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Abdome agudo inflamatório: um assunto de dar cólicas

Salve, galerinha. Tudo certo? Se você abriu este post, com certeza quer saber um pouco mais sobre esta síndrome tão comum no pronto-socorro: abdome agudo inflamatório. E eu já te adianto: todo mundo já sentiu cólicas quando chegou aquele paciente com dor abdominal aguda, então bora aprender de vez?

Vamos pelo começo!

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O que é o abdome agudo inflamatório?

Simples! O famoso abdome agudo inflamatório nada mais é do que uma condição inflamatória/infecciosa gastrointestinal que vai precisar de conduta imediata, podendo ser cirúrgica ou não e destacando-se como a causa mais comum de dor abdominal aguda nos serviços de emergência. Sabendo disso, em que podemos começar a pensar? Que esse paciente já está ou pode ficar grave então precisamos dar atenção.

Beleza, paciente chegou na porta. Como posso dar essa atenção?

Antes de pensar em tratamento: quais os sintomas de abdome agudo inflamatório?

Primeiro vamos olhar e escutar este paciente — ou seu acompanhante. Precisamos saber da história e o que de fato ele está sentindo. O quadro clínico mais comum — e consequentemente o que vamos esperar — é dor abdominal que vai aumentando de forma progressiva ao longo de algumas horas, chegando a forte intensidade, podendo associar-se à anorexia, febre e fatores de melhora ou piora a depender da etiologia. Aqui, mais que nunca, a propedêutica será reveladora: as etiologias mais frequentes como apendicite, colecistite aguda, pancreatite aguda e diverticulite tem histórias que já nos acendem um alerta.

Com o alerta aceso e uma boa anamnese já tirada, caminharemos para o exame físico, que poderá ser a peça chave para o diagnóstico diferencial. Se antes nós olhamos e escutamos o nosso doente, agora chegou o momento de tocá-lo e aqui relembramos alguns pontos dolorosos principais: 

Fonte: Sabiston, Tratado de Cirurgia – 19ª Ed

Juntando todo este quebra cabeça, podemos relembrar então os destaques das etiologias mais frequentes para basearmos nosso diagnóstico:

ETIOLOGIASHISTÓRIAEXAME FÍSICODIAGNÓSTICO
Apendicitedor inicialmente difusa que migrou para região de quadrante inferior direito do abdome inapetência, vômitos e/ou diarreia febreDor à palpação de fossa ilíaca direita / descompressão brusca positiva em FIDClínicoSe duvidoso: Tomografia Computadorizada de abdome inferior e pelve.leucocitose e/ou alterações urinárias
DiverticuliteAnorexiaDor abdominal em quadrante inferior esquerdoAlteração do hábito intestinal febreDor à palpação de FIEIrradiação para flanco, dorso ou suprapúbicaClínicoSe duvidoso: tomografia computadorizada de abdome total, USG ou RM.
Colecistite agudaDor em quadrante superior direitoPiora à alimentação gordurosaHipersensibilidade à palpação no quadrante superior direitoSinal de Murphy positivoHistória sugestivaExame físico sugestivoUSG de abdome superior com presença de litíase e/ou inflamação de vias biliaresElevações moderadas de fosfatase alcalina, bilirrubina, transaminase e leucocitose.
Pancreatite agudador “em faixa” em abdome superior com irradiação para o dorsovômitos incoercíveisanorexiahistórico de alcoolismo, uso crônico de AINEs, hipertrigliceridemia e outros.desidrataçãosensibilidade à palpação epigástricadistensão abdominalachados clínicoselevação de amilase e lipase (maior ou igual a 3x o valor de referência) 

Tá bom, olhamos o paciente, escutamos, tocamos ele e formulamos nossa hipótese.

Mas e agora? Qual a conduta? Como fazer o tratamento do abdome agudo inflamatório?

Podemos separá-las entre as cirúrgicas e não cirúrgicas. Dentre as cirúrgicas ficamos com:

  • Apendicite:

 Diagnóstico fechado é sinônimo de laparoscopia ou laparotomia. Devemos sempre nos ater ao fato do prognóstico deste paciente ser excelente: a taxa de mortalidade após apendicectomia é menor que 1%! Então não vamos demorar para levar este paciente para mesa, combinado?

  • Colecistite aguda

Precisamos dar tchau para esta vesícula produtora de cálculos. Atualmente, dá-se preferência pela via laparoscópica, tomando os devidos cuidados: uma boa dissecção do triângulo de Calot, identificação de artéria cística (você não quer seccionar uma artéria sem clipá-la, não é?!) e do ducto cístico – nada deve ser seccionado até que esses dois estejam muito bem estabelecidos. Na ilustração observamos como é realizado esse desprendimento da vesícula biliar:

Fonte: Townsen e Evers, Atlas de técnicas cirúrgicas.

Também temos uma baixíssima mortalidade após colecistectomia, principalmente se essa for videolaparoscópica, atingindo apenas 0,1%.

(se você se interessa por colecistite pode saber mais no artigo: colecistite aguda: o que é sintomas e especificidades)

Casos cirúrgicos checados, vamos para os casos não cirúrgicos:

  • Pancreatite aguda:

Neste tópico, precisamos ser um pouco mais específicos sobre a conduta pois ela depende da famigerada Classificação de Atlanta. Em geral, a ressuscitação volêmica, analgesia e jejum inicial serão fundamentais para nosso paciente, mas se você quer saber o tratamento específico, separamos um artigo só para isso: (classificação e tratamento da pancreatite aguda)

  • Diverticulite:

Apesar de separarmos essa patologia como não cirúrgica, há sim casos em que vamos lançar mão do bisturi, mas a priori vamos nos focar na diverticulite não complicada, ok?! E esta sim, inclui tratamento clínico e preferencialmente ambulatorial com uma mudança na dieta deste paciente, aumentando a ingesta de fibras e realizando antibioticoterapia de amplo espectro. O sucesso do tratamento clínico nestes casos chega a alcançar 85%.

É isso!

Ufa! Fechamos (ou abrimos — com o perdão do trocadilho) abdome agudo inflamatório. Neste ponto é importante que saiba que existem sim outras etiologias mais raras de abdome agudo inflamatório, mas se você chegou até aqui, irmão, já está manjando o pacote rotineiro da emergência e não vai mais comer bola. Espero de coração que tenham gostado e que saiam com esse assunto na ponta da língua e enfim, sem cólicas, fechou? 

E fica aí mais uma dica: você também pode dar uma olhada no nosso Guia de Prescrições! Com ele, você vai estar muito mais preparado para atuar em qualquer sala de emergência do Brasil!

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Abração, rapaziada. Tamo junto!

* Colaborou Thais Borges Rodrigues, graduanda de Medicina na Universidade Santo Amaro

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AnuarSaleh

Anuar Saleh

Nascido em 1993, em Maringá, se formou em Medicina pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e hoje é residente em Medicina de Emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein e também editor e professor do PSMedway.