Tromboembolismo pulmonar: da definição ao tratamento

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Conteúdo atualizado em: 19/06/2026  Tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma condição potencialmente grave que ocorre quando um coágulo, geralmente originado nas veias profundas dos membros inferiores, obstrui uma ou mais artérias pulmonares. A doença pode causar falta de ar súbita, dor torácica, queda da oxigenação e, nos casos mais graves, instabilidade hemodinâmica e risco de morte. O diagnóstico rápido e o tratamento adequado são fundamentais para reduzir complicações, e envolvem avaliação clínica, exames de imagem, estratificação de risco e terapia anticoagulante ou intervencionista, conforme a gravidade do quadro.

Como vemos na imagem acima, trombos originados em veias profundas de membros inferiores se deslocam pela veia cava, indo em direção ao coração (primeiro pelo átrio direito e depois ventrículo direito), até chegar na artéria pulmonar e seus ramos. 

Confira a nova diretriz para o TEP.

A Tríade de Virchow e o tromboembolismo pulmonar

Galera, acredito que muitos de vocês já ouviram falar na Tríade de Virchow. Pois bem, tem tudo a ver com o tromboembolismo pulmonar. Bora revisar? 

Rudolf Virchow, um patologista alemão, propôs que a trombose era o resultado de ao menos um de três fatores etiológicos: lesão endotelial, alterações do fluxo sanguíneo normal (turbulência ou estase venosa) e um estado de hipercoagulabilidade.

Quais são os fatores de risco do tromboembolismo pulmonar?

Para facilitar seus estudos, fizemos uma tabela com os fatores de risco dessa doença:

FATOR DE RISCOCOMENTÁRIO
Antecedente de trombose venosafator de risco importante, sempre lembrar de perguntar quando for coletar a anamnese 
Idaderisco aumenta a partir dos 50 anos, com aumento progressivo 
Cirurgias préviasAs de maior risco são as abdominais por neoplasia, ortopédica, grande cirurgias vasculares e neurológicas.
ObesidadeIMC > 35 ( aumenta o risco de 2-3 vezes acima do normal )
TabagismoAumenta o risco em pacientes obesos, em uso de ACO e neoplasia 
Neoplasias malignas Quanto maior a carga tumoral e quanto mais indiferenciado, maior o risco 
Gestação, uso de ACO* e TRH**1 a cada 500 gestantes, sendo mais comum no puerpério, em uso de ACO e TRH o risco é maior nos primeiros seis meses. 
Imobilização e viagens prolongadasRisco aumenta em viagens maiores que seis horas
Repouso no leitoMaior risco quando maior que três dias 
Trombofilias Podendo ser adquirida ou hereditária
*ACO: anticoncepcional oral 
**TRH: terapia de reposição hormonal 

Sintomas e sinais

As manifestações clínicas no tromboembolismo pulmonar são inespecíficas, assim, variando muito a gravidade do caso. Geralmente vemos um evento súbito, sendo a dispneia o principal sintoma e a taquipneia o principal sinal.

Vamos ver alguns dos sintomas e sinais envolvidos no tromboembolismo pulmonar:

  • dispneia (em repouso)
  • dor pleurítica
  • dor na perna
  • edema assimétrico de MMII
  • tosse seca
  • dor torácica
  • ortopneia
  • taquipneia
  • taquicardia
  • tontura
  • dor abdominal
  • estertores na ausculta pulmonar
  • febre
  • hemoptise
  • sudorese 
  • alteração no nível de consciência
  • turgência jugular 
  • choque obstrutivo 

Podemos ver que a lista é imensa e, infelizmente, a “tríade clássica” do tromboembolismo pulmonar (dispneia, dor pleurítica e hemoptise) ocorre na minoria dos casos

Você já ouviu falar em tromboembolismo pulmonar maciço? 

Não? tudo bem, a gente vai explicar sobre isso… Bora lá! O TEP maciço é quando o trombo não permite o fluxo do ventrículo direito para o pulmão, assim, causando um choque obstrutivo e hipotensão. Aplique o Escore de PESI para estratificar o risco de TEP.

Então, vamos pensar em pressão sistólica menor que 90, não explicada por outras razões como hipovolemia, sepse, arritmia, tamponamento cardíaco. Nesse caso, o paciente apresenta um altíssimo risco de morte, se não diagnosticado precocemente com tratamento efetivo. 

Nesses casos mais graves, vale revisar este guia completo de sepse e choque, que ajuda a organizar o manejo do paciente instável na emergência.

Exames 

Os exames citados abaixo são solicitados na rotina de avaliação para pacientes com queixas cardiorrespiratórias:

  1. Oximetria de pulso 
  2. Gasometria 
  3. Radiografia de tórax 
  4. D-dímero (alta sensibilidade e baixa especificidade, portanto serve para excluir o tromboembolismo pulmonar)
  5. Eletrocardiograma (a alteração mais comum é a taquicardia sinusal)
  6. Ecocardiograma (podendo ver disfunção de ventrículo direito, mostrando um mau prognóstico)
  7. Marcadores bioquímicos  (aumento de troponina e BNP também são maus prognósticos) 
  8. Angiotomografía de tórax ( exame mais comum para diagnóstico) 

Dificuldade diagnóstica do tromboembolismo pulmonar 

Com certeza, o diagnóstico de tromboembolismo pulmonar é um dos maiores desafios da sala de emergência. Uma vez que os sinais e sintomas são muito inespecíficos. 

A primeira coisa a ser feita ao paciente que apresenta manifestações clínicas de tromboembolismo pulmonar ou trombose venosa profunda é determinar qual é a probabilidade clínica pré-teste dele realmente ter tromboembolismo pulmonar. 

Aqui vamos falar do escore que faz parte desta investigação que tanto assombra a galera na sala de emergência. 

Escore de Wells

Probabilidade de tromboembolismo pulmonarPontos
Clínica de trombose venosa profunda (dor, edema, eritema em membro inferior)3
Tromboembolismo pulmonar é o principal diagnóstico3
Antecedente de tromboembolismo pulmonar ou trombose venosa profunda 1,5
Frequência cardíaca maior que 1001,5
Imobilização maior que 3 dias e cirurgia nas últimas 4 semanas 1,5
Hemoptise1
Neoplasia ativa1

Probabilidade pré-teste de tromboembolismo pulmonar:

  • Baixa probabilidade: 0-4 pontos
  • Alta probabilidade: mais que 5 pontos

Bom, agora para simplificar

Probabilidade baixa? pede D-dímero. Se vier positivo? Angio-TC de tórax. E se vier negativo? Descarto.

Probabilidade alta? Realizo angio-TC de tórax. 

Tratamento do tromboembolismo pulmonar 

Primeiramente, devemos lembrar que o paciente com suspeita de tromboembolismo pulmonar sempre deve ser mantido em sala de emergência, monitorado e supervisionado. Também, deve ser assegurado o suporte hemodinâmico e respiratório, conforme a clínica do paciente.

  • SUPORTE HEMODINÂMICO: Pensando que o tromboembolismo pulmonar pode causar disfunção de ventrículo direito, com isso causando diminuição do débito cardíaco, temos que ficar atentos com a hipotensão. As medidas que devemos tomar são: reposição de cristalóide (no máximo 500ml), droga vasoativa (norepinefrina e dobutamina) e, em pacientes refratários a essas medidas, podemos pensar em ECMO.
  • SUPORTE RESPIRATÓRIO: oxigenioterapia se a saturação for menor que 90% (se for indicado IOT, lembre-se de que não podemos usar drogas hipotensoras para realizar a sequência rápida de intubação). Sugiro dar uma olhada no nosso Guia Rápido da Intubação Orotraqueal, que traz todas as informações que você precisa para realizar esse procedimento cm segurança!
  • ANTICOAGULAÇÃO: quando falamos de tromboembolismo pulmonar, sempre devemos pensar em anticoagulação plena e as duas opções que são mais usadas são:
  1. Heparina de baixo peso molecular 
    1. Enoxaparina 1,5 mg/kg subcutâneo 1 vez ao dia 
    2. Enoxaparina 1mg/kg subcutâneo 12/12h
  2. Heparina não fracionada
    1. Bolus de 5.000 unidades e iniciar em bomba de infusão contínua 1000 unidades por hora (diluir 25.000 unidades em 250ml de soro fisiológico) 

Ufa! Terminamos!

Bom, pessoal, hoje discutimos um assunto muito importante e que, quando dominado, faz a diferença na sala de emergência. Lembre-se de que raciocínios rápidos e lógicos se destacam e diminuem a mortalidade por tromboembolismo pulmonar.

Eu espero que vocês tenham gostado e, caso você ainda não domina o plantão de pronto-socorro 100%, fica aqui uma sugestão: temos um material que pode te ajudar com isso, que é o nosso Guia de Prescrições. Com ele, você vai estar muito mais preparado para atuar em qualquer sala de emergência do Brasil.

E não pense que paramos por aqui! Se você quer acumular ainda mais conhecimento sobre a área, experimente nosso curso de Medicina de Emergência, o PSMedway. Lá, você vai poder visualizar exatamente como é a atuação médica dentro da Sala de Emergência! Tá esperando o quê?

Bons estudos e até a próxima!

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Julia Queiroz

Julia Queiroz

Nascida em Catanduva, interior de São Paulo. Médica pela faculdade do Oeste Paulista, louca e apaixonada pela Medicina de Emergência e Medicina Humanitária. Residência em Medicina de Emergência no Hospital Alemão Oswaldo Cruz e pós-graduação em Medicina Aeroespacial.