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Laqueadura tubária: tudo que você precisa saber

Fala, galera! Hoje vamos revisar um tema muito importante na Ginecologia: a laqueadura tubária, uma forma de esterilização cirúrgica definitiva feminina. 

Esse tema é de extrema relevância, pois evitar gravidezes não planejadas é uma maneira significativa de promover saúde e reduzir a mortalidade materna e infantil. 

A laqueadura tubária é um método contraceptivo escolhido por muitas mulheres, porém ele possui detalhes importantes, como quando e quem pode realizar. Além disso, é um procedimento cirúrgico que possui riscos, assim como todas as cirurgias, e, na maioria das vezes, não se pode garantir sua reversão.

Portanto, é importante revelar esses detalhes para a paciente, além de mostrar outras opções anticoncepcionais reversíveis para que ela possa fazer sua escolha da forma mais consciente possível. 

Saiba mais sobre a laqueadura tubária
Saiba mais sobre a laqueadura tubária

Para começar… 

A anticoncepção representa um avanço na medicina e na sociedade, pois possibilita que os casais decidam quando e quantos filhos desejam ter. 

Existem vários métodos anticoncepcionais na atualidade e a paciente deverá escolher o método que se adapta mais às suas necessidades e escolhas, considerando os efeitos colaterais e a praticidade de cada contraceptivo. 

O grande objetivo da anticoncepção é evitar gestações não planejadas, pois elas acarretam riscos para as gestantes e para os fetos. No Brasil, até 45% das gestações não são planejadas, e isso é um índice preocupante de assistência à saúde. 

A gestação requer cuidados especiais e atenção particular, até uma simples analgesia pode ser diferente na gestante. Vamos aproveitar para relembrar os analgésicos permitidos na gestação? Basta clicar neste post!

Portanto, o planejamento familiar é muito importante e deve ser oferecido a todas as pacientes que possuem vida sexual ativa. Existem diversos métodos contraceptivos e cada um deles tem seus prós e contras. 

O ideal é avaliar a paciente como um todo e expor a ela as características de cada um dos métodos disponíveis, para que ela escolha o que mais se adapta à sua realidade e expectativa. 

Características da laqueadura tubária

Gente, a laqueadura tubária é um método contraceptivo cirúrgico definitivo e, na maioria das vezes, irreversível. Nesse procedimento, as tubas uterinas são ligadas e seccionadas, impedindo que o óvulo encontre o espermatozoide. Portanto, impede-se a ocorrência da fecundação e da gestação.

Cerca de 30% das mulheres em união estável e 10% das pacientes sexualmente ativas solteiras optam pela laqueadura tubária como método contraceptivo. Ela pode ser feita por laparotomia, cirurgia videolaparoscópica ou pelo fundo de saco vaginal. 

A videolaparoscopia, atualmente, é o padrão-ouro para o procedimento, uma vez que possui tempo cirúrgico mais breve, menor morbidade, cicatrização mais estética e recuperação mais veloz. 

Suas chances de sucesso são altas, e o índice de Pearl (índice de falha) das diferentes técnicas de laqueadura tubária é de 0,1 a 0,3 por 100 mulheres ao ano. 

É fundamental aconselhar a paciente antes do procedimento, pois aproximadamente 14% das pacientes se arrependem de ter realizado a laqueadura tubária. 

As pacientes mais jovens, sem filhos e sem união conjugal se arrependem mais, sendo assim, o aconselhamento é muito importante para esclarecimento do procedimento. 

É imprescindível reforçar as recomendações e salientar sobre a irreversibilidade do método, principalmente para pacientes nuliparas. 

Em alguns casos, pode-se tentar reverter a laqueadura, porém, não é garantido que a reversão vai dar certo, porque a tuba pode sofrer alterações, formar aderências e fibrose cicatricial que impossibilitam a recanalização das tubas uterinas.

Laqueadura tubária no Brasil

Pessoal, em nosso país, a regulamentação desse procedimento ocorreu através da  

Lei  Nº  9.263, em 12 de Janeiro de 1996, depois de muitas discussões entre a sociedade civil, os supervisores de políticas públicas, as igrejas e os conselhos profissionais. 

Os principais aspectos da Lei da Laqueadura são: 

Somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações:

I – em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e  cinco  anos  de  idade  ou,  pelo  menos,  com  dois  filhos  vivos,  desde  que  observado  o  prazo  mínimo  de  sessenta  dias  entre  a  manifestação  da  vontade  e  o  ato  cirúrgico,  período  no  qual  será  propiciado  à  pessoa  interessada  o  acesso  ao  serviço  de  regulação  da  fecundidade,  incluindo  aconselhamento  por  equipe  multidisciplinar,  visando  a  desencorajar a esterilização precoce;

II – risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos.

§ 1º É condição para que se realize a esterilização o registro  de expressa manifestação da vontade em documento escrito e firmado, após  a  informação  a  respeito  dos  riscos  da  cirurgia,  possíveis  efeitos colaterais,  dificuldades  de  sua  reversão  e  opções  de  contracepção reversíveis existentes.

§ 2º É vedada a esterilização cirúrgica em mulher durante os períodos de parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores.

§  3º  Não  será  considerada  a  manifestação  de  vontade,  na  forma  do  §  1º,  expressa  durante  ocorrência  de  alterações  na  capacidade  de  discernimento  por  influência  de  álcool,  drogas,  estados  emocionais  alterados ou incapacidade mental temporária ou permanente.

§  4º  A  esterilização  cirúrgica  como  método  contraceptivo  somente  será executada através da laqueadura tubária, vasectomia ou de outro método cientificamente aceito, sendo vedada através da histerectomia e ooforectomia.

§  5º  Na  vigência  de  sociedade  conjugal,  a  esterilização  depende  do  consentimento expresso de ambos os cônjuges.

§  6º  A  esterilização  cirúrgica  em  pessoas  absolutamente  incapazes  somente  poderá  ocorrer  mediante  autorização  judicial,  regulamentada  na forma da Lei. 

O ato de desencorajar a esterilização precoce

A lei claramente expõe que a paciente que deseja realizar esterilização cirúrgica deve ser aconselhada por uma equipe multidisciplinar para desincentivar a laqueadura tubária precoce. 

Isso é muito importante, pois a laqueadura tubária é um procedimento cirúrgico que possui riscos, como qualquer outro procedimento. Existem riscos de infecção, sangramento e lesão de órgãos pélvicos. 

Além disso, existem pacientes que se arrependem da esterilização cirúrgica e procuram atendimento para reversão do método, que nem sempre é possível. 

Os principais fatores relacionados ao arrependimento da laqueadura tubária são a realização precoce do procedimento, escassez de informações sobre os contraceptivos reversíveis e dificuldade de acessos aos métodos reversíveis.  

Portanto, é fundamental que o aconselhamento das pacientes que desejam realizar esterilização cirúrgica seja amplo, claro e acessível. A equipe de saúde assistente da paciente deve expor os riscos da cirurgia, os possíveis efeitos colaterais e a dificuldade de reversão. 

Além disso, deve expor e esclarecer dúvidas sobre os métodos contraceptivos reversíveis, como anticoncepcionais orais, injetáveis, implantes subdérmicos e dispositivos intrauterinos

Se a paciente possuir mais de 25 anos ou tiver pelo menos 2 filhos vivos, ela pode manifestar seu desejo pela laqueadura tubária e iniciar o processo para realizar o procedimento. 

No entanto, inicialmente, ela deve ser desencorajada de realizar a esterilização precoce e avaliada por uma equipe multidisciplinar. Cabe à equipe informar a paciente sobre outras opções contraceptivas e ao poder público ofertar os métodos reversíveis para que ela tenha uma decisão esclarecida. 

Depois da manifestação do desejo da laqueadura tubária, a paciente será avaliada por uma psicóloga, enfermeira ou assistente social para esclarecer dúvidas sobre outros métodos anticoncepcionais e ser informada dos riscos cirúrgicos, como sangramento, lesão visceral, infecção, dor pélvica e tromboembolia. 

Ademais, a paciente será informada sobre o índice de falha, chances de arrependimento, risco de gravidez ectópica e possibilidade de alteração do padrão menstrual. 

Se após esse aconselhamento a paciente optar pela laqueadura tubária, ela deve assinar um termo de consentimento e, se houver sociedade conjugal, o parceiro também deve assinar o termo que declara conhecimento sobre o caráter definitivo do procedimento e existência de outros contraceptivos não definitivos. 

Depois de dois meses (prazo estipulado por lei), o procedimento escolhido pela paciente conscientemente poderá ser realizado. 

Para concluir

O planejamento familiar é muito importante para evitar gestações não planejadas que conferem riscos para a gestante e para o feto. Existem diversos métodos contraceptivos reversíveis e há a esterilização cirúrgica, que deve ser abordada como um método irreversível. 

A laqueadura tubária é um método anticoncepcional definitivo, seguro e efetivo, com baixo índice de falha. Existem riscos cirúrgicos inerentes ao procedimento, como sangramento, lesão de órgãos adjacentes e infecção e a paciente tem que estar ciente disso. 

No Brasil, mulheres com pelo menos 25 anos ou dois filhos vivos podem realizar laqueadura tubária, desde que haja diferença de 60 dias entre a manifestação do desejo e a realização do procedimento. 

Porém, antes da cirurgia, elas devem ser aconselhadas e desencorajadas a realizar a esterilização precoce. Pacientes com menos de 30 anos e sem união conjugal devem ser especialmente orientadas a refletir sobre a escolha do método, pois elas são o grupo de pacientes com maior taxa de arrependimento. 

É muito importante recordar que a esterilização cirúrgica não deve ser realizada durante o parto ou aborto, com exceção para casos com necessidade comprovada, como múltiplas cesáreas anteriores ou quando uma gestação futura acarreta risco de vida para a mãe e/ou para o feto. 

Portanto, na maioria das vezes, a laqueadura tubária deve ser feita fora do ciclo gravídico-puerperal, de forma eletiva e programada, após aconselhamento e assinatura de termo de esclarecimento e consentimento. 

A técnica e a via da cirurgia devem ser escolhidas em conjunto pela paciente e pelo médico, levando em conta a capacitação profissional, os custos e as expectativas da paciente. 

Curtiu saber mais sobre a laqueadura tubária? 

É isso, pessoal! Esperamos que tudo tenha ficado claro e que você tenha compreendido o conteúdo!

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Referências

  • Freitas, Menke, Rivoire & Passos – Rotinas em Ginecologia – 6. ed.
  • https://www.sbgm.org.br/Uploads/j7MnUxwQzf_04_02_2020-17_09_57_74.pdf
  • https://central3.to.gov.br/arquivo/494569/
  • https://www.sogesp.com.br/noticias/laqueadura-informacoes/

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MarinaNobrega Augusto

Marina Nobrega Augusto

Paulista, nascida em Ribeirão Preto em 1994. Formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) em 2019. Atualmente, residente do segundo ano de Ginecologia e Obstetrícia na EPM-UNIFESP. "Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo." - Paulo Freire.