Conteúdo atualizado em: 12/06/2026 – A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico não traumático em todo o mundo. Estima-se que cerca de 7% a 8% da população global apresentará essa condição ao longo da vida.
No cenário da emergência, o diagnóstico precoce é o fator determinante para evitar complicações graves, como a peritonite difusa e a sepse. Para o estudante de medicina e o médico, dominar o fluxograma de atendimento — do exame físico ao uso de escores e exames de imagem — é essencial para garantir a segurança do paciente e o sucesso nas provas de título e residência.
A apendicite aguda é desencadeada, fundamentalmente, pela obstrução da luz apendicular. Esta obstrução pode ser causada por fecalitos (mais comum em adultos), hiperplasia linfoide (comum em jovens), corpos estranhos ou neoplasias.
O processo inflamatório segue uma sequência previsível que dita o quadro clínico:
O diagnóstico da apendicite aguda permanece, em sua essência, clínico. A clássica Cronologia (dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita após 6 a 12 horas) está presente em cerca de 50% a 60% dos casos.
Nota Extra: Lembre-se do diagnóstico diferencial. Em mulheres jovens, sempre considere causas ginecológicas (cisto de ovário, DIP). Em praticantes de atividade física intensa, o hematoma da bainha do reto (Sinal de Fothergill) pode mimetizar uma massa na FID.
A aplicação de escores clínicos ajuda a estratificar o risco e decidir entre observação, imagem ou cirurgia imediata.
Ainda é o mais utilizado em provas de residência. Baseia-se em:
Interpretação:
Estudos recentes indicam que o escore RIPASA apresenta maior acurácia diagnóstica em populações específicas (como em países orientais e em grupos de maior miscigenação), por incluir parâmetros como idade, sexo e duração dos sintomas.
Ele tende a ser mais sensível que o Alvarado, reduzindo as taxas de apendicectomia negativa.
Embora o diagnóstico seja clínico, a imagem é fundamental em casos de dúvida ou para estadiar complicações.
As diretrizes da WSES 2020/2025 reforçam que a cirurgia permanece o tratamento definitivo de escolha para a apendicite aguda.
A via laparoscópica é preferível à via aberta em quase todos os cenários. Suas vantagens incluem:
O uso exclusivo de antibióticos (estratégia Antibiotics-First) tem sido debatido para casos de apendicite não complicada. Embora viável em centros selecionados, apresenta uma taxa de recorrência de até 40% em um ano. Portanto, a cirurgia continua sendo a recomendação primária para pacientes aptos.
Em casos de abscesso bloqueado (plastrão), a conduta inicial costuma ser conservadora:
O manejo da apendicite aguda exige equilíbrio entre a observação clínica e a intervenção. No pronto-socorro, o objetivo principal é diagnosticar e tratar precocemente. Em termos cirúrgicos a laparoscopia oferece a precisão necessária para o controle do foco inflamatório de forma menos invasiva. Seguir protocolos atualizados, como os da WSES, é a garantia de uma medicina baseada em evidências que salva vidas pautadas no que há de mais novo e recomendado.
DI SAVERIO, S. et al. Diagnosis and treatment of acute appendicitis: 2020 terminology, classification and management. World Journal of Emergency Surgery, [s. l.], v. 15, n. 27, 2020. DOI: https://doi.org/10.1186/s13017-020-00306-3.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA DIGESTIVA. Diretrizes para o Manejo da Apendicite Aguda. São Paulo: SBCD, 2025.
ALVARADO, A. A practical score for the early diagnosis of acute appendicitis. Annals of Emergency Medicine, [s. l.], v. 15, n. 5, p. 557-564, 1986.
YUNG, I. S. et al. Comparison of RIPASA and Alvarado scores in the diagnosis of acute appendicitis. Journal of Surgical Research, [s. l.], v. 260, p. 1-10, 2024.
Formado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp). Atualmente, residente em Cirurgia pela mesma instituição.