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Ressonância magnética do abdome: anatomia radiológica

Fala, galera! Beleza? Neste texto, vamos falar sobre a ressonância magnética do abdome. E aí, tá preparado para descobrir tudo a respeito do tema e se tornar um craque no assunto? Então, vamos lá!

Você já deve ter percebido que, na ressonância magnética, são realizadas diversas sequências, sendo que cada uma delas tem uma série de objetivos (avaliar se a estrutura tem conteúdo líquido, se é sangue, se tem gordura, se é sólido…). 

É bem complexo, eu sei! Envolve física do eletromagnetismo, spins, moléculas de hidrogênio e um monte de outras coisas bem fora do dia a dia do médico. 

Mas a boa notícia é que, para o médico não radiologista, boa parte dessa discussão não vai ser estritamente necessária. Com uma boa noção de anatomia e das patologias abdominais, é possível extrair muita informação valiosa.

Como nosso objetivo é revisar anatomia, elegi uma sequência básica, que é a sequência T2, para facilitar nosso estudo. 

Só relembrando, na sequência T2 todo líquido apresenta sinal alto (hipersinal), ficando branco / brilhante! Beleza? Então bora!

Ressonância magnética do abdome: fígado

O fígado é o maior órgão abdominal e ocupa o quadrante superior direito do abdome. Na sequência T2 da ressonância magnética, ele tem uma cor cinza chumbo com sinal bem semelhante à musculatura da parede abdominal. 

Quando infiltrado por gordura, fica com sinal mais alto e quando infiltrado por ferro, fica com sinal mais baixo, bem preto.

Anatomicamente, observamos um lobo esquerdo, um lobo direito e o lobo caudado anteriormente à veia cava inferior. O plano que divide os lobos direito e esquerdo passa pela veia hepática média e a fossa da vesícula biliar.

Corte axial de ressonância magnética ao nível do fígado. (Ressonância magnética do abdome)
Corte axial de ressonância magnética ao nível do fígado. Fonte: Hamidi, H. Normal upper abdominal MRI. Case study, Radiopaedia.org. (accessed on 17 Feb 2022) https://doi.org/10.53347/rID-55136

É possível identificar a vesícula biliar entre os lobos direito e esquerdo do fígado nos cortes mais inferiores. A vesícula é uma estrutura piriforme com alto sinal em T2 (branca) já que está repleta de bile, que é líquida.

Corte axial de RM ao nível da vesícula biliar.
Corte axial de ressonância magnética ao nível da vesícula biliar. Fonte: Hamidi, H. Normal upper abdominal MRI. Case study, Radiopaedia.org. (accessed on 17 Feb 2022) https://doi.org/10.53347/rID-55136

Os vasos sanguíneos aparecem pretos na sequência T2 já que, apesar de o sangue ser líquido, ele está em movimento, determinando uma perda de sinal. No fígado, podemos identificar as três veias hepáticas confluindo na veia cava inferior nos cortes superiores e a veia porta se bifurcando em ramos direito e esquerdo.

Corte axial de ressonância magnética ao nível das veias hepáticas (VHD = veia hepática direita; VHM = veia hepática média; VHE = veia hepática esquerda).  - Ressonância magnética do abdome
Corte axial de ressonância magnética ao nível das veias hepáticas (VHD = veia hepática direita; VHM = veia hepática média; VHE = veia hepática esquerda). Fonte: Hamidi, H. Normal upper abdominal MRI. Case study, Radiopaedia.org. (accessed on 17 Feb 2022) https://doi.org/10.53347/rID-55136
Corte axial de RM ao nível do hilo hepático.
Corte axial de ressonância magnética ao nível do hilo hepático. Fonte: Hamidi, H. Normal upper abdominal MRI. Case study, Radiopaedia.org. (accessed on 17 Feb 2022) https://doi.org/10.53347/rID-55136

Baço

O baço é um órgão de função hematológica que localiza-se no hipocôndrio esquerdo, junto ao fundo gástrico, medindo até cerca de 13 cm em seu eixo longitudinal. 

Ele é identificado na RM em cortes axiais, como uma estrutura em forma de cunha logo abaixo da cúpula diafragmática esquerda, que apresenta sinal próximo ou um pouco mais alto que o do fígado.

Corte axial de ressonância magnética ao nível do baço. (ressonância magnética do abdome)
Corte axial de ressonância magnética ao nível do baço. Fonte: Hamidi, H. Normal upper abdominal MRI. Case study, Radiopaedia.org. (accessed on 17 Feb 2022) https://doi.org/10.53347/rID-55136

Ressonância magnética do abdome: pâncreas

O pâncreas é um órgão retroperitoneal, com um formato meio parecido com uma salsicha, que se localiza superficialmente aos grandes vasos retroperitoneais (aorta e veia cava inferior) e apresenta íntimo contato com a veia esplênica e a junção esplenomesentérica que estão em contato com sua face posterior. 

Na sequência T2 da ressonância magnética, o pâncreas tem aspecto microlobulado (padrão acinar do seu parênquima), com sinal bastante semelhante ao do fígado (varia com o grau de lipossubstituição, idade, diabetes melito, etc).

Corte axial de RM ao nível do pâncreas.
Corte axial de ressonância magnética ao nível do pâncreas. Fonte: Hamidi, H. Normal upper abdominal MRI. Case study, Radiopaedia.org. (accessed on 17 Feb 2022) https://doi.org/10.53347/rID-55136

Adrenais

As adrenais possuem um formato de “Y” de cabeça para baixo na ressonância magnética e localizam-se acima dos rins, geralmente bem próximas às cruras diafragmáticas. São bem fininhas e podem ser difíceis de localizar em pacientes magros, com pouca gordura abdominal.

Corte axial de RM ao nível das adrenais.
Corte axial de ressonância magnética ao nível das adrenais. Fonte: Hamidi, H. Normal upper abdominal MRI. Case study, Radiopaedia.org. (accessed on 17 Feb 2022) https://doi.org/10.53347/rID-55136

Ressonância magnética do abdome: rins

Os rins também são órgãos retroperitoneais e ficam localizados na região nos flancos. O direito costuma ter uma posição um pouco mais baixa devido à presença do lobo direito do fígado. 

Na ressonância magnética é possível observar a diferenciação corticomedular, já que o córtex renal tem um sinal um pouco mais baixo que a medular (portanto, o córtex é um pouco mais escuro).

Quando há dilatação do sistema coletor (hidronefrose), observamos a pelve renal dilatada, distendida por líquido (urina), que aparece branca e brilhante na sequência T2. Quando normal, a pelve renal fica colabada ou minimamente distendida por líquido.

Corte axial de RM ao nível dos rins.
Corte axial de ressonância magnética ao nível dos rins. Fonte: Hamidi, H. Normal upper abdominal MRI. Case study, Radiopaedia.org. (accessed on 17 Feb 2022) https://doi.org/10.53347/rID-55136

Bexiga urinária

Para finalizar, nosso tour pelos órgãos abdominais na ressonância magnética, ficou faltando a bexiga!

A bexiga é um órgão pélvico que armazena a urina, por isso, será observada como uma bolsa de líquido na ressonância magnética (e lembre-se, o líquido é branco). Sua paredes são bem finas e regulares, não excedendo 3 mm.

Corte axial de ressonância magnética ao nível da bexiga urinária.
Corte axial de ressonância magnética ao nível da bexiga urinária. Fonte: Hamidi, H. Normal upper abdominal MRI. Case study, Radiopaedia.org. (accessed on 17 Feb 2022) https://doi.org/10.53347/rID-55136

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LuisaLeitão

Luisa Leitão

Mineira, millennial e radiologista fanática. Formou-se em Radiologia pelo HCFMUSP na turma 2017-2020 e realizou fellow em Radiologia Torácica e Abdominal em 2020-2021 no mesmo instituto, além de ter sido preceptora da residência de Radiologia por 1 ano e meio. Apaixonada por pão de queijo, café e ensinar radiologia.