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Prova Prática: 5 Detalhes Que Só Você Não Sabe (Parte 1)

Antes de mais nada, gostaria de te dar um aviso: se você quiser ter um excelente desempenho na prova prática, leia esse artigo até o final! 😉

Já era dezembro. O clima mais quente e o aumento da temperatura evidenciavam a chegada do verão. A família e os amigos planejavam as festividades de fim de ano, porém meu foco era outro.

Em um grande salão, cerca de 500 pessoas tentavam controlar o nervosismo do momento. A primeira etapa já havia passado e só restavam 10% dos candidatos.

5 questões me separavam do meu objetivo. Seriam cinquenta minutos (10 por questão) e o estudo de dois anos estava em jogo.

Consegue sentir a tensão…?

Medo da Prova Prática

Por incrível que pareça, estava calmo. 

Caso tenha dúvidas de como é realizar uma prova prática, esse texto foi feito para você. Então, fique atento pois nas próximas linhas tentarei te explicar o que esperar ao longo dessa etapa e o que precisará fazer para obter sucesso.

Ao lado de alguns amigos que concorriam a outras especialidades, aguardava o chamado. E, para minha surpresa, não demorou. Meu nome era um dos cinco presentes na primeira lista de candidatos convocados para iniciar a prova prática.

Para quem não sabe como funciona, a prova prática é composta por um determinado número de estações (geralmente cinco – uma para cada especialidade).

Cada candidato realiza uma estação até que soe um alarme anunciando o término do tempo pré-determinado (5-10 minutos a depender da instituição).

Minha hora de fazer a prova prática havia chegado.

Estação 1 – Pediatria: 

Ao adentrar a sala, deparei-me com 2 examinadores, uma mesa com um computador e fones de ouvido.

Além disso, também havia uma folha com o tempo sugerido para realização de cada tarefa e o caso clínico.

Observação 1: Tenha em mente que a minoria das provas adota esse modelo. Portanto, você deverá ser capaz de manejar o próprio tempo ao longo da estação.

O caso clínico em questão tratava-se de uma criança de 3 anos com uma história muito sugestiva de laringotraqueobronquite viral aguda. O exame físico estava descrito conforme abaixo: 

GERAL: Corado, hidratado, anictérico, acianóticoSinais Vitais: FC = 92, FR = 50, SatO2 = 90% em ar ambiente, PA = 85 x 62 (adequada para a idade), Tax = 36,3 C

Oroscopia: Hiperemia discreta de faringe. Ausência de placas purulentas.
Exame pulmonar disponível em vídeo no computador.

O restante do exame físico não apresenta alterações significativas.

Após terminar a leitura, solicitei a primeira tarefa ao examinador que me entregou a “folha” abaixo:

Utilize o computador e o fone de ouvido para assistir ao vídeo/audio referentes ao caso.Descreva a alteração da ausculta pulmonar presente no vídeo.

Após terminar, solicite a tarefa seguinte.

A Prova Prática está parecendo fácil, não?

Ao colocar os fones de ouvido, foi claro para mim o ruído (no caso, um estridor). Porém, também auscultei sibilos.

E, naquele momento, não soube o que colocar como resposta. Essa foi minha deixa para complicar uma questão relativamente fácil.

A partir da ausculta de sibilos, esqueci totalmente do estridor e comecei a questionar minha hipótese diagnóstica. Passei a não atentar para o que estava óbvio.

Imaginava se o diagnóstico não seria de asma exacerbada ou bronquiolite viral aguda a despeito do caso clínico e do próprio estridor presente na ausculta.

A verdade é que, apesar de calmo no início, o nervosismo começou a tomar conta de mim à medida que minha dúvida aumentava e os minutos passavam. Nessa hora, deixei de prestar atenção em detalhes importantes da questão e escrevi a resposta errada.

Resposta: Sibilos expiratórios

Que vacilo

Como você pode imaginar, uma vez dado o diagnóstico errado – acabei decidindo em minha cabeça que o diagnóstico era de asma exacerbada -, provavelmente as próximas tarefas também seriam respondidas de forma inadequada.

E foi o que aconteceu.

Tarefa 2: Realize a prescrição do paciente 

Realizei uma prescrição voltada para crise asmática.

Tarefa 3: Indique a hipótese diagnóstica e o agente etiológico

 Nesse momento, ficou claro (para mim) que errei a questão. Solicitei ao examinador que pudesse corrigir as tarefas 1 e 2.

Ele disse que não era possível. Meu coração acelerou. O desespero bateu. Tive vontade de desistir e só sair dali.

Desespero na Prova Prática
Silêncio na sala…

Depois de um breve momento de reflexão, respirei fundo. Ergui minha cabeça e pensei:

“ Ainda faltam 4 questões. Se, por algum milagre, eu conseguir pontuar muito bem nas questões restantes, talvez ainda tenha uma chance.”

Resolvi arriscar. Não tinha nada a perder. E, apesar de totalmente incoerente com as respostas descritas nas tarefas 1 e 2, mudei de abordagem:

Tarefa 3

Hipótese Diagnóstica: Laringotraqueobronquite viral aguda

Agente etiológico: Vírus Parainfluenza

Por fim, a tarefa 4 descrevia uma piora clínica da criança mesmo após tratamento adequado e solicitava qual seria a melhor conduta.

Escrevi a resposta e segui para a próxima estação. Não havia tempo para lamentações…

Não desista nunca

Medway: O Seu Guia à Residência Médica

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Sei que você está ansioso pelas próximas estações, porém, antes de prosseguir, não poderia deixar de aproveitar o meu exemplo para ratificar três detalhes importantíssimos:

Detalhe 01:

Mantenha-se concentrado ao longo de todo tempo durante a realização de uma estação e aja como se estivesse realizando uma prova teórica.  

Eu não tenho dúvidas de que se estivesse diante de uma prova objetiva – ou mesmo discursiva – teria realizado toda questão em menos de 5 minutos (e teria acertado).

Entretanto, é hábito nosso valorizar muito a prova prática e imaginar que “pegadinhas” podem estar ocultas em cada caso clínico.

E é aí que mora o perigo.

Como vocês puderam ler, esses deslizes são fatais durante uma prova de residência em que cada décimo pode fazer a diferença, seja a favor de você ou de seu concorrente.

Detalhe 02:

Em uma prova com 5 estações, cada uma vale 2,0 pontos. Como durante a correção o examinador segue um “Checklist”, mesmo errando as tarefas iniciais (como foi o meu caso), você ainda pode pontuar se acertar as tarefas seguintes. 

Pode parecer contraditório, mas é dessa forma que é realizada a avaliação. Não sabia no momento em que fiz a prova, porém, após ter acesso à chave de correção, vi que alcancei 0,7 de 2,0 pontos possíveis.

Detalhe 03:

Em uma estação, é possível que você não tenha que realizar nenhuma atividade prática.

Por mais que seja incoerente, essa é uma realidade na prova prática. Portanto, caso se veja diante de uma questão meramente interpretativa, fique tranquilo!

Dito isso, vamos para a próxima!

Estação 2 – Clínica Médica: 

  • 2 examinadores
  • 1 ator deitado em uma maca 
  • Uma mesa com o caso clínico 
  • Uma folha com os tempos sugeridos para a realização de duas tarefas

Este foi o cenário que visualizei ao entrar na sala. Obviamente, estava mais tenso. Naquele momento, pensava que havia “zerado” a estação anterior. Se quisesse me manter na disputa por uma vaga seria necessário gabaritar as questões restantes.

O caso clínico descrevia um paciente idoso (cerca de 70 anos), previamente hipertenso em uso de Hidroclorotiazida e Enalapril, que dormiu por volta das 22h e acordou às 05h com quadro de hemiparesia proporcionada à esquerda e paralisia facial à esquerda. Negava outras sintomatologias.

O exame físico descrevia um paciente com sinais vitais estáveis, com exceção da pressão arterial (180 x 120mmHg), e as alterações do exame neurológico citadas acima.

Tarefa 1:

Ao pedir a primeira tarefa, recebi uma folha que solicitava a realização de duas partes do exame físico neurológico: avaliação de força muscular e do VII par craniano.

Posicionei-me ao lado do “paciente” e segui o protocolo que treinei exaustivamente nos dias anteriores à prova (apresentação, higiene das mãos, explicação sobre a realização do exame físico e seu objetivo).

Iniciei pelo exame de força muscular. Solicitei ao paciente que elevasse os membros superiores; o paciente só conseguiu elevar o MSD.

Prossegui pedindo que apertasse minhas mãos; o paciente só conseguiu realizar o movimento com a mão direita. Solicitei, então, que o paciente realizasse a manobra dos braços estendidos – só conseguiu elevar o MSD – seguido da extensão dos membros inferiores – não conseguiu movimentar o membro inferior esquerdo.

Por fim, passei para o exame do VII par solicitando que o paciente franzisse a testa, fechasse os olhos e desse um sorriso; ficou evidente a paralisia facial à esquerda.

Concluído o exame, solicitei a segunda tarefa.

Tarefa 2:

Cenário 2: O paciente foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva dentro de 30 minutos da chegada ao Hospital e permanece com o mesmo exame clínico de entrada.Realizou alguns exames laboratoriais conforme consta abaixo.

Os exames apresentados pelo examinador não evidenciavam alterações significativas (hemograma, glicemia, função renal, função hepática, eletrólitos).

A tomografia de crânio estava “normal” (não mostrava sinais de sangramento). Logo, a hipótese diagnóstica era de um acidente vascular cerebral isquêmico.

Ao terminar a interpretação dos exames, foi-me entregue a segunda tarefa.

Tarefa 2: Realize a prescrição medicamentosa do paciente

Nesse momento, o diferencial da questão era notar que, por se tratar de um paciente que acordou com o déficit neurológico – último momento em que foi visto sem déficits foi às 22h – a trombólise estava contraindicada (> 4:30h de déficit neurológico).

Logo, na prescrição deveria constar:

  1. Jejum
  2. Ácido acetilsalicílico
  3. Estatina
  4. Heparina não fracionada profilática

Itens como sintomáticos ou medicações anti-hipertensivas SOS (ex: Nitroprussiato de sódio se PA > 220 x 120mmhg), apesar de corretos, não constavam no checklist. Portanto, caso fosse realizada a prescrição destes itens, o candidato não receberia nenhuma pontuação adicional. 

Finalizada a estação, recuperei a confiança e senti que ainda existia uma chance.

Se levantando após o fracasso na Prova Prática

Mais uma vez, antes de prosseguir, gostaria de comentar sobre dois detalhes que julgo serem fundamentais para realização de qualquer prova prática:

Detalhe 04:

Nas estações da prova prática, a realização de um procedimento em si (ex: Intubação orotraqueal, acesso venoso profundo, drenagem torácica, paracentese, etc) é menos frequente.

Geralmente, a maior parte dos itens presentes em um checklist consiste na interpretação correta de um caso clínico seguido de anamnese adequada para a questão (ex: caso clínico evidenciando um paciente com diarreia que solicita a complementação da história clínica —> Duração, consistência das fezes, presença de muco ou sangue, presença de sintomas associados, etc).

Ou até mesmo a solicitação ao candidato para realização de alguma parte do exame físico.

Confira o checklist desta estação:

Exame neurológico Sim Não
1) Solicitou realização de movimento de extensão ou flexão de MIE X
2) Solicitar realização de movimento de extensão ou flexão de MID X
3) Solicitar realização de movimento de extensão de MSE X
4) Solicitar realização de movimento de extensão ou flexão de MSD X
5) Pedir ao paciente para franzir a testa ou elevar a sobrancelha X
6) Pedir ao paciente para fechar os olhos X
7) Pedir ao paciente para “dar um sorriso” ou mostrar os dentes X

Detalhe 05:

Checklist serve como um guia para que o examinador marque as suas respostas durante a realização da estação. Entretanto, não é necessário que você descreva as tarefas “exatamente” como consta no checklist.

Para exemplificar, no decorrer da estação solicitei ao “ator” que “esticasse” (extensão) e “dobrasse” (flexão) os braços e pernas. Ao realizar a avaliação, o examinador compreendeu as minhas orientações como sinônimos da chave de correção e consegui gabaritar a questão.

Estação 3 – Preventiva

  • 2 examinadores
  • 1 ator sentado em uma cadeira
  • Uma mesa com o caso clínico 
  • Uma folha com os tempos sugeridos para a realização de três tarefas

O caso clínico tratava-se de uma adolescente que havia retornado de uma viagem aos EUA há 10 dias e que passou a apresentar sintomas compatíveis com coqueluche. O médico que realizou o atendimento na UBS confirmou o diagnóstico através de um exame de PCR para coqueluche (acredite se quiser) e a paciente já estava em tratamento.

Ficou curioso para saber quais são as três tarefas?

Lembre-se que você pode se deparar com estações repetidas em qualquer prova práticaque fizer neste final de ano.

A segunda parte desse post já está no ar e disponível aqui.

Mas, mais importante… como prometi no início do texto, deixo de presente pra você que chegou até aqui o nosso Ebook: Os Segredos por trás da Prova Prática!

Nele trazemos dicas e macetes essenciais para você ter um excelente desempenho nessa etapa do processo seletivo, assim como 2 checklists completos de duas estações muito frequentes: uma ambulatorial e outra de emergência, para que você saiba os diferentes tipos de abordagem na 2º fase!

#PS01: Se gostou do post, não esquece de deixar o seu comentário aqui embaixo! 😉

#PS02: Se quiser entrar a fundo em preparação para a prova prática, aproveita pra conferir como foi o CRMedway (nosso curso online de provas práticas) em 2018! Foram + de 500 alunos e inúmeras aprovações nas instituições mais concorridas do país!

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JoãoVitor

João Vitor

28 anos e capixaba. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.

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