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Misoprostol no aborto: o uso e as vantagens e desvantagens

Fala galera! O papo de hoje é bastante polêmico, mas aqui não vamos nos ater a discussões políticas ou legais. Vamos falar sobre o uso do misoprostol no contexto do aborto.

Misoprostol no contexto do aborto
Quer saber tudo sobre abortamento e o misoprostol? Continue lendo!

Inicialmente, devemos elucidar alguns termos a serem utilizados neste artigo. Existe uma diferença entre os termos abortamento e aborto, vamos ver qual é? Para a OMS, abortamento é definido pela interrupção da gestação antes da 22ª semana, ou com o peso do concepto ou concebido inferior a 500 gramas, e o abortamento é também uma das principais complicações da primeira metade da gestação em caso de sangramento. Já o aborto é o produto eliminado neste processo.  

O abortamento pode ser seguro, quando praticado por médico qualificado, ou inseguro se realizado em outro ambiente que não o hospital, ou por terceiros, ou pela própria gestante. Aqui trataremos somente do primeiro tipo citado, o abortamento seguro. Ainda há outra classificação importante que devemos saber a respeito da completude do abortamento, que é a diferença entre os tipos de abortamento (incompleto, completo, retido e infectado) e suas características, que estão descritas na tabela a seguir:

TipoCaracterísticas
IncompletoForma clínica mais frequente. Se expulsa o concepto e permanece a placenta ou os restos placentários. O ovo é eliminado parcialmente. O sangramento é o sintoma maior – o estado geral da paciente depende do grau de hemorragia.
CompletoEliminação integral do ovo. Frequentemente não necessita de intervenção, apenas monitoramento da hemorragia.
RetidoConcepto que permanece na cavidade uterina sem vitalidade.
InfectadoQuase sempre resulta da tentativa de esvaziar o útero através de tentativas de abortamento inseguro. Quadro clínico de infecção, resolvido com antibioticoterapia e, em muitos casos, conduta cirúrgica.
Tipos de abortamento e suas características.

E o misoprostol? O que ele é e quando se aplica no aborto?

Agora que você já entendeu algumas nomenclaturas básicas sobre o abortamento, vamos saber mais sobre o misoprostol no contexto do aborto. O fármaco misoprostol é um análogo sintético da prostaglandina E1 que foi desenvolvido em 1973 para prevenção de úlcera gástrica. No útero, o misoprostol induz o amolecimento cervical, a dilatação e contrações uterinas em todas as idades gestacionais, facilitando assim a evacuação uterina.

VantagensDesvantagens
Redução dos riscos de sequelas inerentes à dilatação do colo uterino.Efeitos colaterais até a expulsão do conteúdo do útero.
Eliminação do risco anestésico.Necessidade eventual de complementação cirúrgica.
Vantagens e desvantagens do misoprostol.

No caso de abortamentos retidos e incompletos, o misoprostol se apresenta como uma opção mais segura ao método cirúrgico. Nos EUA, existe outro medicamento chamado mifepristona que, quando associado ao misoprostol, se mostra uma forma mais efetiva de abortamento farmacológico seguro, com menos efeitos colaterais para a gestante. No entanto, este medicamento ainda não é disponibilizado no Brasil, sendo utilizado apenas misoprostol via vaginal, restrito ao uso hospitalar.

No primeiro trimestre, em casos de abortamento incompleto ou retido, a FEBRASGO recomenda duas a três doses de 4 comprimidos de 200ug, via vaginal, num intervalo de 3 a 12 horas, ou 800ug em dose única. É também utilizado previamente à curetagem uterina, no segundo trimestre, uma vez que já existe formação do esqueleto fetal. A dose preconizada é 200ug via vaginal a cada 4 a 6 horas ou 400ug via vaginal a cada três horas, com máximo de 5 doses.

Outra indicação é a preparação cervical para abortamento cirúrgico, onde a dose é única, 400ug em três horas antes do procedimento.

Em casos de abortamento infectado ou instabilidade hemodinâmica, não se realiza o uso de misoprostol, optando-se então pelo esvaziamento mecânico/cirúrgico.

Conclui-se, portanto, que o misoprostol se apresenta como um modo menos invasivo de realizar os abortamentos dentro do primeiro trimestre, bem como auxilia na curetagem posteriormente. Seu uso possui riscos, como o de rotura uterina, por exemplo, sendo necessário o acompanhamento até o fim do processo de abortamento, na iminência de evitar complicações.

É isso!

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*Colaborou: Emilli Lorrayne Bertão Vieira, UNISL.

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AnuarSaleh

Anuar Saleh

Nascido em 1993, em Maringá, se formou em Medicina pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e hoje é residente em Medicina de Emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein e também editor e professor do PSMedway.