Calendário vacinal na Pediatria

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O calendário vacinal é uma das ferramentas mais importantes da saúde pública e da prática médica, especialmente na pediatria.

No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) é referência mundial e define o calendário vacinal infantil, com esquemas bem estabelecidos para proteção desde o nascimento.

Se você é estudante ou médico, dominar o calendário vacinal de Pediatria é essencial para a prática clínica e para provas de residência.

Neste guia, você revisa o básico e entende os principais pontos atualizados.

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Então agora é a hora de formar de vez a base desse conhecimento, abaixo segue a “receita” do calendário vacinal.

Play no bê-á-bá do calendário vacinal

A base do calendário vacinal pni começa logo ao nascer.

Ao nascer:

  • Hepatite B
  • BCG

Essas vacinas são fundamentais para prevenir doenças graves desde os primeiros dias de vida.

Aos 2 meses, o calendário se expande rapidamente, com múltiplas vacinas combinadas — etapa essencial na formação da imunidade infantil.

Vacina Pentavalente

Essa é 1 picada para 5 vacinas: Hepatite B, Difteria, Tétano, Coqueluche (DTPw) e Haemophilus Infuenzae b (Hib). Essa vacina costuma ser reatogênica tendo como causa principal o componente pertussis (w = células inteiras) então, caso haja possibilidade, nos serviços privados esse componente pode ser substituído pelo acelular, diminuindo o sofrimento de bebê e mãezinha.

A recomendação é repetir a vacina pentavalente aos 2, 4 e 6 meses. Após isso, os reforços serão realizados apenas com o componente DTP nas idades de 15 meses e 4 anos.

Porém, se você optou por vacinar o bebê com a vacina de componente pertussis acelular, é interessante um reforço de Hib a partir dos 15 meses de vida.

Vacina Poliomielite

(Salk/VIP/inativada) – o bebê vai também receber essa vacina aos 2 meses e repetir aos 4 e 6 meses de idade, e depois, segundo recomendações do PNI os próximos reforços podem ser feitos com gotinha (VOP/Sabin/atenuada) aos 15 meses e 4 anos, porém a sociedade brasileira de pediatria e imunizações prefere que os reforços também sejam realizados com a versão inativada, VIP.

Vacina Rotavírus

Ufa, essa é gotinha. Enquanto no serviço público nossos bebezinhos recebem duas doses, aos 2 e 4 meses de idade, no particular seriam 3, mas esse detalhe não muda muita coisa. O importante mesmo é saber o prazo limite para aplicação da primeira e da última dose.

Primeira dose: 1m15d – 3m15d. Segunda dose: 3m15d – 7m29d.

Vacina Pneumocócica

Mais uma vacininha pra comemorar o segundo mêsversário. Além de receber essa dose, a segunda é realizada aos 4 meses de idade e, ainda, um reforço aos 12 meses. É uma das vacinas mais importantes para prevenção de pneumonia, meningite e sepse.

O PNI oferece a vacina 10 valente no seu calendário vacinal mas, caso seja possível dar um UP, a vacina 13 valente está disponível nos serviços particulares com uma dose a mais aos 6 meses de vida.

Vacina Meningocócica C

Passaram os dois meses e iniciaremos a rotina do terceiro mês com as vacinas para proteção contra as tão temidas meningites. A vacina Meningocócica C é aplicada pelo SUS aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 12 meses. Pros adolescentes agora temos a liberação da vacina Meningocócica ACWY.

Se os papais preferirem, na esfera privada, o esquema pode ser realizado desde o início com os componentes ACWY e além disso devem ser orientados sobre a possibilidade de receber a vacina meningocócica B.

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Vacina para Influenza

Tudo isso feito, bora pros seis meses de idade, nessa idade além de iniciar a alimentação, o neném pode receber a vacina Influenza. Ela é essencial para reduzir complicações respiratórias em crianças.

Na primeira vez que receber a vacina (desde que seja até os nove anos de idade) serão realizadas duas doses, com intervalo de 30 dias e, após, a dose será anual, em toda temporada de circulação do vírus. 

Essa vacina no serviço público possui três tipos de Influenza: A H1N1, A H3N2 e B da linhagem Victoria ou Yamagata, dependendo de qual circulou na última estação. Se você quiser ficar protegido contra as duas linhagens B, pode pagar pela vacina quadrivalente. 

Vacina da Febre Amarela

Aos nove meses o bebê já pode receber a primeira dose da vacina da Febre Amarela. A dose de reforço será administrada aos 4 anos e, caso a criança perca essas datas, após os 5 anos a recomendação é que a dose seja única.

Vacina para SCR e Varicela 

Aos 12 meses, junto com o bolinho de aniversário e o primeiro “Parabéns”, atualizamos o calendário vacinal com a recomendação das vacinas tríplice viral (SCR – Sarampo + Caxumba + Rubéola) e Varicela (e mais os reforços de Meningo e Pneumococo).  Essas vacinas são essenciais para controle de doenças exantemáticas.

A vacina SCR vai ser repetida aos 15 meses. Caso o local esteja passando por um surto de sarampo, essa vacina pode ser realizada aos 6 meses de vida, PORÉM, importante lembrar, doses realizadas em situação de surto, fora da programação orientada pelo calendário vacinal do PNI, NÃO devem ser contabilizadas no calendário vacinal. Ou seja, a programação de 2 vacinas após o primeiro ano de vida deve ser mantida.

A Varicela nessa primeira dose (12 meses de idade) deve ser feita em injeção separada da SCR. A vacina combinada SCR+V demonstrou maior frequência de febre que a administração em injeções separadas. Aos 15 meses de vida ela pode ser feita no serviço privado, na rede pública a segunda dose de Varicela vai esperar um pouco mais, e fica lá pros 4 aninhos.

Pausa pra um pulinho ali na geriatria

Apesar do foco pediátrico, o calendário vacinal também inclui outras fases da vida.

Um exemplo importante é a vacina contra herpes zoster para idosos. Isso reforça que vacinação é uma estratégia ao longo de toda a vida.

Vacina para Hepatite A

Voltando à programação inicial, aos 15 meses, quando a família passar lá na UBS fazer os reforços programados no calendário vacinal do baby vão descobrir mais uma vacina gratuita: Hepatite A.

Essa vacina é realizada em dose única pelo calendário nacional mas nas redes particulares pode ser realizado um reforço após 6 meses.

Vacina para HPV

Chegamos na adolescência e temos uma vacina que protege contra nada mais nada menos que câncer, além das verrugas chatas, claro. A vacina do HPV está disponível para todas as meninas dos 9-14 anos e meninos 11-14 anos, em duas doses com intervalo de 6 meses.

Se você perdeu o prazo não se preocupe, na rede particular ela pode ser feita até os 45 anos de idade, com 3 doses nesses casos.

Além do básico…

Agora, pra você arrasar nos domingos em família, sabe aquela tia que teve Dengue com sorologia confirmada? Ela pode receber uma vacina para evitar formas graves caso tenha uma segunda infecção. Essa vacina é realizada na rede privada, em esquema de 3 doses, avisa ela vai…

Sabendo (quase) tudo de vacinas agora, olhe com cuidado o calendário abaixo, faça um rascunho seu e saia checando as cadernetas dos priminhos.

Calendário vacinal: principais atualizações do PNI

Entre os pontos mais importantes do calendário atual:

  • Introdução de esquemas atualizados para COVID-19 infantil
  • Uso da meningocócica ACWY em fases específicas
  • Ajustes nos reforços de algumas vacinas
  • Estratégias específicas para grupos de risco

Além disso, o calendário reforça que vacinas em dia são a principal proteção contra doenças graves, especialmente nos primeiros anos de vida.

Curtiu saber mais sobre o calendário vacinal na pediatria?

Agora que já sabe as recomendações do calendário vacinal pelo PNI e algumas possibilidades nos serviços privados, é hora de vir conhecer mais com a gente. Aprofundar nesse mundo lindo das vacinas, dominar esse assunto, saber sua segurança, seus possíveis efeitos colaterais, contra-indicações, eficácia e importância como medida de saúde pública e individual. Vamos juntos? 

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Samantha Matos

Samantha Matos

Paranaense pé vermelho since 1992. Médica pela PUC-SP, Pediatra pelo Hospital Menino Jesus e Infectologista Infantil pela Santa Casa de SP. Fã número 1 da educação baseada em ciência e evidências.