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Anticoncepcional hormonal combinado: quais são os riscos?

Fala, pessoal, tudo em cima? Hoje vamos falar sobre os riscos do anticoncepcional hormonal combinado. Esse é um assunto muito importante, principalmente porque diz respeito à saúde e qualidade de vida das mulheres. Preparado pra mais esse tema? Então, vem com a gente! 

Anticoncepcional hormonal combinado: você conhece os riscos?
Anticoncepcional hormonal combinado: você conhece os riscos? Imagem disponível em: https://assets.nhs.uk/nhsuk-cms/images/A_0917_combined-pill_B11YFW.width-320.jpg

Quem tem medo do anticoncepcional hormonal combinado?

Se você respondeu que sim, não está sozinha! Muita gente tem medo do uso do anticoncepcional hormonal combinado, e a ideia do artigo é falar um pouco sobre esses medos, os reais riscos desse uso e alguns mitos.

Antes de tudo, é importante recordar que os anticoncepcionais hormonais são um método eficaz para quem deseja contracepção, porque ele apresenta falhas apenas para 3 a cada 1000 mulheres. 

Além disso, para todos os riscos dos métodos hormonais combinados que iremos falar aqui, a gestação é um agravante. Dessa forma, vale sempre lembrar que o uso de contraceptivos traz menos riscos do que a gravidez e, caso você não deseje uma gestação, realizar seu uso é melhor do que não utilizar.

O primeiro contraceptivo hormonal foi lançado no mundo há mais de 60 anos, e ele vem sendo modernizado ao longo dos anos. Por ocasião de seu lançamento, os contraceptivos hormonais tinham uma quantidade hormonal muito alta. 

Ao longo dos anos e com muita pesquisa, ficou claro que os efeitos colaterais são dose-dependente. Sendo assim, buscou-se uma menor dose, procurando gerar menores riscos e também manutenção do efeito de contracepção. 

Por isso, atualmente, temos pílulas de baixa dosagem hormonal, com doses de estrogênio menores que 50 mcg.

Por aqui, vamos falar apenas dos riscos dos contraceptivos hormonais combinados, ou seja, aqueles métodos que apresentam em sua formulação dois tipos de hormônios: estrogênio e progesterona

Estes métodos contêm várias apresentações com diferentes vias de administração, podendo ser: 

  • via oral (as famosas pílulas);
  • via transdérmica (adesivo);
  • via intramuscular (injeção mensal);
  • anel vaginal.

Dentre os anseios da população ao uso do contraceptivo hormonal, alguns não apresentam evidência na literatura e são mitos. 

Porém, alguns outros medos são de fato riscos e efeitos colaterais do uso do anticoncepcional hormonal combinado. Para falar melhor sobre isso vamos dividir os riscos dos contraceptivos em tópicos:

Mitos sobre o anticoncepcional hormonal combinado

Ganho de peso

Esse é o efeito colateral mais temido por todas as usuárias de métodos contraceptivos. Mas, podemos ficar tranquilas, nenhum estudo comprovou mudança significativa de peso após início do uso de métodos hormonais combinados.

Vida sexual 

Com o uso de contraceptivos hormonais combinados, há um bloqueio do ciclo hormonal natural das mulheres. Afinal, a progesterona utilizada irá bloquear o pico de LH que induz a ovulação na metade do ciclo. 

Sendo assim, esses anticoncepcionais anovulatórios podem levar a uma supressão de hormônios androgênios (testosterona) produzidos no ovário, que seriam estimulados pela produção de LH (se lembram da “Teoria das duas células, duas gonadotrofinas”?). 

E quais os hormônios mais relacionados à libido e ao desejo sexual? Sim, os próprios androgênios! Por isso, podemos dizer que os anticoncepcionais orais ou qualquer outro método anovulatório podem interferir na libido

Porém, tudo é muito mais complexo que a simples concentração de certos hormônios e depende de múltiplos fatores – hormonais, psicológicos, sociais, educacionais, etc. 

Por exemplo: apesar de todos esses efeitos, algumas mulheres referem aumento da libido com uso de anticoncepcionais, apenas devido à maior segurança em ter relações sexuais sem se preocupar com a gestação indesejada.

De qualquer forma, esse é o aspecto mais controverso do uso hormonal, com resultados discordantes na literatura.

Modificações do padrão menstrual

O sangramento não programado, popularmente conhecido como sangramento de escape, é o efeito colateral mais frequente. Esse padrão de sangramento pode acontecer:

  • por uso inadequado do método;
  • por atrofia endometrial;
  • de acordo com o tipo de medicação e regime de uso da paciente.

Pílulas com menor dose de estrogênio propiciam maior quantidade de escapes do que pílulas de maior dosagem. Além disso, menor tempo de pausa também aumenta a chance de sangramentos não programados.

É importante saber que este padrão de sangramento não significa diminuição da eficácia contraceptiva. Em outros casos, o sangramento não ocorre e a paciente pode permanecer em amenorreia (ausência de sangramento). 

Geralmente, este último padrão de sangramento ocorre porque as baixas doses da pílula não permitem o endométrio se proliferar, impedindo o sangramento de privação hormonal que ocorre na pausa do método contraceptivo. 

Mas essa “amenorreia induzida pela pílula” também não promove problemas com a eficácia do método e, caso a usuária não se incomode, ela pode permanecer com seu uso sem problemas.

Retorno à fertilidade

Outra dúvida bastante frequente das pacientes é sobre o retorno à fertilidade após descontinuação do método contraceptivo. No caso dos contraceptivos hormonais combinados, o tempo não é elevado, sendo o período médio para retorno de ciclos ovulatórios de 30 a 90 dias

Além disso, a taxa de gravidez após um ano sem método é idêntica à população em geral, que não fazia uso de métodos. Sendo assim, podemos dizer que os anticoncepcionais hormonais combinados não interferem na fertilidade futura das pacientes.

Os riscos do anticoncepcional hormonal combinado

Até o momento falamos de riscos do uso de contraceptivo hormonal combinado que são de grande medo da população geral, mas não apresentam evidência científica e comprovação. 

A partir de agora, vamos falar sobre os riscos reais do uso de contraceptivos hormonais combinados.

Tromboembolismo venoso (TEV)

Logo no surgimento dos contraceptivos hormonais, notou-se uma relação entre este uso e riscos de trombose. Através de estudos científicos, ficou claro que o risco estava relacionado à dose do componente estrogênico, momento em que foram criados os contraceptivos de baixa dosagem hormonal.

A taxa de TEV em mulheres jovens é baixa, 1 a cada 10 mil mulheres-ano. Em usuárias de contraceptivo hormonal combinado, essa taxa aumenta 3 a 4 vezes (3 a 4 por 10 mil mulheres-ano). 

Esse risco é maior nos primeiros meses de uso e é consideravelmente menor do que o observado na gravidez e no período pós-parto precoce (5 a 6 por 10 mil mulheres-ano). 

O risco absoluto é maior entre mulheres com condições associadas, como trombofilia, tabagismo, obesidade, hipertensão, diabetes, idade avançada e imobilização pós-cirúrgica. 

No momento de prescrição de método contraceptivo, é de fundamental importância se atentar a esses fatores de risco e que contraindicam o uso do método. Vamos falar mais sobre isso mais para frente no tópico sobre critérios de elegibilidade dos métodos contraceptivos.

Infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral

A redução no conteúdo de estrogênio, desde o surgimento dos contraceptivos hormonais combinados, aumentou a segurança de seu uso. Então, os eventos trombóticos arteriais (infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral) são raros entre os usuários deste método. 

O risco absoluto de acidente vascular cerebral em uma mulher jovem é baixo, de 5 a 10 por 100.000 mulheres-ano. Ele dobra em mulheres que usam contraceptivo hormonal combinado, mas se mantém como um risco baixo (aumenta de 0,01% para 0,02%). 

No entanto, é importante lembrar e reforçar que os riscos absolutos de eventos trombóticos arteriais são menores com o uso de contraceptivo hormonal do que durante a gravidez ou o período pós-parto, assim como os riscos de tromboembolismo venoso.

Risco de câncer ginecológico

Outro grande medo relacionado ao uso hormonal é o risco de desenvolver câncer. Porém, os contraceptivos hormonais combinados não aumentam o risco geral de câncer. 

Dois grandes estudos internacionais avaliaram os riscos e benefícios do uso de contraceptivos hormonais combinados relacionados a câncer a longo prazo. 

Os estudos eram o Royal College of General Practitioners’ Oral Contraception Study, que observou 46.000 mulheres, e o UK Biobank Study, que observou 256.661 mulheres. 

Nesses estudos, notou-se que o uso de contraceptivos hormonais combinados foi associado à proteção contra câncer de ovário, endométrio e colorretal. 

Já o risco de câncer de mama e do colo do útero aumentou temporariamente com o uso atual de contraceptivos hormonais combinados, mas essa associação desapareceu dentro de dois a cinco anos após a descontinuação. 

Portanto, foi superada pelos efeitos oncoprotetores acima, que persistiram por mais de 30 anos em ambos os estudos.

É importante ponderar que, nesse caso, estamos falando de pacientes sem histórico de câncer. Para mulheres com histórico pessoal de câncer de mama, os contraceptivos hormonais combinados não são recomendados. 

No entanto, mulheres com genes de suscetibilidade ao câncer de mama (como BRCA) ou histórico familiar de câncer de mama podem usar contraceptivos orais combinados (COCs) com segurança.

Como evitar os riscos do anticoncepcional oral combinado? 

Caso você queira fazer uso de contraceptivo hormonal combinado é importante receber avaliação médica para saber se você não tem nenhuma contraindicação. 

A World Healthy Organization (WHO) criou critérios de elegibilidade para uso de métodos contraceptivos, de acordo com as características individuais, antecedentes pessoais ou comorbidades vigentes. 

Sendo assim, foram categorizados todos os métodos contraceptivos segundo a sua elegibilidade para uso através de 4 categorias. São elas:

  • Categoria 1: Pessoa apresenta uma condição para a qual não há restrição de uso do método anticoncepcional.
  • Categoria 2: Pessoa apresenta uma condição em que as vantagens de usar o método geralmente superam o risco teórico ou comprovado, ou seja, seu uso é permitido.
  • Categoria 3: Pessoa apresenta uma condição em que os riscos teóricos ou comprovados geralmente superam as vantagens de usar o método, ou seja, deve-se evitar o uso e preferir utilizar outros métodos.
  • Categoria 4: Pessoa apresenta uma condição de saúde inaceitável para uso do método, sendo de alto risco.

Através desses critérios de elegibilidade, é possível adequar o melhor método para cada tipo de pessoa, minimizando riscos de uso do anticoncepcional hormonal combinado. 

Com base nos dados da WHO, algumas das contraindicações (categorias 3 ou 4) para uso de métodos contraceptivos hormonais combinados são:

  • Idade maior ou igual a 35 anos e fumar 15 ou mais cigarros por dia;
  • Dois ou mais fatores de risco para doença cardiovascular arterial (como idade avançada, tabagismo, diabetes e hipertensão);
  • Hipertensão arterial descompensada;
  • Histórico de tromboembolismo sem tratamento atual ou evento tromboembólico recente;
  • Mutações trombogênicas conhecidas: Trombofilias;
  • Doença cardíaca isquêmica;
  • Histórico de acidente vascular cerebral;
  • Doença cardíaca valvular complicada (hipertensão pulmonar, risco de fibrilação atrial, história de endocardite bacteriana subaguda);
  • História pessoal de câncer de mama;
  • Doenças hepáticas: Cirrose, Adenoma hepatocelular ou hepatoma maligno;
  • Enxaqueca com aura.

Portanto, os métodos contraceptivos hormonais apresentam riscos relacionados ao seu uso, porém, algumas pessoas têm maior propensão a complicações com o uso do anticoncepcional hormonal combinado. 

Esses riscos podem ser contornados por meio de uma consulta médica completa e da escolha do método contraceptivo mais adequado, individualizando seu uso.

Curtiu saber mais sobre os riscos do anticoncepcional hormonal combinado?

Depois de todas essas informações sobre os riscos do anticoncepcional hormonal combinado, lembre-se de que uma anamnese muito bem feita e um exame físico minucioso são importantes para manejar qualquer paciente, independente da queixa. 

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