A população em situação de rua no Brasil vive uma realidade marcada por múltiplas vulnerabilidades: insegurança alimentar, exposição ao frio e à violência, dificuldade de acesso à higiene, moradia, documentação, trabalho e, claro, saúde. Nesse contexto, o atendimento médico voluntário nas ruas surge como uma estratégia essencial para ampliar o acesso ao cuidado.
Ele não substitui o sistema público de saúde, mas atua como uma ponte importante entre pessoas em situação de vulnerabilidade e os serviços de saúde. Mas como é, na prática, atender fora do ambiente hospitalar? Quais são os desafios de examinar, orientar e tratar pacientes em plena rua, muitas vezes com poucos recursos e múltiplas demandas acumuladas?
Para responder a essas perguntas, trouxemos relatos do Loic Monginet, coordenador da ONG Médicos do Mundo, médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e residente de Infectologia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP.
O atendimento médico voluntário nas ruas é uma forma de cuidado em saúde voltada principalmente para pessoas em situação de rua ou em extrema vulnerabilidade social. Ele pode ser organizado por ONGs, coletivos independentes, projetos universitários, iniciativas religiosas, grupos multiprofissionais ou ações vinculadas a políticas públicas.
Esse modelo de atuação exige uma visão ampliada de saúde. Afinal, muitas das condições atendidas nas ruas têm relação direta com determinantes sociais, como falta de moradia, alimentação inadequada, exposição a infecções, ausência de saneamento, dificuldade de armazenar medicamentos e barreiras para chegar a uma UBS, pronto-socorro ou ambulatório.
Por isso, a medicina voluntária nesse contexto costuma envolver equipes multiprofissionais. Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogos, farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, biomédicos, estudantes e outros voluntários atuam de forma integrada para oferecer um cuidado mais completo.
A dinâmica de uma ação de saúde nas ruas depende da organização responsável, do local, da equipe disponível e dos recursos do dia. Em geral, há uma preparação prévia com materiais, insumos, medicamentos, testes rápidos, equipamentos básicos e divisão de fluxos de atendimento.
No caso da ONG Médicos do Mundo, em São Paulo, a ação começa antes mesmo da chegada dos pacientes:
“O dia da equipe Médicos do Mundo São Paulo começa cedo, às 8h nos encontramos no depósito onde fazemos o carregamento do caminhão e dos carros com a infraestrutura da ação. Trazemos todos os materiais até o local de atendimento, onde se encontra a população que iremos prestar atendimento.
O horário de chegada e encontro dos voluntários é às 9h30, justamente no momento quando terminamos a montagem e nos reunimos com todos profissionais e estudantes de todas as áreas, para os avisos gerais do dia explica”, Loic.
A equipe é formada por diferentes áreas da saúde, o que permite atender demandas variadas e organizar o cuidado de forma integrada:
“Nossa equipe é formada por profissionais de diversas áreas da saúde, e seus respectivos estudantes, temos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, biomédicos, farmacêuticos, fisioterapeutas e psicólogos.
Também contamos com profissionais da saúde não humana, como a equipe de médicos veterinários de rua. Com tudo isso, em cada ação explicamos quais áreas temos e quais insumos disponíveis no dia, como quais testes rápidos ISTs, anticoncepcionais, acupuntura etc”, comenta Loic.
O fluxo costuma começar pela triagem. Nessa etapa, são aferidos sinais vitais, identificadas prioridades e direcionados os pacientes para os profissionais mais adequados. As demandas podem incluir desde queixas agudas até doenças crônicas não diagnosticadas ou descompensadas.
“Os atendimentos ocorrem de modo que o paciente passe por todos os profissionais que precisa, seguindo o fluxo que começa na triagem. Logo no início, aferimos os sinais vitais e priorizamos os pacientes, ou animais, que precisam de atendimento médico com prioridade.
As demandas atendidas são múltiplas, desde comorbidades não diagnosticadas, como hipertensão e diabetes, como intercorrências agudas das mesmas patologias, resultado da falta de acesso a saúde e condições dignas de moradia dessa população.
Doenças infectocontagiosas também são um grande desafio, principalmente infecções de vias aéreas, como pneumonias, tuberculose, que exigem isolamento respiratório num contexto em que não há “quarto” disponível para os que necessitam.
Lesões de pele e partes moles, traumáticas, também são comuns, e exigem cuidados locais e curativos pela equipe de enfermagem, e manejo clínico pela equipe médica. Na biomedicina são realizados testes rápidos ISTs, que podem receber tratamento antibiótico inicial ou completo, já pelo farmacêutico da Mdm”, detalha Loic.
Além dos profissionais formados, estudantes de Medicina também participam do atendimento, sempre supervisionados. Essa vivência é importante tanto para a formação técnica quanto para o desenvolvimento de uma escuta mais cuidadosa.
“Os alunos são estimulados a fazerem o primeiro atendimento, sempre sob supervisão de profissionais formados, e depois discutirem o caso, incluindo o paciente na tomada de decisão, que por muitas vezes não será de fácil conciliação, as condutas necessárias com os recursos disponíveis”, explica Loic.
O atendimento à população em situação de rua exige preparo técnico, mas também sensibilidade. O primeiro cuidado é compreender que a pessoa atendida pode carregar histórias de exclusão, violência institucional e desconfiança em relação aos serviços de saúde.
A abordagem precisa ser humanizada e sem julgamento. Chamar pelo nome, se apresentar, explicar o motivo da abordagem, respeitar recusas e ouvir a queixa principal do paciente são atitudes fundamentais.
Loic explica que, nas ações do Médicos do Mundo, o atendimento costuma ocorrer próximo a locais onde há concentração de pessoas em situação de rua, com demanda espontânea:
“Nas ações do Médicos do Mundo montamos a infraestrutura num local próximo à uma concentração de pessoas em situação de rua, de modo que grande parte dos atendimentos acontece por demanda espontânea.
Ao identificar a possibilidade de atendimento, o paciente trará uma demanda em saúde que lhe é uma prioridade e que, durante o atendimento, deve ser mantida em foco, uma vez que permite a formação de vínculo e melhor investigação dessa e de outras queixas que podem surgir com a conquista de confiança pelo profissional.”
A criação de vínculo passa por gestos simples, mas muito significativos:
“Por vezes é necessário quebrar alguns estereótipos que dificultam o vínculo com o paciente. Chamar pelo nome, encostar, cumprimentar, olhar no olho, são gestos que mostram que não temos repulsa, e sim respeito e atenção pelo que o paciente tem a dizer.
Ouvir ativamente e investigar o contexto de vida do paciente é essencial para a descoberta de problemas que não são trazidos espontaneamente, mas podem estar relacionados também com a queixa principal”, relata Loic.
Outro ponto essencial é a segurança. Isso vale tanto para o paciente quanto para o profissional. Em ações com busca ativa, por exemplo, é importante escolher um local adequado, evitar áreas de grande fluxo e sempre iniciar a abordagem com respeito.
“Em alguns contextos de atendimento fazemos busca ativa de pacientes, dessa forma alguns cuidados devem ser tomados na abordagem de pacientes na rua.
Primeiramente segurança deve ser uma prioridade, da mesma forma que essa é uma preocupação para a pessoa em situação de rua, também deve ser para o profissional que presta o atendimento, desse modo o atendimento deve ser feito preferencialmente num local seguro, e sem estar proximo a fluxo intenso de pessoas, que permita a segurança de ambos.
Quando feita a abordagem deve-se iniciar pela apresentação, nome, profissão e motivo pelo qual estamos abordando o paciente, assim oferecemos um atendimento de forma respeitosa, entendendo também que a pessoa pode não querer atendimento naquele momento”, explica.
Atender nas ruas é muito diferente de atender em um pronto-socorro, ambulatório ou hospital. No ambiente hospitalar, o médico costuma contar com estrutura física, exames complementares, equipe de apoio, prontuário, leitos, medicamentos, privacidade e maior controle do ambiente.
Na rua, os recursos são mais limitados. Isso exige raciocínio clínico apurado, criatividade, organização e capacidade de tomar decisões considerando o que é possível naquele contexto. Segundo Loic:
“Os recursos que temos disponíveis num hospital não só melhoram nossa capacidade diagnóstica e de tratamento, mas também nos dão algo que percebemos pouco, como a capacidade de prover silêncio (do ambiente) durante um atendimento, conforto num local que o paciente considere seguro, privacidade, ausência de interrupções.
Reconhecendo isso, no atendimento na rua desenvolvemos habilidades objetivam também entregar isso, com menos recursos, ou seja, refinamos e relembramos diagnósticos clínicos e critérios necessários para iniciar tratamentos, improvisamos ‘consultórios’ necessários para atendimentos com mais privacidade, nos organizamos espacialmente distantes de fluxos de pessoas e em locais seguros.”
Outra diferença importante é a relação de confiança. No hospital, o paciente muitas vezes reconhece a instituição como referência. Na rua, os médicos voluntários precisam construir essa confiança desde o início.
“Também precisamos entender que não se tendo o respaldo de uma instituição conhecida, como um hospital, para a confiança do paciente, isto é, não somos os ‘profissionais do hospital X’, somos estranhos uniformizados que vieram oferecer atendimento, precisamos nos empenhar para conquistar essa confiança, mostrando disposição para ajudar a resolver problemas que parecem irresolvíveis”, explica Loic.
Também muda o tipo de demanda. No hospital, é comum haver separação entre atendimento ambulatorial e urgência. Nas ruas, essas demandas aparecem juntas, muitas vezes no mesmo paciente.
“O atendimento também difere no tipo de demanda, onde nos hospitais é estratificada em cenários de atuação ambulatorial e de urgência, ao passo que no atendimento de rua essas demandas vêm em conjunto.
Dito isso, é pela falta de longitudinalidade no acesso à saúde dessa população que é necessário prezar pelo atendimento de demandas de ambos os espectros, o que torna o atendimento mais complexo.
É o próprio controle de comorbidades e prevenção em saúde que vão evitar novas intercorrências agudas, numa população que tem dificuldade de acessar serviços de saúde quando precisa”, detalha Loic.
Na condução do atendimento, a escuta ativa ganha ainda mais importância. Pequenos detalhes da história podem revelar problemas que o paciente não traria espontaneamente.
“Talvez uma diferença importante seja na atenção durante a escuta ativa do atendimento, atenção a pequenos detalhes na história que podem levar a outras linhas investigativas, ou conversas necessárias.
Uma necessidade que surge na condução do caso é organizar o grande volume de demandas e condutas necessárias para apenas 1 atendimento, dessa forma elencar prioridades com o paciente, e revisar o plano de cuidados algumas vezes em conjunto é importante para o sucesso e seguimento de todas as condutas necessárias”, explica Loic.
Os desafios da saúde nas ruas vão muito além da consulta. Muitas vezes, o médico identifica problemas que não podem ser resolvidos apenas com uma prescrição ou um encaminhamento.
Grande parte das demandas atendidas nas ruas está relacionada a condições de vida precárias. A falta de moradia, alimentação, saneamento, segurança e acesso contínuo à saúde interfere diretamente no adoecimento e na possibilidade de tratamento.
Como orientar repouso para alguém que não tem casa? Como tratar uma doença que exige refrigeração de medicamentos quando o paciente não tem geladeira? Como garantir retorno em um serviço se a rotina de sobrevivência impede esse deslocamento?
Loic resume esse dilema:
“Os maiores desafios com certeza são tratar de problemas que são consequência de uma raíz que não é possível de ser abordada apenas garantindo saúde, isto é, problemas de saúde que surgem por falta de políticas públicas de acesso a moradia digna, saúde de qualidade, educação, segurança e emprego.
Como fazer o isolamento respiratório adequado de um membro de uma família que vive em situação de rua? Como fazer o uso de insulina, sem geladeira/refrigerador? Como garantir acesso à UBS, ao paciente que trabalha recolhendo latinhas, ou que trabalha do outro lado da cidade, das 7h as 20h, e quando volta, a UBS está fechada?
Infelizmente esses problemas não são resolvidos com oferta só de saúde in loco para a população, mas são diminuídos, ainda que em muito menor grau do que necessário.”
Na medicina de rua, uma conduta só faz sentido se for possível para aquele paciente. O plano terapêutico precisa ser construído em diálogo, considerando a realidade concreta da pessoa, seus horários, seus recursos, sua rede de apoio e suas prioridades.
“A melhor maneira de lidar com esses e outros desafios é no diálogo com a população, e especificamente com o contexto individual de cada paciente, uma vez que pessoas vivendo em situação de rua, apesar da designação comum, não são um grupo homogêneo, com o mesmo contexto de vida, e sim pessoas que vivem num contexto semelhante, com trajetórias individuais singulares e diversas.”
Essa vivência também transforma a formação médica. Estudantes aprendem na prática sobre semiologia, farmacologia, tomada de decisão, comunicação, vínculo, trabalho em equipe e responsabilidade social.
“[…] o aluno aprende desde cedo a importância de garantir as condições necessárias para que o paciente de fato receba seu tratamento e consiga ter os segmentos necessários no seu cuidado, que vai muito além de entregar um encaminhamento.
Também ocorrem discussões importantes de farmacologia, uma vez que posologias e interações medicamentosas fazem ainda mais diferença nesses contextos. E por fim, o aluno também aprende desde cedo a importância do cuidado multiprofissional, uma vez que a saúde vai muito além da medicina.”
Quem atua com atendimento médico nas ruas costuma encontrar histórias que mudam a forma de enxergar a Medicina. Às vezes, uma fala, um diagnóstico ou uma orientação tem um impacto muito maior do que o profissional imaginava inicialmente.
Loic relembra um atendimento que marcou sua prática:
“Durante um domingo de atendimentos na Sé em São Paulo há 3 anos atrás, a fila de pacientes era maior do que os alunos conseguiam atender e alguns médicos se dividiram para iniciar atendimentos por conta própria, sem prévia discussão com os alunos, para conseguirmos atender a todos, e eu fui um deles e atendi o próximo paciente da fila.
A queixa era uma dor na perna direita, há 9 meses, desde um dia que trabalhou fisicamente mais do que o normal, tendo sentido uma dor semelhante a sensação de ter levado uma “tijolada” na perna, que o fez parar de carregar seu carrinho e não ter conseguido chegar a tempo no ferro velho, para a venda do material nesse dia.
Depois de examiná-lo constatei que houve ruptura parcial do soleo e da aponeurose do gastrocnêmio, causando perda de força na flexão plantar e consequentemente na marcha, ainda que o paciente conseguisse andar com uma velocidade normal.
Sem muito preparo na conversa para lhe dar o diagnóstico, após examiná-lo disse que ele tinha provavelmente sofrido essa ruptura, e que poderia fazer fisioterapia ou eventualmente uma cirurgia reconstrutiva, mas a reação dele não foi tão simples quanto aquele diagnóstico me parecia.
Um pouco embotado, o paciente, choroso, expressou o medo de não ser mais funcional e independente para suas atividades, e aquilo significava a impossibilidade da sua única forma de sustento. Nesse momento eu entendi o que aquilo significava no contexto de vida dele, infelizmente tarde demais depois de ter comunicado uma má notícia sem a técnica adequada.
Apesar da tristeza, ele ainda se estimulou um pouco quando, explicando melhor, mostrei que ele poderia se manter funcional e independente a despeito de diferentes possibilidades terapêuticas. Mas esse paciente foi marcante pois me fez entender os diferentes valores que algumas falas e diagnósticos médicos podem ter em populações distintas.”
O relato mostra que o impacto de um diagnóstico depende do contexto de vida de cada paciente. Para uma pessoa em situação de rua, uma limitação física pode significar perda de autonomia, impossibilidade de trabalhar, dificuldade de locomoção e ameaça direta à sobrevivência.
Esse é um dos grandes aprendizados da medicina de rua: não existe cuidado efetivo sem compreender a realidade de quem está sendo cuidado.
O atendimento médico voluntário nas ruas é uma experiência que desafia o médico a exercer a clínica em sua essência: escutar, examinar, criar vínculo, raciocinar com poucos recursos e construir condutas possíveis junto ao paciente.
A medicina de rua exige presença, atenção e respeito. O médico precisa escutar com calma, compreender a prioridade do paciente e adaptar sua conduta ao contexto apresentado.
Ao atender nas ruas, o profissional percebe com mais clareza como moradia, renda, alimentação, trabalho, segurança e acesso aos serviços influenciam diretamente o processo de adoecimento.
Esse tipo de vivência contribui para formar médicos capazes de atuar em cenários diversos, inclusive fora da estrutura ideal de um hospital ou ambulatório.
O atendimento médico nas ruas mostra que a saúde nesses locais também um espaço de aprendizado, troca e transformação. Para quem recebe o atendimento, pode representar acesso, acolhimento e orientação. Para quem atende, pode significar uma mudança profunda na forma de praticar Medicina.
Nesse contexto, a parceria entre a Medway e a ONG Médicos do Mundo nasce com um objetivo claro: transformar conhecimento médico em cuidado para quem mais precisa. A iniciativa aproxima estudantes e médicos de uma atuação prática, humanizada e socialmente comprometida, levando saúde, escuta e acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
A ONG Médicos do Mundo é uma iniciativa que promove atendimento humanitário a pessoas que, muitas vezes, não teriam acesso a cuidados de saúde de outra forma. Por meio de ações nas ruas, ela atua diretamente com populações vulneráveis, oferecendo atendimento, orientação e acolhimento em cenários desafiadores.
Nessa parceria, a Medway oferece uma trilha gratuita de treinamento no app, pensada para capacitar estudantes e médicos a atuarem em campo com mais segurança, empatia e preparo técnico. A proposta é unir teoria e prática, ajudando os participantes a desenvolverem habilidades médicas e sociais essenciais para o atendimento médico nas ruas.
Participar da trilha e das ações da Médicos do Mundo é uma oportunidade de aprender além da teoria. A experiência permite desenvolver uma formação mais prática e humanizada, com contato direto com situações reais de cuidado em saúde.
Além disso, a atuação em campo prepara o estudante ou médico para lidar com cenários desafiadores, nos quais é preciso tomar decisões com recursos limitados, escutar com atenção, adaptar condutas e construir vínculo com o paciente.
A iniciativa também permite fazer parte de uma rede de transformação social, levando atendimento e acolhimento a quem mais precisa. Em alguns casos, a participação pode ainda ser utilizada como horas de extensão, conforme os critérios da instituição de ensino de cada participante.
Professora de Clínica Médica da Medway. Formada pela Unichristus, com Residência em Clínica Médica no Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara. Siga no Instagram: @anaalcantara.medway