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Entendendo a osteomielite e suas causas

Considerada por muitos uma infecção difícil de diagnosticar e difícil de tratar, a osteomielite pega muita gente! Mas não precisa ser assim. Hoje vamos entender como ocorre essa infecção, as vias pelas quais as bactérias chegam no osso e os principais germes envolvidos. Entender a doença é sempre o primeiro passo para diagnosticá-la e tratá-la. Então bora lá!

Primeiro, como o microrganismo vai parar no osso?

A verdade é que não é fácil ocorrer uma infecção no tecido ósseo. Ele é altamente resistente à invasão por bactérias. Osteomielite não é para quem quer, é para quem pode.

Existem basicamente dois mecanismos de infecção:

Disseminação hematogênica

Ocorre no contexto de uma bacteremia e é a forma mais comum em crianças. No adulto, está relacionada a alguns fatores de risco típicos e acomete frequentemente as vértebras, levando a um quadro conhecido por espondilodiscite. Os fatores de risco são:

  • Endocardite
  • Dispositivos intravasculares permanentes
  • Próteses ortopédicas
  • Hemodiálise
  • Uso de drogas injetáveis
  • Anemia falciforme

Disseminação não hematogênica

Pode ser dividida em:

  • Por contiguidade: infecção de partes moles que se “espalha” para o osso. É o que ocorre em pacientes com lesões por pressão, úlceras venosas crônicas ou pé diabético que infectam e acabam desenvolvendo osteomielite.
  • Inoculação direta no osso:
  1. Pós trauma: seja com perfuração da pele ou não
  2. Após fratura exposta: tem altíssimo risco para desenvolvimento de osteomielite, a ponto de ser prescrita profilaxia
  3. Pós-cirúrgica:

Agentes envolvidos na osteomielite

É tipicamente monomicrobiana. O germe mais comumente implicado é o Staphylococcus aureus. Nos usuários de drogas endovenosas, aparecem bactérias como Pseudomonas aeruginosa e Serratia marcencens. Em imunossuprimidos, pode ocorrer ainda infecção por Aspergillus, um fungo!

Outros agentes que se disseminam pelo sangue até o osso, cuja infecção é mais rara, são Candida spp, Bartonella henselae, Coccidioides immitis e Cutibacterium acnes.

Nos casos de osteomielite não hematogênica, podemos encontrar flora polimicrobiana ou monomicrobiana. As bactérias mais comumente relacionadas são:

  • Staphylococcus aureus
  • Staphylococcus coagulase negativo
  • Streptococcus spp.
  • Enterococcus spp.
  • Corynebacterium spp.
  • Anaeróbios

Além disso, pode ocorrer infecção por fungos (como os citados anteriormente) e osteomielite por tuberculose – tipicamente vertebral (uma espondilite vertebral), o chamado mal de Pott.

Já os casos relacionados à infecção cirúrgica podem ter flora relacionada à colonização de cada serviço, com maior chance de ocorrência de germes multidroga resistentes. Por fim, não podemos esquecer da clássica associação entre anemia falciforme e osteomielite por Salmonella!

Classificação da osteomielite de acordo com a forma de apresentação

Além de poder ser dividida em hematogênica ou não hematogênica, a osteomielite pode ser aguda ou crônica e o quadro clínico pode variar um pouco:

Aguda: a instalação é rápida, de alguns dias a poucas semanas. É comum encontrarmos dor, edema e calor articular, associado a sinais sistêmicos. O paciente tem febre e calafrios.

Crônica: a infecção ocorre ao longo de meses a anos! Também se manifesta com dor, edema e calor articular, associado a drenagem de líquido sinovial pela articulação (pela formação de uma fístula). No entanto, a febre não costuma estar presente.

Formas especiais

Espondilodiscite: é a osteomielite vertebral. Porém, pela localização, digamos, delicada, é considerada uma entidade à parte. Na realidade, pode ocorrer a espondilite (infecção do osso da vértebra) isoladamente ou associada à infecção do disco vertebral (as discites). Pode ocorrer por disseminação hematogênica ou não e a dor é o sinal cardinal. Mas, pela proximidade com a medula espinhal, pode se manifestar com fraqueza muscular, alterações de sensibilidade, alterações esfincterianas e até paralisia!

Osteomielite esternoclavicular: é comum em usuários de drogas endovenosas e entra no diferencial de dor torácica.

Abscesso de Brodie: ocorre em ossos longos, formando-se uma região de necrose encapsulada por tecido de granulação dentro da borda do osso esclerótico. É típica de jovens e mais frequente nos casos de disseminação hematogênica.

Osteomielite enfisematosa: casos raros e graves de osteomielite caracterizada pela presença de gás intraósseo. As bactérias mais comumente implicadas são as enterobactérias e o Fusobacterium necrophorum.

Agora que você já entende como ocorre um quadro de osteomielite, fica muito mais fácil entender como diagnosticar e tratar! Além disso, deu pra ver que o quadro clínico pode ser meio inespecífico e frusto, então é bom ficar sempre esperto com essa hipótese.

Bom pessoal, é isso! Revisamos um pouquinho da Osteomielite no artigo de hoje. Ficou com alguma dúvida acerca do assunto? Deixe um comentário aqui embaixo, será um prazer respondê-lo.

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Referências bibliográficas

  1. Lalani T, Schimitt SK. Nonvertebral osteomyelitis in adults: Clinical manifestations and diagnosis. Uptodate; 2021
  2. Grupo e Subcomissões de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital das Clínicas – FMUSP. Tratamento de infecções. In: Guia de utilização de anti-infecciosos e recomendações à assistência à saúde. 7ª ed. São Paulo; 2018-2020. p. 71.
  3. Schimitt SK. Osteomyelitis associated with open fractures in adults. Uptodate; apr 2021.

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IsabelaCarvalhinho Carlos de Souza

Isabela Carvalhinho Carlos de Souza

Capixaba de Vitória, nascida em 1995. Formada pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericória (EMESCAM) de Vitória em 2018. Formada em Clínica Médica pelo HC FMUSP de São Paulo.