A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou, em 17 de março de 2026, uma atualização importante das diretrizes sobre prevenção e tratamento da deficiência de ferro e da anemia ferropriva em lactentes.
O documento traz mudanças relevantes na suplementação profilática, especialmente para crianças nascidas a termo, com impacto direto na prática pediátrica e também na preparação para provas de residência médica.
A anemia ferropriva segue como um dos principais problemas nutricionais na infância, com impacto no crescimento, desenvolvimento neurocognitivo e desempenho futuro das crianças. No Brasil, a condição ainda apresenta alta prevalência, especialmente entre 6 e 24 meses de idade.
A principal atualização das diretrizes está na estratégia de suplementação profilática para lactentes nascidos a termo e com peso adequado.
Antes baseada na presença de fatores de risco ou não, a recomendação agora passa a ser de dose fixa diária para essa população específica, com esquema intermitente:
Essa mudança acompanha a atualização do Programa Nacional de Suplementação de Ferro e considera fatores como maior adesão ao tratamento e integração com as consultas de puericultura.
Na prática, o resumo é direto:
Para recém-nascidos prematuros ou com baixo peso ao nascer, não houve mudança nas recomendações.
Nesses casos, a suplementação continua sendo baseada no peso e de forma contínua:
Esse grupo apresenta maior risco de deficiência de ferro devido à menor reserva ao nascimento e maior demanda metabólica .
Resumo prático:
Nos casos em que a anemia ferropriva já está instalada, a recomendação segue baseada no uso de ferro oral:
O acompanhamento é essencial. A diretriz orienta reavaliação com hemograma entre 30 e 45 dias após o início do tratamento, esperando aumento de pelo menos 1 g/dL na hemoglobina.
A ausência de resposta deve levantar hipóteses como:
A diretriz reforça que a prevenção da deficiência de ferro deve começar ainda na gestação e seguir nos primeiros anos de vida, período de maior vulnerabilidade.
Entre as principais medidas estão:
Essas medidas são fundamentais para reduzir o impacto da deficiência de ferro no desenvolvimento infantil.
A SBP também destaca que não é necessária investigação laboratorial de rotina em lactentes saudáveis, com crescimento e alimentação adequados.
Por outro lado, a investigação deve ser considerada em crianças com fatores de risco, como:
Nesses casos, os exames recomendados incluem hemograma, ferritina e proteína C reativa.
A mudança na suplementação para lactentes a termo simplifica a prática clínica e tende a melhorar a adesão, além de alinhar o Brasil às estratégias mais recentes de saúde pública.
Do ponto de vista prático, e também de prova, o destaque é claro:
A atualização reforça o papel do pediatra na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado da anemia ferropriva, uma condição comum, mas potencialmente evitável, com impacto direto no desenvolvimento infantil a curto e longo prazo.
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Professora da Medway. Formada pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), com Residência em Pediatria pelo Hospital do Tatuapé e pós-graduação pelo Hospital Albert Einstein (HIAE) - docência e preceptoria médica. Siga no Instagram: @dri.medway