontinha de esperança com a história do Rafael? Então continue escrevendo a sua! Quem sabe ela não aparece no podcast Projeto R1 SP como inspiração para outras pessoas? A cada 15 dias, um novo episódio é liberado, sempre às quartas-feiras. Em semanas alternadas, publicamos também episódios do podcast Finalmente Residente, em que detalhamos a vivência dentro de diferentes especialidades e instituições. Acompanhe!

Pra escutar o bate-papo completo do Rafael Franco com o Mica e com o Alê, é só apertar o play aqui embaixo! Te garanto: vai ser uma ótima motivação pra estudar pra residência!

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MicaelHamra

Micael Hamra

Nascido em 1991, médico desde 2015, formado pela Faculdade de Medicina de Catanduva (FAMECA) e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) finalizada em 2018. "Nunca quis seguir o fluxo. Sempre acreditei que existe uma fórmula do sucesso para cada um de nós. Se puder conquistar sua mente, poderá conquistar o mundo."