O acesso venoso central (CVC) é a inserção de um cateter em veias de grande calibre (jugular interna, subclávia ou femoral) com a ponta posicionada na veia cava superior ou no átrio direito. É realizado por punção percutânea com técnica asséptica, preferencialmente guiada por ultrassom. Indicado em pacientes críticos, permite infusão de drogas vasoativas, nutrição parenteral e monitorização hemodinâmica com maior segurança.
Os três principais sítios que são “buscados” neste procedimento incluem:
Existem, claro, outros vasos venosos profundos e calibrosos, porém, por segurança, facilidade de acesso e técnicas consagradas, esses 3 são os clássicos. O passo a passo de cada punção é revisado em outro texto, pessoal!
Há, ainda, o PICC (Peripherally Inserted Central Catheter), que, como o nome já diz, é um acesso central, mas em que se punciona uma veia periférica calibrosa, como na fossa antecubital e se direciona um cateter de bom comprimento, até que ele ocupe uma posição “central”. Embora diminua a incidência das punções de grandes artérias e o risco de pneumotórax, não é uma técnica isenta de riscos e os principais incluem trombose e infecção do sítio puncionado.
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Agora, voltando ao assunto, temos as seguintes divisões:
Nesse caso, obteremos o acesso venoso central simplesmente porque se configura uma completa incapacidade de “pegar uma veia” periférica.
Como exemplos, podemos citar cenários nos quais os pacientes estão muito edemaciados, ou muito desidratados (choque hipovolêmico) e com pele mais endurecida. Assim, num contexto em que a equipe tenta puncionar diversos sítios periféricos, inclusive na veia jugular externa, que NÃO é um acesso venoso central, e não obtém sucesso, “passar o central” pode ser a única forma de garantir um acesso venoso.
Existem medicamentos e compostos que, pelo alto risco de flebite, ou necrose em caso de extravasamento, devem ser feitos em vaso venoso de grande calibre. É o caso de:
Uma última mensagem, que aproveito para deixar aqui, sendo uma política de “boa convivência médica” e que merece relativização, é: caso necessário, comece a Nora no periférico e prepare, com tranquilidade, para obter o acesso central, ainda no seu plantão, especialmente se você está no começo da sua jornada naquele dia/noite.
Apesar da infusão em vaso periférico calibroso ser inicialmente segura, deixar essa “função” para o próximo plantonista caso você consiga realizar a punção e estando previsto tempo de infusão prolongado da droga, não é uma conduta bacana, tanto por “delegar” sua função a outro colega, mas principalmente porque isso aumenta a chance dessa medicação ser infundida por bem mais tempo que o ideal em veia periférica, aumentando o risco de complicações.
Óbvio que se o plantão for a “materialização do caos na Terra”, se a indicação do cateter ocorreu muito no fim ou próximo disso, esse conselho pode ser revisto. Em suma, não devemos “nos atropelar” para pegar o acesso às pressas, quando a indicação for pela noradrenalina, mas também não podemos “terceirizar essa tarefa” de modo rotineiro, fechado?
Acesso venoso central para procedimentos e terapias com finalidades, demandas de fluxo e padrões de segurança bastante particulares. Isso inclui:
Podemos realizar avaliação de saturação venosa central, em acesso de duplo-lúmen, por exemplo.
Pessoal, essa decisão é muito particular e deve ser individualizada, incluindo alguns aspectos:
Pneumotórax: se o paciente é extremamente magro, está sob ventilação mecânica, exercendo pressão positiva sobre pulmão e, por isso, com maior risco de pneumotórax, também devemos repensar qual o melhor sítio, sendo a jugular interna mais segura do que a subclávia, por exemplo.
Vale lembrar que o uso recente da Ultrassonografia como guia da punção desses vasos venosos de grande calibre “veio para ficar”, com redução substancial (há trabalhos que falam em até 70%!) das complicações relacionadas ao procedimento. Não tem jeito, se você tem esse recurso no seu serviço, é obrigação se capacitar para utilizá-lo!
Primeira mensagem: em geral, não existe contraindicação absoluta ao procedimento, embora algumas condições possam te motivar a trocar o sítio de punção.
Claro, se o paciente tem uma invasão tumoral de átrio direito ou uma deformidade anatômica grave de veias cavas, a discussão com especialistas pode viabilizar outras alternativas, mas não falaremos nesses cenários extremos, combinado?
Segunda mensagem: as contraindicações devem ser pesadas, considerando risco x benefício. As principais incluem:
Mas como já dito, não há contraindicação absoluta. E como são vários os sítios possíveis, basta individualizar e achar o que oferece melhor relação risco x benefício, fechado?
Se você quiser revisar a abordagem completa de pacientes graves, vale a pena conferir a apostila de sepse e choque séptico, ela complementa bem as indicações de acesso central na prática.
É isso, pessoal! Esperamos que tudo tenha ficado claro e que você tenha compreendido o conteúdo!
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Referências
HEFFNER A.C. et al. Overview of central venous access in adults. Uptodate. Última Atualização: 10 de Maio de 2021.
Mineiro de Uberlândia, nascido em 1995, formado pela Universidade Federal de Uberlândia. Residência em Clínica Médica no Hospital de Clínicas da USP de Ribeirão Preto.