Olá pessoal, tudo bem? Hoje vamos falar de um tema muito importante: as lesões elementares na dermatologia. A semiologia dermatológica constitui o alicerce da prática clínica em dermatologia, pois é por meio da inspeção criteriosa e da palpação que se identificam as lesões elementares, unidades morfológicas fundamentais das dermatoses.
As lesões elementares podem ser agrupadas, didaticamente, em alterações de cor, elevações edematosas, formações sólidas, coleções líquidas, alterações da espessura e perdas ou reparações teciduais.
Essa classificação reflete não apenas a morfologia clínica, mas também, em muitos casos, o substrato fisiopatológico subjacente, que pode envolver mecanismos inflamatórios, vasculares, degenerativos, hiperplásicos ou infiltrativos.
As alterações de cor, também denominadas manchas ou máculas, correspondem a modificações circunscritas da coloração cutânea sem relevo ou infiltração palpável.
As manchas pigmentares podem ser acrômicas, quando há ausência de melanina; hipocrômicas, quando ocorre diminuição; ou hipercrômicas, quando há aumento de pigmento melânico.
Além da melanina, pigmentos endógenos como bilirrubina e hemosiderina, bem como pigmentos exógenos decorrentes de fármacos ou tatuagens, podem modificar a coloração cutânea.

As manchas vasculossanguíneas decorrem de alterações hemodinâmicas ou extravasamento sanguíneo.
O eritema é caracterizado por coloração avermelhada secundária à vasodilatação e desaparece à digitopressão ou vitropressão.
Pode apresentar variantes clínicas como exantema, quando disseminado e agudo, ou enantema, quando localizado em mucosas.
A púrpura, por sua vez, resulta do extravasamento de hemácias na derme e não desaparece à vitropressão. A evolução cromática da púrpura, do vermelho ao verde-amarelado, reflete a degradação progressiva da hemoglobina.

As lesões vasculares também podem ser permanentes, relacionadas à proliferação ou dilatação vascular.
Exemplos incluem angiomas e telangiectasias, que apresentam caráter persistente e podem ter relevo variável. Essas distinções são fundamentais na diferenciação entre processos funcionais transitórios e alterações estruturais definitivas.
Entre as elevações edematosas, destaca-se a urtica, lesão efêmera decorrente de edema dérmico circunscrito, geralmente pruriginosa e associada à liberação de mediadores vasoativos.
Sua característica transitória e o desaparecimento sem deixar sequelas auxiliam no reconhecimento clínico. Quando o edema compromete planos mais profundos, configurando tumefação do subcutâneo, utiliza-se o termo angioedema.
As formações sólidas resultam de processos inflamatórios ou proliferativos que acometem epiderme, derme e/ou hipoderme.
A pápula é lesão sólida, circunscrita, elevada, geralmente menor que 1 cm, podendo ser epidérmica, dérmica ou mista. Quando múltiplas pápulas confluem, formam placa, caracterizada por elevação em platô, frequentemente superior a 2 cm.
O nódulo, de maior dimensão e profundidade, pode ser perceptível apenas à palpação ou visível à inspeção, refletindo acometimento dérmico profundo ou hipodérmico. A nodosidade ou tumoração designa lesões sólidas maiores que 3 cm, não necessariamente neoplásicas.

O tubérculo, termo classicamente empregado para lesões que evoluem com cicatriz e frequentemente associadas a processos granulomatosos, é considerado por alguns autores em desuso, mas permanece descrito em contextos específicos.
A goma representa forma particular de nódulo com evolução dinâmica em fases de endurecimento, necrose central, fistulização e cicatrização.
A vegetação caracteriza-se por crescimento exofítico decorrente de papilomatose e pode assumir aspecto verrucoso ou condilomatoso.
As coleções líquidas incluem vesículas, bolhas, pústulas, abscessos e hematomas. A vesícula é elevação circunscrita de até 1 cm contendo líquido seroso, frequentemente associada a espongiose ou degeneração balonizante da epiderme.
A bolha, ou flictena, ultrapassa 1 cm e pode ser intraepidérmica ou subepidérmica, conforme o mecanismo fisiopatológico. A pústula contém material purulento e pode ser folicular ou interfolicular.
O abscesso representa coleção purulenta em planos mais profundos, com sinais flogísticos associados. O hematoma corresponde a acúmulo sanguíneo tecidual, podendo simular clinicamente grandes equimoses.

As alterações da espessura incluem queratose, liquenificação, infiltração, esclerose e atrofia. A queratose decorre do espessamento da camada córnea, conferindo aspecto áspero e endurecido.
A liquenificação resulta do espessamento epidérmico secundário ao prurido crônico, com acentuação dos sulcos cutâneos. A infiltração caracteriza-se por aumento da espessura e da consistência devido à presença de infiltrado celular dérmico.
A esclerose decorre de fibrose colagênica, tornando a pele endurecida e pouco pregueável. A atrofia corresponde à redução da espessura cutânea por diminuição de componentes teciduais.

Nós também temos as perdas e reparações teciduais que abrangem erosão, escoriação, ulceração, fissura, fístula, crosta, escara e cicatriz. A erosão limita-se à epiderme, enquanto a ulceração pode atingir derme profunda e estruturas subjacentes.
A fissura corresponde a solução de continuidade linear, frequentemente dolorosa. A crosta resulta do dessecamento de exsudatos sobre área de perda tecidual. A cicatriz representa o processo reparativo final, podendo assumir formas atróficas, hipertróficas ou queloidianas.
A compreensão integrada das lesões elementares permite ao clínico descrever com precisão o exame dermatológico, reconhecer padrões morfológicos associados e correlacioná-los com mecanismos fisiopatológicos específicos.
A prática sistemática da semiologia dermatológica permanece insubstituível na formação do raciocínio diagnóstico em dermatologia. Bons estudos!
AZULAY, Rubem David; AZULAY, David Rubem; AZULAY-ABULAFIA, Luna. Azulay Dermatologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022.
RIVITTI, Evandro A. Manual de dermatologia clínica de Sampaio e Rivitti. São Paulo: Artes Médicas, 2014. Recurso eletrônico. ISBN 978-85-367-0236-0.
Formada em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF-MG) é especialista em Dermatologia pela Unesp.