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Influenza A e influenza B: quais as semelhanças e diferenças que você deve saber?

E aí galera, tudo beleza? Vamos falar aqui um pouco sobre as semelhanças e diferenças mais importantes entre os tipos de influenza, principalmente dos subtipos A e B. Ao final dessa leitura, vocês estarão preparados para reconhecer essas características na prática clínica e poderão analisar melhor os quadros clínicos e condutas a serem tomadas nos casos suspeitos de influenza A ou B.

Para saberem sobre diferenças ou semelhanças entre os subtipos do vírus é preciso primeiro que vocês saibam o que ou quem realmente é o vírus influenza, certo? Então, vamos lá.

Entendendo a história do vírus Influenza

O vírus influenza é um RNA-vírus pertencente à família Ortomixiviridae, que historicamente, há cerca de 400 anos, vem causando epidemias recorrentes com intervalos de 1 a 3 anos entre elas.

E mesmo com um quadro clínico respiratório inespecífico as epidemias causadas por influenza tem um caráter explosivo considerável, sendo a maior e mais conhecida delas a epidemia da “gripe espanhola” que aconteceu entre 1918 e 1919 com o registro de 21 milhões de mortes. Já perceberam que epidemiologicamente é um vírus bem importante, não é mesmo?

O agente causal da famosa e tão comum gripe, ou seja, o próprio vírus influenza foi identificado  e isolado pela primeira vez em 1933, sendo chamado influenza A, com o passar dos anos e persistindo as pesquisas sobre esse vírus foram identificados, posteriormente, mais dois subtipos: o vírus influenza B em 1939 e o influenza C em 1950. Os três subtipos de influenza apresentam diferenças genéticas, diferentes perfis de hospedeiros e diferentes comportamentos epidemiológicos. E é por aí que vamos guiar o restante deste texto, ok? 

O que temos que saber sobre influenza A?

O vírus influenza A é o mais prevalente entre os subtipos existentes, causa infecção em diferentes espécies de vertebrados, ou seja, pode acometer além dos humanos, os suínos, as aves, os cavalos e até mamíferos marinhos, sendo esses reservatórios do vírus. Outra questão importante sobre influenza A é sua maior capacidade em gerar epidemias e até pandemias, sendo esse subtipo o grande responsável pela maioria das epidemias de gripe conhecidas até hoje, como a de gripe espanhola, a gripe asiática e a gripe de Hong Kong. 

E talvez o tópico mais importante sobre esse subtipo do vírus, seja o fato dele apresentar algumas variantes já catalogadas, decorrente do seu grande poder de mudança antigênica, sendo as mais adaptadas ao homem e que mais circularam nos últimos anos, duas delas: H1N1 e H3N2

E sobre o vírus influenza B?

Como já falamos antes, esse subtipo de influenza foi isolado em 1939, um pouco depois do influenza A. O vírus influenza B não é conhecido por ter muitas variantes, mas sabemos que ele está representado por duas linhagens principais: a Victoria e a Yamagata, sendo que essa classificação não traz muitas diferenças para a prática diária. As principais diferenças em relação ao influenza A são: que o subtipo influenza B não afeta os animais, não apresenta mudanças antigênicas importantes a cada ano e tem um poder menor de causar epidemias, não sendo capaz de gerar pandemias

O que temos de comum entre influenza A e B?

Basicamente os vírus influenza A e B causam um quadro clínico muito semelhante, tem a mesma maneira de transmissão e de fechar o diagnóstico e também o mesmo tratamento, além da mesma forma de prevenção. Ou seja, a diferenciação dos subtipos é bem importante no que diz respeito a epidemiologia e para o planejamento em saúde pública, visto que o tipo A tem maior potencial de gerar epidemias e pandemias, sendo o diagnóstico específico por subtipo viral importante para tomada de decisões da gestão em saúde. Mas na prática clínica, essa diferença genética entre esses dois subtipos virais de influenza não parecem ter tanta importância assim, pois o manejo da infecção por ambos é praticamente o mesmo. 

Vamos pela tabela abaixo abordar um pouco sobre tópicos importantes no manejo da síndrome gripal

Influenza A e/ou influenza B
Quadro clínicoSíndrome gripal: febre e tosse e/ou cefaléia, mialgia, dor de garganta, prostração, rinorréia (é importante a existência da febre, do sintoma respiratório e do comprometimento do estado geral, para diferenciar do resfriado comum que é um quadro mais leve)
TransmissãoContato de pessoa a pessoa, por meio das gotículas ao falar, espirrar e tossir, por contato com as gotículas suspensas no ar ou mesmo pelo contato com objetos e superfícies contaminadas através das mãos que levam as partículas virais até a mucosa oral, nasal ou ocular
DiagnósticoQuadro clínico típico + epidemiologia (sazonalidade, circulação do vírus no local) + testagem com RT PCR
EvoluçãoA maior parte dos casos evolui para cura espontaneamente em cerca de 7 dias (autolimitada). Porém, também pode se tornar um quadro grave e complicado como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) com queda da saturação de O2 e até insuficiência respiratória
TratamentoNa maior parte dos casos o tratamento se baseia na prescrição de sintomáticos, aumentar hidratação via oral, repouso relativo e orientação sobre os sinais de alarme ou agravamento do caso. Para os casos graves ou para os grupos de risco de complicações da influenza deve ser prescrito também o antiviral – Oseltamivir, mesmo que ainda não haja confirmação laboratorial do vírus, essa medicação deve ser iniciada, idealmente, até 48 horas do início do quadro clínico.
PrevençãoAfastamento laboral até 24h após último pico febril, isolamento domiciliar durante a transmissão, não compartilhar objetos de uso pessoal,  etiqueta respiratória (cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir), higiene rotineira das mãos, evitar aglomerações e ambientes fechados, limpeza de superfícies com álcool 70%, vacinação*, quimioprofilaxia** 

*Vacinação: realizada para todos os grupos de risco – crianças de 6 meses a 6 anos, gestantes, puérperas até 45 dias após o parto, profissionais de saúde, indígenas, idosos > 60 anos, portadores de comorbidades, professores, privados de liberdade e funcionários do sistema prisional. A vacinação é anual, sendo a composição da vacina de cada ano atualizada conforme surgimento de novas variantes. A vacina disponível atualmente no SUS é tríplice, conferindo proteção contra H1N1 e H3N2 (influenza A) e contra Influenza B (mais especificamente a linhagem Victoria. 

**Quimioprofilaxia: está indicada quando houve contato há menos de 48 horas com caso suspeito ou confirmado de influenza e para receber a quimioprofilaxia a pessoa tem que ser do grupo de risco e não ser vacinado ou ter sido vacinado há menos de 2 semanas. 

Como estão os números de Influenza A e B no Brasil?

É importante entender que com os primeiros casos da Covid-19 no Brasil, que iniciaram em março de 2020, a circulação do vírus influenza diminuiu bastante, tendo os registros de casos suspeitos de influenza reduzidos a quase zero com o decorrer da pandemia. A infecção por coronavírus passou a ser o foco dos boletins epidemiológicos e das suspeitas clínicas em geral e vocês podem ler um pouco mais sobre essa interação da influenza com a Covid-19 neste outro texto do nosso blog.

Mas vale a pena rever os dados de 2019, de antes da Covid-19 chegar por aqui e trazer esse caos todo para os nossos dados epidemiológicos. Antes da pandemia, os números dos casos de síndrome gripal eram obtidos através da notificação realizada por unidades sentinelas. Segue abaixo as métricas do penúltimo boletim de 2019.

Em 2019, até a semana epidemiológica 49, ou seja, final de novembro, foram analisadas 17.581 amostras coletadas de casos suspeitos de síndrome gripal: 

  • 25,8% (4.540/17.581) positivas para vírus respiratório;
  • 52,1% (2.365/4.540) foram positivos para influenza e 47,9% para outros vírus respiratórios (Vírus Sincicial Respiratório, Parainfluenza e Adenovírus) e, 
  • dentre as amostras positivas para influenza, 44,0% foram decorrentes de influenza A (H1N1), 32,1% de influenza B, 4,3% de influenza A não subtipado e 19,7% de influenza A (H3N2)

Ainda mais importante que os dados de influenza causando síndrome gripal, são aqueles que mostram os índices relacionados a SRAG, pois mostram o quanto a infecção por influenza também pode ser um grave problema de saúde pública. Até a semana epidemiológica 49 de 2019 foram notificados 39.190 casos de SRAG: 

  • 81,8% com amostra processada e com resultados inseridos no sistema;
  • sendo destes 17,8% SRAG por influenza e 23,6% como outros vírus respiratórios e,
  • dentre os casos de influenza 59,5% eram influenza A (H1N1), 13,5% influenza A não subtipado, 12,1% influenza B e 14,9% influenza A (H3N2).

Os números do ano de 2019 acabam comprovando o que vimos anteriormente sobre as diferenças epidemiológicas e genéticas entre influenza A e B. E aí, deu para perceber a importância da infecção por influenza na saúde pública?

É isso!

Nosso objetivo aqui é que vocês possam compreender um pouco mais sobre o panorama da influenza no Brasil, por meio das principais semelhanças e diferenças entre as cepas de influenza A e influenza B e de como isso interfere epidemiologicamente nos casos do dia-a-dia. Apesar de clinicamente ambos os subtipos serem bem parecidos e não exigirem diferentes condutas no manejo clínico, é importante saber que essas diferenças existem e podem impactar na quantidade de casos no Brasil e no mundo.

Esperamos que esse texto seja útil para vocês. Agora que você já está dominando tudo sobre Influenza A e B, que tal dar uma conferida na Academia Medway? Nesse espaço você vai encontrar vários e-books para ajudar nos seus atendimentos e no seu estudo, como o nosso Guia de Prescrições para você ficar totalmente seguro na hora de prescrever as medicações no seu plantão com todas as medicações mais frequentemente utilizadas na palma da sua mão!

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Beleza, galera? Espero que esse post ajude a esclarecer suas dúvidas e dar uma visão completa sobre esse tema tão presente no nosso dia-a-dia!

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Ana PaulaFortes Teles

Ana Paula Fortes Teles

Mineira, nascida em Uberlândia em 1990. Formada pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) em 2016, com residência em Medicina de Família e Comunidade pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ), com conclusão em 2018. Ama a Saúde Pública e é apaixonada em cuidar do que a comunidade tem de melhor: as pessoas.