Sarampo: sintomas, diagnóstico, causas, tratamento e vacinação

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Sarampo é uma doença viral, exantemática e altamente contagiosa, que segue sendo prioridade em saúde pública porque exige reconhecimento clínico rápido, isolamento respiratório imediato, notificação e prevenção.

Na prova, costuma aparecer como “febre + exantema” — e o que diferencia o aluno bem treinado é organizar o raciocínio por linha do tempo (incubação → pródromos → exantema), reconhecer sinais clássicos, e saber a conduta correta de vigilância e prevenção

O que é Sarampo e por que ele é tão contagioso?

O sarampo é causado pelo vírus do sarampo (Morbillivirus) e tem transmissão aérea por aerossóis, com alta capacidade de disseminação em ambientes fechados e serviços de saúde. Por isso, qualquer caso suspeito exige isolamento respiratório e comunicação rápida com a vigilância.

Período de transmissibilidade (para prova e prática): classicamente, do 6º dia antes ao 4º dia após o início do exantema.  

Quadro clínico típico

Incubação: em torno de 11-12 dias até sintomas iniciais.

Período prodrômico (fase catarral):

  • Febre alta
  • Tosse
  • Coriza
  • Conjuntivite

Enantema:

  • Manchas de Koplik: pequenas lesões esbranquiçadas na mucosa jugal que surgem cerca de 2–3 dias após início dos sintomas e antes do exantema (quando presentes, são muito sugestivas).

Exantema:

  • Maculopapular morbiliforme, com progressão craniocaudal (inicia em face/retroauricular e desce para tronco e membros), frequentemente com confluência.
  • Não confunda com varicela! No sarampo, a morfologia predominante é maculopapular; pode haver descamação fina na resolução.

Diagnóstico: quando suspeitar e qual é o protocolo laboratorial?

Suspeita clínica

Em geral, pense em sarampo diante de febre + exantema maculopapular + pelo menos um sintoma respiratório (tosse / coriza / conjuntivite), especialmente com histórico de:

  • não vacinação / esquema incompleto,
  • contato com caso suspeito/confirmado,
  • surto local ou viagem.

Diagnóstico laboratorial

  • Sorologia (ELISA): IgM e, quando necessário, avaliação de IgG / soroconversão.
  • RT-PCR em tempo real: realizado a partir de amostras respiratórias e urina, com utilidade também para genotipagem / epidemiologia.

Quando coletar (janela):

  • IgM: pode ser detectável desde os primeiros dias e até cerca de 4 semanas após o exantema.
  • Análise molecular: coletar até o 7º dia do exantema (preferencialmente nos 3 primeiros dias).

Tratamento: manejo de suporte e quando pensar em terapias específicas

O tratamento é predominantemente suporte clínico, com vigilância de complicações:

  • hidratação;
  • antitérmicos e analgesia;
  • controle de prurido quando presente;
  • avaliação e tratamento de infecção bacteriana secundária (otite média, pneumonia bacteriana, impetiginização etc.) quando houver sinais clínicos.

Vitamina A (tema muito cobrado)

O Ministério da Saúde a Sociedade Brasileira de Pediatria incluem vitamina A como parte do manejo em todas as crianças acometidas pelo sarampo, para redução da morbimortalidade e prevenção das complicações pela doença, nas dosagens indicadas a seguir:

  • < 6 meses: 50.000 UI/dia
  • 6–11 meses: 100.000 UI/dia
  • ≥ 12 meses: 200.000 UI/dia

Em todos os casos, a posologia é de 2 duas doses (1 dose no dia do diagnóstico e outra no dia seguinte).

Complicações e grupos de risco: o que mais cai?

As complicações mais lembradas (e cobradas) incluem:

  • otite média aguda;
  • pneumonia (viral ou com sobreinfecção bacteriana);
  • laringotraqueobronquite;
  • diarreia e desidratação;
  • encefalite (aguda) e, mais raramente, panencefalite esclerosante subaguda (tardia).

Grupos com maior risco de gravidade/complicações:

  • lactentes (especialmente < 12 meses),
  • imunocomprometidos,
  • adultos,
  • gestantes,
  • desnutrição / deficiência de vitamina A.

Prevenção: vacinação de rotina, resgate e profilaxia pós-exposição

Esquema vacinal (PNI – ponto obrigatório)

Segundo o Ministério da Saúde:

  • 1ª dose aos 12 meses (tríplice viral – SCR)
  • 2ª dose aos 15 meses (tetraviral: reforça SCR e inclui varicela)

Importante lembrar:

  • Dose zero (surtos): em situação epidemiológica específica, crianças de 6 a 11 meses podem receber dose antecipada (“D0”), que não substitui as doses de 12 e 15 meses.
  • 5 anos até 29 anos: 2 doses, com intervalo mínimo de 30 dias, se não vacinado ou esquema incompleto.
  • 30 a 59 anos: 1 dose, se sem comprovação vacinal.
  • Profissionais de saúde: manter 2 doses comprovadas, independentemente da idade.

Profilaxia pós-exposição (PEP)

Para contactantes suscetíveis:

Esse é um tema muito “cara de prova”: cenário de exposição domiciliar / creche / hospital e decisão rápida de PEP.

Como o Sarampo costuma cair nas provas de residência?

  1. Reconhecimento clínico: febre alta + tosse / coriza / conjuntivite + exantema crânio-caudal; às vezes Koplik.
  2. Diagnóstico laboratorial com janela: RT-PCR (swab naso/oro + urina) até o 7º dia do exantema e sorologia quando indicado
  3. Vacinação: 12 meses (tríplice) + 15 meses (tetraviral), D0 em surtos para 6-11 meses.
  4. PEP: vacina até 72h; imunoglobulina até 6 dias para situações selecionadas.
  5. Conduta imediata: isolamento por aerossóis + notificação + suporte e vigilância de complicações.
  6. Vitamina A: doses por idade, 2 dias.

Para fechar, vale reforçar: o sarampo é diagnóstico clínico-epidemiológico de ação imediata — suspeitou, agiu (isolamento por aerossóis, notificação, coleta adequada de exames, vitamina A em crianças), além de revisar esquema vacinal e medidas para contactantes. Esses são exatamente os pontos que mais rendem questão na prova e fazem diferença na prática!

Referências:

1) Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde: Sarampo. (https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/sarampo/guia-de-vigilancia-em-saude-_-sarampo.pdf/view)

2) Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Documento Científico: “Sarampo: cenário atual, reintrodução e a ‘Dose Zero’ na prática pediátrica brasileira”. (https://www.sbp.com.br/index.php?eID=cw_filedownload&file=1194)

3) Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Documento Científico: Atualização sobre Sarampo. (http://www.sopape.com.br/data/conteudo/arquivos/21170cGPA__Atualizacao_sobre_Sarampo.pdf

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Paola Romani Ferreira Suhet

Paola Romani Ferreira Suhet

Graduada em Medicina pela Universidade São Francisco (USF) em Bragança Paulista, SP. Completou a Residência Médica em Pediatria pelo Hospital Infantil Sabará em São Paulo, SP. Hoje realiza pós-doutorado em Alergia e Imunologia Pediátrica na University of South Florida e Johns Hopkins All Children’s Hospital em Saint Petersburg, FL, nos Estados Unidos.