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Tratamentos para apendicite: você sabe quais são?

Mais um texto de cirurgia aqui no blog pessoal e se é de cirurgia, pode ter certeza que vamos advogar pelo tratamento cirúrgico de tudo hein. Inclusive dos tratamentos para apendicite! Brincadeiras a partes, vamos juntos nesse texto bem legal e didático.

Um dos tratamentos para apendicite mais praticados hoje é a remoção cirúrgica imediata do apêndice, associada à reposição hidroeletrolítica e aos antibióticos pré-operatórios (dose única na indução pré-anestésica que cubra aeróbicos e anaeróbicos), que reduz as infecções pós-operatórias da ferida e a formação de abscessos intra-abdominais. 

Quanto ao ato cirúrgico, pode ser realizado via laparoscópica ou laparotômica (aberta/convencional). Apesar de os estudos mostrarem diferenças pequenas entres elas, há algumas vantagens da laparoscopia em relação à via laparotômica e resumimos os principais pontos na tabela abaixo:

Apendicectomia laparoscópica em relação à técnica aberta para seguir os tratamentos de apendicite.

E só para vocês sentirem aquele cheiro de centro cirúrgico, para matarem a saudade de entrar em campo, colocamos várias imagens intraoperatórias e da técnica operatória para que vocês possam ouvir falar

Quanto às técnicas de incisão, podemos citar:

  • Davis-Rockey (incisão transversa no quadrante inferior direito);
  • Mc Arthur-Mc Burney (incisão oblíqua no ponto de Mc Burney já descrito aqui anteriormente);
  • Infraumbilical na linha média.

“Vamos operar sempre na urgência?”

Moçada, sempre e nunca são palavras difíceis na medicina!

Uma situação especial é o abscesso apendicular. Diante desse quadro, podemos considerar não operar de cara. A depender do tamanho do abscesso, há possibilidade de uma conduta “conservadora” num primeiro momento e, após o quadro agudo (cerca de 6 a 8 semanas), indicar a famosa apendicectomia de intervalo.

Fluxo de atendimento em casos de apendicite.

“Mas qual é o motivo da colonoscopia depois?”

Pessoal, nos pacientes com idade mais avançada (algumas referências colocam a partir de 40 anos), devemos descartar o risco de neoplasia colônica!

Discutimos bastante teoria até aqui. Faremos uma pausa para observar “de dentro” uma laparoscopia de apendicectomia.

Visualização e retração do apêndice.
Legenda: Visualização e retração do apêndice. Fonte: Sabiston, 20 ed.
Divisão do mesoapêndice.
Legenda: Divisão do mesoapêndice. Fonte: Sabiston, 20 ed.
Sutura da base do apêndice.
Legenda: Sutura da base do apêndice. Fonte: Sabiston, 20 ed.
Visualização após a apendicectomia.
Legenda: Visualização após a apendicectomia. Fonte: Sabiston, 20 ed.

Nos casos de apendicite complicada com abscesso em que se opta por apendicectomia laparoscópica, apesar de novas orientações de conduta indicarem não haver necessidade de se drenar ou deixar dreno intra-abdominal (após uma drenagem laparoscópica), a conduta ainda mais praticada é de drenar e deixar um dreno de 4 a 7 dias, podendo ser retirado após.

Quando a via é laparotômica (seja como escolha inicial ou depois da conversão), deixa-se a incisão aberta e reparada com fios de sutura de nylon para o fechamento primário retardado após três ou cinco dias. Na cirurgia laparoscópica, não há necessidade desse procedimento, podendo fechar primariamente no ato cirúrgico, pois o risco de infecção é pequeno. Entretanto, o que vemos na prática é: quase sempre o fechamento primário após a lavagem da cavidade e a limpeza da pele e de subcutâneo com soluções antissépticas. 

Hoje está crescendo a orientação por tratamento clínico exclusivo após colonoscopia. Entretanto, há de se saber que a taxa de recorrência de apendicite varia entre 15 e 25%, sempre podendo oferecer os riscos inerentes da doença já apresentados acima, além de toda sintomatologia. Sendo assim, a conduta cirúrgica imediata ou ambulatorial ainda é a mais aceita  (na vida e nas provas).


Tratamento não operatório da apendicite não perfurada

O que temos de evidências são:
Está associado a redução de leucocitose e melhora de sintomas;

Taxas de dor iguais ou inferiores ao manejo cirúrgico;

Menos dias perdidos nas atividades laborais em virtude da doença;

Cerca de 90% dos pacientes conseguem postergar a apendicectomia (ela não acontece no quadro agudo).
Recorrência do quadro
Com que devemos tomar cuidado é:
Nem sempre temos certeza se a apendicite apresenta ou não perfuração;

A presença de apendicolito, visualizado na imagem, está associada à alta taxa de complicações nos quadros de apendicite;

Risco aumentado a idosos, imunocomprometidos ou pacientes com comorbidades clínicas. A apresentação clínica pode subestimar o grau da lesão.

Trazendo mais um detalhe, do manejo da gestante com suspeita de apendicite, porque pode aparecer em prova! Vocês não devem ter medo de indicar a laparoscopia na paciente com diagnóstico de apendicite.

Manejo da gestante com suspeita de apendicite, para saber como fazer os tratamentos para apendicite.

E para ficar mastigado para vocês, segue abaixo um exemplo de prescrição para um paciente com 70 kg com quadro de apendicite aguda:

Uso interno:

  1. Jejum;
  2. Soro fisiológico 0,9% 1000 ml + soro glicosado 50% 50 ml de 12/12h (corrigir distúrbios hidroeletrolíticos se necessário);
  3. Ciprofloxacino 400 mg EV de 12/12h;
  4. Metronidazol 500 mg EV de 8/8h;
  5. Dipirona 1g EV de 6/6h se necessário;
  6. Metoclopramida 10 mg EV de 6/6h se necessário;
  7. Controle de sinais vitais de 6/6h;
  8. HGT de 4/4h enquanto permanecer em jejum;
  9. Soro glicosado 50% 40 ml EV de HGT < 70 mg/dl;
     
  10. Cabeceira elevada em 45° se tiver vômitos repetitivos.

Lembrar de manter a antibioticoterapia até 48-72h sem febre. 

Bem legal hein moçada, todo mundo já sabendo os tratamentos para apendicite, podem ficar do lado que resolve mesmo, o lado da cirurgia!

É isso!

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AnuarSaleh

Anuar Saleh

Nascido em 1993, em Maringá, se formou em Medicina pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e hoje é residente em Medicina de Emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein e também editor e professor do PSMedway.