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Tuberculose ganglionar: o que é, sintomas e tratamento

Opa moçada! Beleza? Papo reto agora, hein? Apesar do tema causar estranheza em muita gente, pode ficar tranquilo que a nossa conversa aqui vai ser leve e sem enrolação. Vamos destrinchar os principais pontos sobre Tuberculose ganglionar, que não é nada mais nada menos que o tipo mais frequente de tuberculose (TB) extrapulmonar, constituindo a linfadenite crônica mais importante.

Então, vamos nessa! 

Quer saber mais sobre a tuberculose ganglionar? Continue lendo!
Quer saber mais sobre a tuberculose ganglionar? Continue lendo!

O que é tuberculose ganglionar? 

Como o próprio nome indica, a tuberculose ganglionar acomete os gânglios linfáticos. Os microrganismos do complexo Mycobacterium tuberculosis alcançam os alvéolos pela via respiratória, multiplicam-se e migram para os linfonodos regionais, causando assim, a TB ganglionar. Não é raro que esse patógeno permaneça inativo no organismo por um longo tempo, sem apresentar nenhum sintoma. Mas quando há queda da imunidade a proliferação bacteriana é favorecida e a doença se manifesta, sacou? E tuberculose ganglionar é câncer? Não! A tuberculose ganglionar, como o nome indica, é um tipo de tuberculose tratável e não tem riscos de se desenvolver a algo maior, como um abscesso ou câncer.

Uma coisa que precisa ficar bem clara na sua cabeça é que, apesar do mecanismo fisiopatológico ser praticamente o mesmo da tuberculose pulmonar (mudando apenas o sítio de instalação bacteriana), a transmissão não é igual! O paciente com tuberculose ganglionar não precisa ficar em isolamento, pois os bacilos não estão presentes nas gotículas da via aérea, ou seja, não é transmissível! Vamos esclarecer uma coisa, pensa junto comigo, alguém com TB pulmonar transmitiu os bacilos para uma pessoa, e esta manifestou a TB na forma ganglionar encerrando aqui o ciclo de contágio, ponto!

Quem é o alvo dessa doença?

Pessoal, em geral a TB extrapulmonar ocorre em 10 a 40% dos pacientes com tuberculose, e destes, 35% se referem a TB ganglionar que acomete especialmente crianças e pacientes infectados pelo HIV. É mais comumente observada na faixa etária de 20 a 40 anos no sexo feminino. O fato é que essa doença se aproveita dos imunocomprometidos, lembre-se disso!

Quais são os sintomas da tuberculose ganglionar?

Já entendemos o que é a tuberculose ganglionar, mas como bons médicos precisamos saber as características clínicas desse paciente, que também não fogem do óbvio. Dá um bizu aqui! A linfadenite pode ser a única manifestação da TB ou, com mais frequência, nos indivíduos infectados pelo HIV, pode acompanhar a TB pulmonar. 

A forma clássica de apresentação da maioria dos casos é a linfadenopatia periférica isolada, sendo que no início da doença, os linfonodos são bem discretinhos, mas podem evoluir para uma massa com trajeto fistuloso. Os linfonodos cervicais e supraclaviculares são os mais frequentemente envolvidos, podem ser acometidos uni ou bilateralmente, cursando com aumento subagudo, indolor e assimétrico

No exame físico você pode encontrar os gânglios endurecidos ou amolecidos à palpação, aderentes entre si e aos planos profundos, e nos casos mais avançados há um processo de fistulização espontânea, formando o que se chama de escrófula ou escrofuloderma, com a inflamação da pele adjacente. 

Linfadenite cervical em paciente com tuberculose ganglionar, fotos de pessoas com tuberculose ganglionar
Linfadenite cervical em paciente com tuberculose ganglionar (Fonte: Lifeder)

O quadro clinico é basicamente esse! Sem neura, eu disse que ia ser de boa! Mas não podemos esquecer dos indivíduos coinfectados pelo HIV, neles é comum haver sintomas sistêmicos concomitantes incluindo febre, sudorese e perda de peso, beleza?

Como é feito o diagnóstico?

Pessoal, depois de examinar clinicamente, o diagnóstico só é confirmado após aspiração com agulha fina (PAAF) ou a biópsia cirúrgica do linfonodo. 

Essa punção é feita com uma agulha fininha, que retira uma amostra do gânglio para verificar a presença dos bacilos. Em alguns casos, quando a porção de tecido não for suficiente, pode ser necessário remover todo o linfonodo cirurgicamente. Então, o produto deve ser encaminhado para análise histopatológica, baciloscopia direta e cultura para micobactérias na qual o crescimento de colônias confirma o diagnóstico.

E vê se não esquece de pedir um raio-X de tórax se seu paciente for HIV positivo, pois pode ter TB pulmonar associada. 

Como tratar a tuberculose ganglionar? 

O tratamento da tuberculsoe ganglionar é o mesmo da tuberculose pulmonar? Sim, pessoal! O tratamento de todos os tipos dessa doença é igual e tem a duração de 6 meses. Então meu caro, se você ainda não tem o esquema terapêutico da TB na ponta da língua, aproveita agora pra relembrar e não esquece mais! Nos primeiros 2 meses, o esquema de medicamentos é chamado de “RIPE”, uma associação dos antibióticos Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol. Já a segunda fase do tratamento utiliza apenas a Rifampicina e a Isoniazida durante os próximos 4 meses. 

Mas tuberculose ganglionar pode matar? Logo nas primeiras semanas de tratamento o paciente se sente melhor e por isso é importante orientá-lo a realizar a proposta terapêutica até o final, independente da melhora dos sintomas, para que haja completa resolução do quadro, fechado?

Como prevenir?

E galera, essa é fácil! A principal forma de prevenção da TB e todos seus subtipos é a vacinação! Por isso é tão importante vacinar todas as crianças com a BCG logo ao nascimento. Vale lembrar que ela protege contra as formas graves, mas não impede a infecção pelo bacilo! Portanto, mesmo assim, é preciso tomar todos os cuidados de higiene que uma doença infecciosa exige quando algum conhecido ou familiar for diagnosticado com tuberculose. 

Meus queridos, isso é tudo o que vocês precisam saber sobre TB ganglionar! Eu disse que ia ser tranquilo, viu! Agora que desmistificamos esse assunto, anota aí as informações novas para fixar bem o conteúdo e não comer bola quando um paciente chegar pra você nessas condições, até porque o Brasil é destaque quando se trata casos novos de tuberculose.

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Até a próxima!

* Colaborou Ana Victória Haddad, graduanda de Medicina na Universidade São Francisco

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AnuarSaleh

Anuar Saleh

Nascido em 1993, em Maringá, se formou em Medicina pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e hoje é residente em Medicina de Emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein e também editor e professor do PSMedway.