Cateterismo vesical: tudo que você precisa saber

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Quando indicar um cateterismo vesical? Quando contraindicar? Como realizar o procedimento? Quais as complicações envolvidas? Todas essas são dúvidas que vemos como muito recorrentes entre profissionais de saúde que ainda estão entrando no mundo da prática clínica.

Por isso mesmo, nesse post vamos falar um pouco sobre tudo que você precisa saber para mandar bem nos plantões na hora em que for necessário pensar em cateterismo vesical. Bora lá?

Antes de tudo, o que é cateterismo vesical?

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Voltando ao nosso tema, o cateterismo vesical é a introdução de um cateter estéril através da uretra, ou estoma continente, em períodos diários preestabelecidos, e sua remoção após drenagem urinária.

As principais indicações de cateterismo vesical são:

  • Esvaziar a bexiga em casos de retenção urinária aguda ou crônica;
  • Controle do débito urinário;
  • Insuficiência renal pós-renal, por obstrução infravesical;
  • Hematúria;
  • Coleta de urina estéril para exames;
  • Medição do volume residual;
  • Controle de incontinência urinária;
  • Dilatação ureteral;
  • Avaliação da dinâmica do aparelho urinário inferior;
  • Esvaziamento da bexiga antes, durante e após cirurgias e exames;
  • Controle hemodinâmico do paciente crítico.

Além disso, a colocação de uma sonda vesical também pode ser feita para realizar a administração de medicamentos diretamente na bexiga, em casos de infecções graves, por exemplo.

Já em relação às contraindicações, temos:

  • Traumatismo de períneo, com ou sem fraturas de ossos da pelve e uretrorragia;
  • Dificuldade na introdução da sonda;
  • Processos infecciosos graves da região;
  • Falta de cateteres apropriados.

Tipos de sonda vesical

  • Sonda vesical de demora

A sonda vesical de demora é utilizada quando é preciso manter a drenagem contínua de urina por vários dias, semanas ou meses (utiliza a sonda de Foley).

Este tipo de sonda está indicada quando é necessário promover o esvaziamento constante da bexiga, monitorar o débito urinário, fazer o preparo cirúrgico, realizar irrigação vesical ou para diminuir o contacto da urina com lesões de pele próximas à região genital.

  • Sonda vesical de alívio ou intermitente

Ao contrário da sonda vesical de demora, a sonda de alívio não permanece por muito tempo na pessoa, sendo normalmente retirada após o esvaziamento da bexiga.

Este tipo de sonda é mais utilizado para drenar a urina antes de algum procedimento médicos ou para alívio imediato em pessoas com paralisia e retenção urinária crônica, por exemplo. Também pode ser usada em pessoas com bexiga neurogênica, para a obtenção de amostra estéril de urina ou para fazer o exame de urina residual após esvaziamento da bexiga.

Sondas utilizadas para o cateterismo vesical
Sonda uretral e Sonda de Foley

Quando utilizar o cateterismo intermitente?

O cateterismo intermitente pode ser utilizado como modalidade de esvaziamento vesical em diversas doenças que cursam com prejuízo da contração do detrusor ou dificuldade de relaxamento do esfíncter uretral de forma temporária ou definitiva. Apresenta benefícios, tais como a preservação da função do trato urinário superior e redução do refluxo vesicoureteral, além de proporcionar uma maior independência do indivíduo e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida.

O cateterismo urinário é um procedimento amplamente empregado, que beneficia o paciente em várias situações clínicas, apesar das complicações inerentes à sua utilização, tais como infecção do trato urinário (ITUs) de repetição ou persistentes, lesões da mucosa uretral, estenose de uretra e falso trajeto.

Técnicas de cateterismo vesical intermitente

Esse procedimento foi descrito por Lapides em 1972 e padronizado desde a Segunda Guerra Mundial, porém muitos profissionais de saúde apresentam resistência quanto a sua utilização. 

Desde 2002, tem-se empregado a terminologia específica cateterismo uretral intermitente para se referir à drenagem ou aspiração da bexiga ou de reservatório urinário com subsequente remoção do cateter.

Entre os quatro tipos de técnicas de CVI, há a técnica estéril, usada em ambientes cirúrgicos e para elucidação de diagnósticos, que implica adoção de materiais esterilizados, sendo necessária a paramentação com avental e luvas estéreis, além do uso dos equipamentos de proteção individual, como gorro, máscara. Por se tratar de um procedimento complexo e oneroso, apresenta indicação limitada fora do ambiente hospitalar, sendo comumente utilizada durante o período de internação. 

Na técnica asséptica, os seguintes materiais e procedimentos são necessários: cateter estéril; desinfecção ou limpeza dos órgãos genitais; luvas estéreis; podem ser utilizadas pinças; e o uso de lubrificante estéril (se o cateter não for pré-lubrificado). 

A técnica “no-touch”, conhecida como técnica sem toque, utiliza-se de um cateter de pronto uso. 

Já a técnica limpa, ou Cateterismo Vesical Intermitente Limpo (CVIL), é usada apenas por pacientes ou cuidadores em domicílio. Ela consiste na utilização de técnica e material não-estéreis apenas com limpeza das mãos e região genital. Em alguns países, é utilizada somente se uma técnica asséptica não for possível, por exemplo, se o paciente apresentar disfunção cognitiva ou incapacidade funcional. 

Grande parte dos pacientes executa essa técnica de forma independente, sem auxílio de cuidador ou profissional, porém, muitos têm dificuldade na execução adequada no que se refere à frequência recomendada, favorecendo o desenvolvimento de complicações, como a infecção do trato urinário. 

Procedimento

O paciente pode adotar diferentes posições para realizar o cateterismo (sentado, decúbito ou ortostatismo), dependendo das suas limitações físicas e do local onde é realizado o procedimento, desde que mantidos os princípios de limpeza da técnica.

As mulheres podem usar espelho para uma melhor visualização do meato uretral, o que é especialmente importante na fase de adaptação ao procedimento.

O cateter deve ser suficientemente lubrificado, e introduzido suavemente através do meato uretral, da região do esfíncter e do colo vesical, até que haja saída de urina através dele. 

A urina pode ser drenada diretamente no vaso sanitário, ou em qualquer recipiente. O cateter deve ser mantido no local até que o fluxo de urina pare. 

Após isto, o cateter deve ser removido lentamente, enquanto uma manobra de Valsalva é executada, a fim de esvaziar completamente a bexiga.

O número de cateterismos indicado por dia e o calibre do cateter devem ser individualizados. Sabe-se que a frequência para realização do cateterismo pode variar segundo determinados fatores, como a ingestão de líquidos em 24 horas e a capacidade vesical.

O número menor de cateterismos em 24 horas pode resultar em episódios de infecções urinárias, enquanto que, cateterismos muito frequentes podem aumentar o risco de complicações uretrais.

A realização adequada da técnica depende de orientação, treinamento e habilidade. O atendimento por equipe multidisciplinar é recomendado com o objetivo de verificar a correção da técnica e de educar os familiares ou cuidadores sobre a importância de evitar contaminação externa.

Uso de antibióticos

O uso profilático rotineiro de antimicrobianos não está justificado em pacientes assintomáticos.

Não há indicação de solicitar periodicamente exame de urocultura em pacientes que realizam cateterismo vesical intermitente. Episódios de bacteriúria assintomática não devem ser tratados, exceto nos casos em que o paciente venha a ser submetido à alguma manipulação cirúrgica ou endoscópica.

É isso!

Agora sim, você já sabe quando indicar e contra indicar o cateterismo vesical intermitente. Além disso, aprendeu como realizar a técnica de cateterismo vesical de maneira adequada e orientar sua execução!

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AnuarSaleh

Anuar Saleh

Nascido em 1993, em Maringá, se formou em Medicina pela UEM (Universidade Estadual de Maringá). Residência em Medicina de Emergência pelo Hospital Israelita Albert Einstein.