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Colecistite na TC: muito além da ultrassonografia

Fala, pessoal! Tudo bem com vocês? O papo mais comum no diagnóstico por imagem de colecistite é a respeito das ultrassonografias nesta patologia, mas hoje vamos fugir um pouco disto e trataremos da sua abordagem pela tomografia computadorizada!

É importante vocês fixarem inicialmente que a USG será mais sensível para maior parte das colecistites agudas. Então por que estamos tratando da TC neste artigo?! A tomografia computadorizada será muito útil na avaliação das complicações das colecistites e em casos que a clínica não esteja tão evidente!

Assim é sempre necessário vocês saberem quando solicitar e o que esperar de cada um desses exames, otimizando o diagnóstico e tratamento dos pacientes.

Bora lá?!

PRIMEIRAMENTE O QUE É COLECISTITE?

A colecistite nada mais é do que o processo inflamatório da vesícula biliar. A sua forma aguda em geral decorre de obstrução do infundíbulo ou ducto cístico, como causa mais comum de litíase. Lembrando que podemos ter a colecistite aguda alitíasica ou seja sem cálculos, sendo mais frequente em pacientes debilitados em regime de terapia intensiva.

O quadro clínico se apresenta com dor no hipocôndrio direito, febre e leucocitose, sendo que menos da metade dos pacientes apresentarão sinal de Murphy positivo. 

Colecistite na USG: um clássico das provas e da vida

Na ultrassonografia, veremos os clássicos achados de espessamento parietal (seta azul) da vesícula biliar e densificação da gordura adjacente (circundado em vermelho), podendo ter ou não a presença de cálculos (seta roxa e circundado em roxo) e conteúdo espesso (circundado em laranja). 

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Ultrassonografia da Vesícula Biliar -  Colecistite Calculosa
Ultrassonografia da Vesícula Biliar -  Colecistite Calculosa

Afinal, como a colecistite aparece na TC?

Como comentamos anteriormente, a TC vai ser mais utilizada nos casos não tão evidentes de Colecistite e também para avaliar suas complicações. Na TC, a colecistite aguda se apresentará como na USG com espessamento parietal e densificação dos planos gordurosos adjacentes (sendo estes mais evidentes na tomografia). Os cálculos podem não aparecer na TC pois muitas vezes são isodensos ao conteúdo no interior da vesícula.

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Tomografia computadorizada do abdome – cortes coronal e axial.  
https://lh4.googleusercontent.com/OX3L393BSRnqMhB2J3KyQmLtoZhQR7LPDXI3vpuIEt8qpj6nh8Wrbrk8vuq--NUqunI6ooxniWcRtLY0iSG5Bl5b5jeI7MWzO9J0z1xl65WNCPPhr6T_-o7U6uaFEolakF4Bia7C

Notamos no exame acima a vesícula biliar com paredes espessadas (seta azul), com cálculos calcificados (circundados em azul) no seu interior e densificação dos planos gordurosos adjacentes (circundado em laranja), achados que inferem a colecistite litiásica. 

Complicações das Colecistites: onde a TC ganha a liderança

Quando abordamos a avaliação de complicações, a tomografia computadorizada possui muito mais sensibilidade pois possibilita a análise mais ampla das estruturas circunjacentes à vesícula. Como observaremos no caso abaixo:

Fonte: Bennett et al. CT of Acute Gangrenous Cholecystitis. AJR:178, February 2002

Na TC acima observamos o espessamento difuso das paredes da vesícula biliar e densificação dos planos gordurosos (seta branca), inferindo processo inflamatório. Entretanto, nota-se um defeito na parede (seta preta) demonstrando perfuração desta vesícula com formação de abscesso adjacente a ela.

Outra complicação que poderá ser melhor avaliada na TC é a colecistite enfisematosa. É um quadro incomum, que se caracteriza pela presença de gás na parede ou no lúmen da vesícula, inferindo isquemia da mesma com proliferação bacteriana. Em geral, ocorre em pacientes idosos, portadores de diabetes mellitus.

Na imagem observaremos o gás que apresentará baixa atenuação na TC ficando preto (seta azul), como observaremos na imagem abaixo:

https://www.jbsr.be/articles/1130/print/figures/Fig03_web.jpg
Tomografia Computadorizada do abdome (corte axial) – Colecistite enfisematosa
https://lh4.googleusercontent.com/m9Ix6WxVyDUaLQIvU55dTYTJOMXTME3PcLIP-5_tpqWYS1ElzE-_95FE-SfXbINXxt3cPUrPPgrzrCTLPeW0VIsUQEPrFPUhGDm1DyOOV_znXaBRRdoUUgpK02_RFzJ2cEKlI8Yu
Fonte: Ndja, P., Salame, H., Howarth, N. and Tack, D., 2016. Emphysematous Cholecystitis Discovered on a Chest Radiograph. Journal of the Belgian Society of Radiology, 100(1), p.64. DOI: http://doi.org/10.5334/jbr-btr.1130

Considerações finais: sempre saiba o que esperar do exame de imagem

Então, galera na nossa conversa relembramos os achados clássicos da Colecistite. Como ela aparece na ultrassonografia e principalmente como vai ser diagnosticada na TC. O ponto principal que vocês devem levar para a vida é saber as indicações e limitações em cada método. Como comentamos, a ultrassonografia diagnosticará boa parte das colecistites agudas, entretanto terá limitações na avaliação de suas complicações, desta forma sendo necessária a complementação com a TC. Entender como os achados medicina diagnóstica auxiliarão no dia-a-dia de vocês, é um importante diferencial para se tornarem grandes médicos.

É isso, pessoal!

Espero que todos tenham gostado e que tenha acrescentado conhecimento para prática de vocês. Se tiverem ficado dúvidas, podem mandar comentários que a gente responde!

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Pra cima, galera!

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LuisEduardo Souza

Luis Eduardo Souza

Nascido em 93 no meu país que se chama Pará. Graduado em medicina pela Universidade do Estado do Pará e formado em Radiologia e Diagnóstico por Imagem pelo Hospital Porto Dias em 2020. Apaixonado por radiologia, investimentos e interações sociais, não necessariamente nessa ordem.