OMS recomenda novos testes para ampliar diagnóstico e acelerar controle da tuberculose

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou novas diretrizes recomendando a adoção de ferramentas inovadoras para diagnóstico da tuberculose, com foco na ampliação do acesso e na detecção precoce da doença. 

A iniciativa foi anunciada no Dia Mundial da Tuberculose e integra esforços globais para acelerar o controle da doença.

Novas tecnologias para diagnóstico no ponto de cuidado

As diretrizes destacam o uso de testes que podem ser realizados próximos ao local de atendimento, conhecidos como point-of-care. Esses exames são portáteis, funcionam com bateria e podem fornecer resultados em menos de uma hora, permitindo início mais rápido do tratamento.

Segundo os documentos, esses testes são mais acessíveis, com custo inferior ao de muitos diagnósticos moleculares atualmente disponíveis, o que pode facilitar sua implementação em diferentes contextos de saúde.

Além disso, a OMS recomenda a ampliação do acesso a essas tecnologias como estratégia para identificar mais casos de tuberculose de forma oportuna.

Novas estratégias de coleta e processamento de amostras

Entre as inovações recomendadas estão os esfregaços de língua (swab de língua), que permitem testar adultos e adolescentes que não conseguem produzir escarro, ampliando o alcance do diagnóstico.

Outra estratégia é o agrupamento de amostras de escarro, que consiste na testagem conjunta de amostras de diferentes indivíduos. Essa abordagem pode reduzir custos e otimizar o uso de recursos laboratoriais, especialmente em contextos com limitações estruturais.

As diretrizes também incluem uma nova classe de testes moleculares próximos ao local de atendimento (NPOC-NAATs), recomendados para detecção inicial da tuberculose, inclusive em níveis periféricos do sistema de saúde.

Desafios atuais no diagnóstico da tuberculose

A OMS aponta que a adoção de ferramentas diagnósticas rápidas ainda enfrenta barreiras em diversos países, relacionadas principalmente ao custo elevado e à dependência de laboratórios centralizados para processamento das amostras.

Nesse contexto, a descentralização do diagnóstico é apresentada como estratégia para reduzir atrasos no início do tratamento e ampliar a cobertura dos testes.

Além disso, a organização destaca que a ampliação de soluções como testes de urina no local de atendimento e exames de baixa ou média complexidade pode ajudar a preencher lacunas no diagnóstico em diferentes níveis do sistema de saúde.

Impacto esperado e metas globais

De acordo com a OMS, a implementação dessas ferramentas pode contribuir para reduzir a transmissão da doença, ampliar o acesso ao diagnóstico e avançar nas metas globais de controle da tuberculose.

A tuberculose permanece como uma das doenças infecciosas mais letais do mundo, com mais de 3.300 mortes diárias e cerca de 29 mil novos casos por dia, apesar de ser evitável e curável.

A organização também alerta que, embora os avanços sejam relevantes, o enfrentamento da doença depende de investimento contínuo em pesquisa, inovação e fortalecimento dos sistemas de saúde.

Chamado global para implementação

A OMS reforça a necessidade de que os países ampliem o acesso às novas ferramentas diagnósticas e integrem essas tecnologias aos sistemas de saúde, com o objetivo de identificar e tratar os casos de tuberculose de forma mais rápida e eficiente.

A entidade também destaca a importância de proteger os serviços de combate à tuberculose diante de crises globais e restrições de financiamento, além de enfrentar fatores sociais e econômicos associados à doença.

Próximos passos para implementação das diretrizes

A OMS informou que as novas recomendações serão incorporadas a uma atualização das diretrizes consolidadas sobre tuberculose, prevista para publicação ainda este ano.

O material será acompanhado por um manual operacional com orientações sobre uso das tecnologias, tipos de amostras, estratégias diagnósticas e etapas para implementação nos sistemas de saúde.

Além disso, a organização prevê o desenvolvimento de ferramentas práticas para apoiar a adoção das novas tecnologias, incluindo materiais de planejamento, avaliação de prontidão, treinamento e monitoramento.

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Djon Machado

Djon Machado

Professor da Medway. Formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com Residência em Clínica Médica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Siga no Instagram: @djondamedway