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Anatomia tomográfica do abdome: Saiba mais!

E aí, galera? Tudo em cima? Só de pensar em ter que avaliar uma tomografia de abdome já dá um frio na espinha, né? Por isso, o artigo de hoje vai falar exatamente sobre a anatomia tomográfica do abdome. Assim, você vai perder o medo e ficar sempre preparado. E aí, vamos lá? 

Mas antes da anatomia tomográfica propriamente dita, vamos relembrar alguns conceitos radiológicos básicos para que a identificação das estruturas seja ainda mais fácil, beleza? 

Anatomia tomográfica do abdome: conceitos iniciais

Lateralidade

Avaliamos toda tomografia como se estivéssemos olhando para o paciente a partir dos seus pés. Assim, ao olhar o lado direito da imagem, na verdade estamos olhando para o lado esquerdo do paciente e vice-versa. O conceito de lateralidade vale para qualquer exame de imagem, não só para a tomografia.

Acima, esquema de como vemos as imagens na tomografia, a partir dos pés do paciente. Embaixo, tomografia em que vemos o lado esquerdo do paciente como direito e vice-versa. Notem a localização do fígado e do baço na imagem.  Fonte: Arquivo pessoal.
Acima, esquema de como vemos as imagens na tomografia, a partir dos pés do paciente. Embaixo, tomografia em que vemos o lado esquerdo do paciente como direito e vice-versa. Notem a localização do fígado e do baço na imagem.  Fonte: Arquivo pessoal.

Planos

Plano axial: é o plano mais avaliado e o que mais cai nas provas, em que o paciente é cortado como se fosse um salame, dividindo o corpo em porções superior e inferior.

Plano axial ao nível dos rins. Fonte: Arquivo pessoal / Sobotta: Atlas de Anatomia Humana, página 1.
Plano axial ao nível dos rins. Fonte: Arquivo pessoal / Sobotta: Atlas de Anatomia Humana, página 1.

Plano coronal: é o plano paralelo à sutura coronal, como se o paciente tivesse colocado uma coroa, dividindo o corpo em porções anterior e posterior.

Plano coronal ao nível dos rins com o fígado (à esquerda) e o baço (à direita) imediatamente acima e a coluna lombar no meio. Fonte: Arquivo pessoal / Sobotta: Atlas de Anatomia Humana, página 1.
Plano coronal ao nível dos rins com o fígado (à esquerda) e o baço (à direita) imediatamente acima e a coluna lombar no meio. Fonte: Arquivo pessoal / Sobotta: Atlas de Anatomia Humana, página 1.

Plano sagital: é o plano paralelo à sutura sagital, em que o paciente é cortado como se fosse uma maçã, dividindo o corpo em porções direita e esquerda.

Plano sagital ao longo da coluna lombo-sacra. Fonte: Arquivo pessoal / Sobotta: Atlas de Anatomia Humana, página 1.
Plano sagital ao longo da coluna lombo-sacra. Fonte: Arquivo pessoal / Sobotta: Atlas de Anatomia Humana, página 1.

Janelas

A tomografia nos permite um contraste entre as imagens muito maior do que a radiografia, chegando a milhares de tons de cinza (também conhecido por densidades ou atenuação), que são medidos pelas Unidades Hounsfield (UH). 

No entanto, em uma imagem, só é possível avaliar 256 tons de cinza, ou seja, não conseguimos avaliar tudo simultaneamente. Para caracterizar cada estrutura melhor, fazemos o janelamento, que é basicamente a regulação dos tons de cinza da imagem. No caso da tomografia de abdome, temos as janelas de osso, de partes moles e de pulmão.

Janela de partes moles: é a principal janela avaliada em uma tomografia de abdome. Utilizamos para avaliar todo o subcutâneo, os planos musculares e os órgãos intra-abdominais. Tem grande importância também na procura por linfonodomegalias.

Janela óssea: utilizamos para avaliar todas as estruturas ósseas, apresentando boa definição das regiões cortical (mais branca) e medular (mais preta). Além disso, calcificações ateromatosas são facilmente visualizadas nessa janela.

Janela pulmonar: utilizamos para avaliar melhor a presença de gás dentro ou fora das alças, como em um caso de pneumoperitônio, por exemplo. Além disso, podemos avaliar o parênquima pulmonar na transição toracoabominal.

Atenuação

Como na radiografia, cada estrutura tem sua densidade ou atenuação de acordo com a quantidade de radiação que passa por ela, surgindo, assim, dois termos para caracterizá-la. 

Hipodenso ou hipoatenuante: menos branco (ou mais preto) em relação a outra estrutura.

Hiperdenso ou hiperatenuante: mais branco em relação a outra estrutura.

Esquema da variação de atenuação das estruturas. Quanto mais branco, mais hiperatenuante/hiperdenso; quanto mais preto, mais hipoatenuante/hipodenso.
Esquema da variação de atenuação das estruturas. Quanto mais branco, mais hiperatenuante/hiperdenso; quanto mais preto, mais hipoatenuante/hipodenso.

Uso do meio de contraste

Nos exames tomográficos, podemos utilizar os meios de contraste radiopacos derivados de iodo, que são muito densos (densidade metálica), para tornar as estruturas de interesse no diagnóstico mais brancas, aumentando seu contraste em relação aos tecidos adjacentes.

Classicamente, o uso do contraste iodado é bem indicado na maioria das tomografias de abdome, uma vez que grande parte dos órgãos apresentam densidades semelhantes e estão próximos uns dos outros. 

As exceções mais comuns ficam nos casos de litíase renal e avaliação de pneumoperitônio, já que ambos são facilmente identificados sem o uso do meio de contraste pela sua densidade distinta do restante dos órgãos intra-abdominais.

Anatomia tomográfica do abdome

Chegamos à parte mais importante do post, que agora com esses conceitos iniciais, vai ficar fácil de entender. Cada pessoa tem a sua maneira de avaliar o exame, o importante é não deixar de ver nenhuma estrutura, preferencialmente em todos os planos. Utilizem sempre a mesma ordem de análise, órgão a órgão.

Vamos apresentar a anatomia pela janela de partes de moles, dividida pelos planos para ficar mais didático.

Plano axial

Transição toracolombar

Anatomia tomográfica do abdome
Anatomia tomográfica do abdome
Fonte: Arquivo pessoal.

Ao nível do pâncreas

Anatomia tomográfica do abdome
Fonte: Arquivo pessoal.

Ao nível da flexura hepática do intestino grosso

Anatomia tomográfica do abdome
Fonte: arquivo pessoal.

Ao nível do apêndice

Imagem ilustrativa sobre o tema
Imagem ilustrativa sobre o tema
Fonte: Arquivo pessoal.

Ao nível do cólon sigmoide

Imagem ilustrativa sobre o tema
Imagem ilustrativa sobre o tema
Fonte: Arquivo pessoal.

Ao nível do reto

Anatomia tomográfica do abdome
Anatomia tomográfica do abdome
Fonte: Arquivo pessoal.

Plano sagital

Ao nível da coluna lombar

Imagem ilustrativa sobre o tema
Fonte: Arquivo pessoal.

Plano coronal

Ao nível dos rins

Plano coronal - ao nível dos rins
Fonte: Arquivo pessoal.

Ao nível da aorta e veia cava inferior

Ao nível da aorta e da veia cava inferior
Fonte: Arquivo pessoal.

Ao nível da veia porta

Ao nível da veia porta
Fonte: Arquivo pessoal.

Curtiu saber mais sobre a anatomia tomográfica do abdome? 

Agora você sabe mais sobre a anatomia tomográfica do abdome! Então, confira outros conteúdos que publicamos aqui, no blog. Eles foram feitos especialmente para você mandar bem no seu plantão e ficar por dentro dos mais variados assuntos.

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Referências bibliográficas para falar sobre a anatomia tomográfica do abdome

Netter FH. Atlas de anatomia humana. 5ª edição. São Paulo: Elsevier, 2011.

Putz R, Pabst R. Sobotta: Atlas de anatomia humana. 22ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

Racy DJ, Leão Filho HM, D’Ippolito G. Tomografia Computadorizada. In: D’Ippolito G, Caldana RP, editores. Gastrointestinal – Série CBR. São Paulo: Elsevier, 2011. p. 25-47.

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LuisaLeitão

Luisa Leitão

Mineira, millennial e radiologista fanática. Formou-se em Radiologia pelo HCFMUSP na turma 2017-2020 e realizou fellow em Radiologia Torácica e Abdominal em 2020-2021 no mesmo instituto, além de ter sido preceptora da residência de Radiologia por 1 ano e meio. Apaixonada por pão de queijo, café e ensinar radiologia.