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Cateter venoso de longa permanência: saiba mais

Cateter venoso de longa permanência - saiba mais
Saiba mais sobre o cateter venoso de longa permanência. Imagem disponível em: https://surgery.ucsf.edu/media/85912/img_lrg.jpg

Fala, pessoal! Hoje vamos falar de algo amplamente utilizado na prática médica: o cateter venoso de longa permanência. Pacientes com necessidade de acesso venoso por período prolongado ou definitivo em situações como hemodiálise, hemoterapia, quimioterapia e nutrição parenteral prolongada necessitam do cateter venoso de longa permanência. Vamos abordar, aqui, os principais pontos sobre esse assunto. 

E aí, bora lá? 

Como são classificados os cateteres?

Os dispositivos de acesso venoso são classificados, geralmente, com base na:

  • duração do uso do cateter (curto, médio e longo prazo (≥14dias);
  • categoria de inserção (central, periférica);
  • local de inserção (jugular, braquial);
  • em que extensão (tunelizado, totalmente implantado).

Os cateteres de longa permanência são produzidos em silicone ou poliuretano, constituídos de lúmen único ou múltiplo, podendo ser semi ou totalmente implantáveis.

Quais são os principais cateteres de longa permanência?

Cateteres centrais de inserção periférica

O nome vem de ICCs, do inglês peripherally inserted central catheters

  • São inseridos por punção de veia superficial, geralmente do membro superior, e seu uso pode ser tanto contínuo ou intermitente;
  • Por serem longos e pouco calibrosos, não são adequados para a infusão de grandes volumes em pequeno espaço de tempo;
  • Têm como vantagem serem facilmente removidos, porém trazem desvantagens em relação a questões estéticas e de conforto.

Cateteres semi-implantáveis 

  • São introduzidos a partir de um orifício de entrada na pele e passados por um trajeto subcutâneo até o sítio de introdução numa veia central, ponto este a partir do qual adentra o espaço intravascular até que sua extremidade atinja a posição próxima à junção átrio-cava;
  • Há dois tipos principais de cateteres semi-implantáveis: um modelo mais maleável e conhecido como Hickman, e outro de maior rigidez, chamado permcath. 

Totalmente implantáveis, conhecido como portocath

  • Sua implantação ocorre por veia periférica ou central e, após passagem por trajeto subcutâneo, conecta-se a um reservatório implantado geralmente sobre a fáscia muscular do local escolhido para a confecção da loja;
  • A grande vantagem é que, como nenhum segmento do conjunto fica exteriorizado, essa categoria de cateter tem menor risco de infecção e maior durabilidade em relação aos semi-implantáveis.

Principais indicações do cateter venoso de longo permanência

PICC é uma excelente opção em casos quando o acesso central for necessário por maior tempo ou o paciente necessita de cuidados domiciliares.

Os cateteres semi-implantáveis de alto fluxo, como o permcath, são indicados em pessoas que necessitam de hemodiálise por período mais prolongado

Cateteres totalmente implantáveis são indicados quando a o paciente necessita de acesso venoso frequente, uso de fármacos vesicantes ou inadequação do sistema venoso periférico. 

A utilização dos cateteres totalmente implantáveis é quase que exclusiva para o tratamento quimioterápico de pacientes oncológicos.

Como o cateter venoso de longa permanência é inserido via central, não há necessidade de troca rotineira, mas deve ser retirado assim que sua indicação estiver resolvida. Além disso, em casos de mau funcionamento, deve-se proceder à troca utilizando-se fio-guia no mesmo acesso e, principalmente, nos casos de suspeita de infecção, o cateter deve ser trocado de sítio.

A técnica de acesso irá depender do vaso selecionado. Em geral, veias superficiais (jugular externa, cefálica, basílica e safena) são acessadas por dissecção, enquanto as profundas (jugular interna, subclávia e femoral) são abordadas por punção. 

A técnica de Seldinger é a mais utilizada na passagem de cateteres venosos independentemente da via escolhida, mas isso é assunto para outro post. 

Principais complicações associadas ao uso do cateter de longa permanência

A infecção é a complicação mais grave associada aos cateteres. De uma forma geral, ela ocorre em cerca de 19% dos pacientes em uso desse dispositivo e o tratamento irá depender do microrganismo presente, do cateter, dos sintomas sistêmicos e do tipo de infecção, como, por exemplo: infecção de corrente sanguínea e infecção de loja. 

Podemos destacar outras complicações, como:

  • Pneumotórax;
  • Hemotórax;
  • Punção arterial inadvertida;
  • Embolização do cateter;
  • Trombose venosa profunda;
  • Mau funcionamento.

Sobre o cateter venoso de longa permanência, é isso!

Viram só quanta utilidade para um cateter? O cateter de longa permanência faz parte da rotina diária do hospital e coloca o paciente em risco imediato por complicações agudas a eles relacionadas e sob risco de complicações a médio prazo. Por isso, a importância do domínio sobre o assunto. 

É isso, pessoal! Esperamos que tudo tenha ficado claro e que você tenha compreendido o conteúdo!

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Referências 

Cateteres venosos totalmente implantáveis: histórico, técnica de implante e complicações”, por Antonio Eduardo Zerati, Nelson Wolosker, Nelson de Luccia e Pedro Puech-Leão

“Infecções em cateteres venosos centrais de longa permanência: revisão da literatura”, por Milton Alves das Neves Junior, Rafael Couto Melo, Adenauer Marinho de Oliveira Goes Junior, Tatiana Rocha Protta, Catarina Coelho de Almeida, Allison Roxo Fernandes, Alexandre Petnys e Edgar Raboni.

“Central venous access devices and approach to device and site selection in adults”, por Vineet Chopra, MD, MSc.

ANESTESIOLOGIA E MEDICINA INTENSIVA AUTORES: AMARAL, JOSE LUIZ GOMES DO | YAMASHITA, AMERICO MASSAFUNI | GERETTO, PEDRO | TARDELLI, MARIA ANGELA | MACHADO, FLAVIA RIBEIRO EDITORA: MANOLE

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AmandaMazetto

Amanda Mazetto

Acadêmica do quarto ano de Medicina na Universidade Nove de Julho pelo FIES e pesquisadora no Instituto do Coração de São Paulo da Faculdade de Medicina da USP