Tratamento de pneumonia: tudo que você precisa saber

E aí, você domina o tratamento de pneumonia?

Pneumonia é uma condição clínica muito comum na nossa vida acadêmica e prática médica! É muito provável que você já tenha se pegado pensando nos algoritmos de manejo: “qual a melhor escolha de ATB?”; “peço ou não radiografia pra todo mundo?”; “e as culturas, peço ou não peço?”.

Pois é, nós sabemos. Mas relaxa! No post de hoje vamos abordar o tratamento de pneumonia de forma prática para você dominar esse tema de uma vez por todas!

Vamos do começo!

Fluxograma ilustrando o processo de tratamento da pneumonia

Fiz o atendimento de um paciente com febre, taquipneia, com estertores na base do pulmão direito. Logo, penso em Pneumonia. E aí? Faço radiografia de tórax? SIM!

1° ponto: como fazer o diagnóstico

O Rx tórax é indicado para TODOS os pacientes. Ajuda no seu diagnóstico e identifica complicações.

Quadro clínico ok, Rx de tórax confirma o diagnóstico e exclui complicações ok. Vou coletar culturas para identificar o agente etiológico para iniciar o tratamento de pneumonia? DEPENDE.

2° ponto: avaliando a gravidade e definindo modalidade de tratamento de pneumonia

Pacientes com baixo risco (menos de 50 anos, sem comorbidades e sem sinais clínicos de gravidade – PORT I, CURB-65 = 0-1), podem ser conduzidos ambulatorialmente e não necessitam de coleta de exames laboratoriais e culturas.  

Agora, os pacientes com moderado/alto risco (PORT II ou maior, ou CURB-65 = 2-5), que irão precisar de internação hospitalar, necessitam de investigação etiológica por meio das culturas e investigação laboratorial: hemograma, ureia, creatinina, sódio, potássio e glicemia.

Segunda parte do fluxograma de tratamento da pneumonia

3º ponto: decidindo o antibiótico adequado para o tratamento de pneumonia

Bom, agora que sabemos se o tratamento do nosso paciente vai ser ambulatorial ou se vai precisar de internação, precisamos decidir o antibiótico.

a) Paciente com baixo risco: MONOTERAPIA ambulatorial por 5 a 7 dias.

  • Amoxicilina 1g 8/8h.  VO
  • Azitromicina 500mg no 1º dia e depois 250 mg 1x/dia.   VO
  • Claritromicina liberação prolongada 1g/dia (1x/dia).  VO (Opção: Claritromicina 500 mg 12/12h)

b) Paciente com mais de 50 anos ou com comorbidades: solicitar exames laboratoriais + culturas.

c) PORT II:  MONOTERAPIA ambulatorial por 5 a 7 dias.

  • Amoxicilina 1g 8/8h. VO
  • Azitromicina 500mg no 1º dia e depois 250 mg 1x/dia. VO
  • Claritromicina liberação prolongada 1g/ dia. VO

d) PORT III:  TERAPIA COMBINADA por 5 a 7 dias com internação hospitalar por 24-48h.

  • Amoxicilina 1g 8/8h VO +
  • Azitromicina 500mg no 1º dia e depois 250 mg 1x/dia VO ou Claritromicina liberação prolongada 1g/ dia. VO

              MONOTERAPIA por 5 a 7 dias com observação hospitalar por 24-48h.

  • Levofloxacina 750 mg/dia. VO

e) PORT IV: TERAPIA COMBINADA 7 dias de tratamento com internação hospitalar.

  • Ceftriaxone 1-2g ao dia EV +
  • Azitromicina 500mg no 1º dia e depois 250 mg 1x/dia VO/EV ou Claritromicina liberação prolongada 1g/ dia. VO / EV.

              MONOTERAPIA 7 dias de tratamento com internação hospitalar.

  • Levofloxacina 750 mg/dia. VO/ EV.

f) PORT V: TERAPIA COMBINADA 7 dias de tratamento com internação hospitalar em UTI.

  • Ceftriaxone 1-2g ao dia EV +
  • Azitromicina 500mg no 1º dia e depois 250 mg 1x/dia VO/EV ou Claritromicina liberação prolongada 1g/ dia. VO / EV.

              MONOTERAPIA 7 dias de tratamento com internação hospitalar em UTI.

  • Levofloxacina 750 mg/dia. VO/ EV

 Nosso paciente tem risco para infecção por PSEUDOMONAS? Se sim, as seguintes terapêuticas estão indicadas:

  • Piperacilina/Tazobactam 4,5g EV 6/6h
  • Cefepime 2g EV 8/8h
  • Ceftazidime 2g EV 8/8h
  • Meropenem 2g EV 8/8h
  • Imipenem 500mg EV 6/6h

Nosso paciente tem risco para infecção por agentes meticilino-resistentes (MRSA)? SIM?

  • Vancomicina 15mg/kg EV 12/12h
  • Linezolida 600mg EV 12/12h

Nosso paciente tem suspeita de infecção por Influenza? SIM?

  • Oseltamivir 75mg VO 12/12h por 5 dias.

Pronto, agora que estratificamos o risco do paciente e escolhemos o ATB para o tratamento da pneumonia, quais são os parâmetros serão usados para avaliar a resposta terapêutica?

4º ponto: avaliando a resposta terapêutica

Após a introdução do tratamento de pneumonia, é esperada uma melhora clínica entre 48-72h. Na internação hospitalar, assim que o paciente apresentar melhora clínica (sem febre, eupneico, ausência de taquicardia ou hipotensão, SatO2 superior a 90%, retorno ao status mental de base) e possuir capacidade de se alimentar sem ajuda, os antibióticos devem ser trocados de EV para VO e a alta deve ser programada.

E então, para avaliar a resposta terapêutica preciso solicitar radiografia de tórax pós tratamento? NÃO. A melhora radiográfica pode variar de 4 a 12 semanas. Deve-se solicitar Rx de tórax se houver piora dos sintomas mesmo na vigência do tratamento e tomografia de tórax, caso não haja resposta terapêutica adequada.

E aí, já está dominando o tratamento de pneumonia?

Esperamos que o post tenha te ajudado a entender melhor o tratamento de pneumonia! Pouco a pouco, você fica cada vez mais preparado pra qualquer situação.

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Mas enfim, é isso! Até mais!

*Colaborou Amanda Rodrigues Vale, graduanda do 5º ano de Medicina na Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória

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JoséRoberto

José Roberto

Paulista, nascido em 89. Médico graduado pela Universidade de Santo Amaro (UNISA), formado em Clínica Médica pelo HCFMUSP, Cardiologia pelo InCor-FMUSP e Fellow em Aterosclerose pelo InCor-FMUSP. Trabalha em emergências desde o final de 2015, no Hospital Geral do Grajaú, onde participa da formação de médicos residentes.