SUS incorpora exame para rastreamento do câncer colorretal

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Conteúdo atualizado em: 22/05/2026

O Ministério da Saúde anunciou a incorporação do Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como novo exame de referência para rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). O protocolo será direcionado a homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos e deve começar a ser implementado a partir do segundo semestre de 2026.

A medida busca ampliar o diagnóstico precoce do câncer de intestino, aumentar o acesso ao rastreamento populacional e otimizar o encaminhamento para colonoscopia apenas nos casos com indicação clínica.

Novo protocolo amplia rastreamento do câncer colorretal

Segundo o Ministério da Saúde, mais de 40 milhões de brasileiros poderão ser contemplados pela nova estratégia de rastreamento. O anúncio foi realizado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda oficial em Lyon, na França, em meio à campanha Maio Roxo.

O câncer colorretal é atualmente o segundo tipo de câncer mais incidente no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam 53,8 mil novos casos anuais no país no triênio entre 2026 e 2028.

A proposta do novo protocolo é identificar precocemente alterações intestinais antes do aparecimento de sintomas, reduzindo diagnósticos em estágios avançados da doença.

Como funciona o Teste Imunoquímico Fecal (FIT)

O FIT é um exame de fezes utilizado para detectar pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu, que podem estar associadas à presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer colorretal.

O método utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano nas fezes, aumentando a precisão diagnóstica em comparação aos testes antigos de sangue oculto.

De acordo com o Ministério da Saúde, o exame apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para detecção de alterações relacionadas ao câncer colorretal.

A coleta pode ser realizada em casa com um kit fornecido ao paciente, utilizando apenas uma amostra fecal para análise laboratorial.

Exame dispensa preparo intestinal e dieta restritiva

Entre as principais características apontadas pelo governo estão a praticidade e a menor complexidade operacional do FIT.

O exame não exige preparo intestinal, não requer restrições alimentares prévias e dispensa equipamentos automatizados complexos para sua execução. Além disso, o método é considerado menos invasivo e apresenta maior adesão da população quando comparado à colonoscopia.

Segundo o protocolo, pacientes com resultado positivo no FIT serão encaminhados para investigação complementar, principalmente por meio da colonoscopia, considerada o padrão-ouro para avaliação do intestino.

O procedimento permite visualizar diretamente o cólon e o reto, além de possibilitar a retirada de pólipos durante o exame.

Diretriz recebeu parecer favorável da Conitec

A nova diretriz foi elaborada por especialistas e recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) em março deste ano.

O anúncio também integra as ações do programa Agora Tem Especialistas, estratégia do governo federal voltada à ampliação da prevenção, diagnóstico e tratamento oncológico no SUS.

Entre as medidas recentes anunciadas pelo Ministério da Saúde estão investimentos em medicamentos oncológicos de alto custo, ampliação de procedimentos de radioterapia e financiamento de cirurgias robóticas oncológicas na rede pública.

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Arthur Arabi

Arthur Arabi

Professor da Medway. Formado em Medicina pela Universidade de Brasília (UnB), com residência em Cirurgia Geral e subespecialização em Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).