Teste do Reflexo Vermelho/Teste do Olhinho: o que você precisa saber

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O recém-nascido passa por diversos protocolos e cuidados essenciais logo após o nascimento. Entre eles, estão testes de triagem neonatal, que têm como objetivo identificar precocemente doenças que podem impactar toda a vida da criança. Uma dessas triagens é o Teste do Reflexo Vermelho (TRV), também conhecido como Teste do Olhinho

Continue a leitura para entender o que é esse exame, quando deve ser realizado, quais condições são detectadas por ele, além de descobrir como esse tema cai nas provas de residência médica! 

O que é o Teste do Reflexo Vermelho/Teste do Olhinho? 

Trata-se de um exame simples, rápido, indolor e de baixo custo, cujo objetivo é detectar precocemente alterações oculares congênitas que possam bloquear a passagem da luz pelo olho (obstruindo o eixo visual). Quando isso não é identificado a tempo, pode comprometer o desenvolvimento normal da visão, levando até mesmo à deficiência visual grave.

Mas por que o reflexo é vermelho? A cor avermelhada que observamos na pupila durante o teste ocorre devido à luz do oftalmoscópio que atravessa os meios transparentes e é refletida pela vasculatura da retina e da coróide, além do epitélio pigmentário. 

Em condições normais, essa luz deve variar entre o vermelho, o amarelo ou o amarelo-alaranjado, dependendo da pigmentação da criança.

É fundamental compreender que o TRV é uma ferramenta de rastreamento e não substitui uma avaliação oftalmológica completa, que deve ser realizada em todas as crianças entre os 6 meses e um ano de vida.

Quando o teste do olhinho deve ser realizado?

A periodicidade do TRV é um dos pontos mais cobrados em avaliações e diretrizes clínicas.

  • Na Maternidade: O primeiro exame deve ser realizado preferencialmente nas primeiras 48 horas de vida ou antes da alta hospitalar.
  • Na Puericultura: O teste não é um evento único. Recomenda-se que ele seja repetido pelo menos três vezes ao ano durante os três primeiros anos de vida, lembrando que um teste normal não exclui a presença de catarata parcial ou de desenvolvimento ou mesmo de retinoblastoma em fase inicial.

Como realizar o TRV corretamente?

Para realização separe um oftalmoscópio direto, uma sala em penumbra (baixa iluminação) e um profissional treinado. Observação: não há necessidade da dilatação pupilar.

Passo a passo médico:

  1. Ambiente: A sala deve estar escura para facilitar a observação dos reflexos e permitir a dilatação natural das pupilas, já que não há necessidade de uso de colírios midriáticos para a triagem básica.
  2. Equipamento: O oftalmoscópio deve ser ajustado na lente neutra (número zero).
  3. Posicionamento: O examinador deve se posicionar a uma distância de 30 a 50 cm (algumas diretrizes sugerem até 1 metro) do paciente.
  4. Execução: O médico deve iluminar ambos os olhos simultaneamente, mantendo seus olhos na mesma altura dos olhos da criança, portanto, deve-se iluminar as pupilas observando o reflexo vermelho em cada uma delas através do orifício do equipamento. 
  5. Visualização: Trata-se de um fenômeno semelhante ao notado nas fotografias com flash, sendo a cor vermelha do reflexo ocorre devido à vasculatura da retina e coroide e do epitélio pigmentário. O reflexo deve ser vermelho, homogêneo e simétrico em ambos os olhos para ser considerado normal. 

Interpretação dos resultados: Normal, Ausente ou Duvidoso?

O resultado do TRV é classificado em três categorias principais:

  • Reflexo Presente (Normal): Observa-se um reflexo vermelho, brilhante e simétrico em ambos os olhos.
  • Reflexo Ausente: Ocorre quando há uma opacidade total que impede a passagem da luz. 
  • Reflexo Duvidoso ou Assimétrico: Diferença evidente de cor ou intensidade entre os dois olhos. Um reflexo mais brilhante ou mais claro em um olho estrábico é um exemplo comum de assimetria.

Conduta: Se o reflexo estiver ausente, reduzido ou duvidoso (em um ou ambos os olhos), a criança deve ser encaminhada para um oftalmologista para exame completo o mais precoce possível.

Condições detectadas pelo Teste do Olhinho 

O TRV é capaz de rastrear uma série de patologias graves, vamos relembrar:

  1. Catarata Congênita: É a principal causa de cegueira tratável na infância. Pode apresentar-se como um reflexo branco (leucocoria), manchas escuras ou assimetria.
  2. Retinoblastoma: O tumor intraocular maligno mais comum na infância. Manifesta-se frequentemente como um reflexo amarelado ou esbranquiçado.
  3. Glaucoma Congênito: Pode causar edema e perda de transparência da córnea, alterando o reflexo. Clinicamente, a criança pode apresentar a tríade clássica: epífora (lacrimejamento), fotofobia e blefaroespasmo, além do aumento do diâmetro corneano (buftalmia).
  4. Toxoplasmose Ocular: Inflamações no vítreo podem alterar sua transparência, bloqueando o reflexo.
  5. Erros Refrativos e Estrabismo: A anisometropia (diferença de grau entre os olhos) e o estrabismo causam assimetria no reflexo, sendo o olho estrábico muitas vezes mais brilhante.

E como o Teste do Olhinho cai nas provas de residência médica?

Se você está estudando para as provas de residência, já deve ter se deparado com questões desse assunto tanto na prova teórica quanto na prova prática. Então fique atento as dicas abaixo:

  • Periodicidade do teste — lembre da regra do “3 por 3”: Todos os nascidos devem ser submetidos ao TRV antes da alta da maternidade e pelo menos três vezes ao ano nos três primeiros anos de vida, nas consultas de puericultura. 
  • Principais causas de alteração no TRV: É fundamental saber reconhecer as condições mais associadas. E atenção especial à clássica tríade do glaucoma congênito: lacrimejamento, fotofobia e blefaroespasmo.
  •  Conduta diante de um teste alterado: Encaminhada para um oftalmologista para exame completo o mais precoce possível.

O Teste do Reflexo Vermelho é muito mais do que um procedimento de rotina; é uma oportunidade vital de intervenção precoce. Como vimos, sua execução não exige tecnologia complexa, mas sim rigor técnico e atenção aos detalhes por parte do pediatra e do médico generalista.

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Thays Yada (Pucca)

Thays Yada (Pucca)

Professora da Medway. Formada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Catanduva (FAMECA), com residência em Pediatria pela Escola Paulista de Medicina/Univerisdade Federal de São Paulo (EMP-UNIFESP). Siga no Instagram: @pucca.medway