Como é a residência em Ginecologia e Obstetrícia na USP-RP

Quer fazer residência em Ginecologia e Obstetrícia, mas ainda não sabe em qual instituição? Já falamos bastante aqui no blog sobre onde fazer sua residência médica para te ajudar nessa decisão e até explicamos como essa especialidade funciona na USP-SP. Mas hoje a bola da vez é a residência em Ginecologia e Obstetrícia na USP-RP, a USP de Ribeirão Preto.

Se você já pensou em poder fugir da confusão das grandes cidades, essa pode ser uma boa opção pra você. Ribeirão Preto é uma cidade acolhedora e ensolarada, localizada a 315 km da capital. É lá que está uma das unidades da Universidade de São Paulo (USP). A residência em Ginecologia e Obstetrícia na USP-RP tem estágios para treinamentos de habilidades práticas não apenas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), mas também no Mater (Centro de Referência em Saúde da Mulher). Além disso, os residentes também podem ser direcionados a outros hospitais do complexo.

Com acesso direto e duração de três anos, a residência em Ginecologia e Obstetrícia da USP-RP é uma das mais concorridas de São Paulo, e permite que depois você se aprofunde em várias subespecialidades, como Reprodução Assistida ou Medicina Fetal.

Fachada do HCFMUSP-RP (Créditos: USP-RP/Reprodução)
Fachada do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP)

Mas antes de bater o martelo e dizer sim para esse programa de residência médica, confere aqui a conversa que tivemos com a R3 Mayra e com a Camila e o Rodrigo, que estão no segundo ano, e saiba tudo que o te espera na residência médica em Ginecologia e Obstetrícia da USP-RP!

Joana: Conta um pouco pra mim onde vocês rodam ao longo de toda a residência em Ginecologia e Obstetrícia na USP-RP.

Camila: No centro obstétrico e pré natal no alto e baixo risco, enfermaria de puerpério também no alto e baixo risco; ambulatório de reprodução humana e laboratório de reprodução (ultrassom, captação de gametas, fertilização); ambulatório de patologias obstétricas e especialidades ginecológicas; enfermaria da oncologia e cirurgias; Hospital Estadual Américo Brasiliense; centro cirúrgico da cirurgia ginecológica de alto e baixo risco, uroginecologia, videolaparoscopia, oncologia; unidade de urgência e emergência, ultrassonografia.

Joana: Agora vamos para uma pergunta que a gente sabe que é bastante pessoal, mas todo mundo pergunta. Qual é o melhor estágio da sua residência? Por quê?

Camila: Para mim são os de patologia obstétrica, uroginecologia e cirurgia ginecológica.

Rodrigo:  Eu gosto de toda a parte obstétrica.

Mayra: Obstetrícia de baixo risco é a área que mais gosto de trabalhar. Seguir uma gestação saudável, acompanhar um nascimento respeitoso e presenciar a criação do vínculo da família quando a gestação é desejada é emocionante!

Joana: Há algum médico-assistente que você considere sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê? 

Camila: Sim! A Dra. Carolina Vieira Sales, pelo comprometimento com o ensino, a preocupação pessoal com cada um dos residentes, como se fossem filhos, pelo profissionalismo.

Rodrigo: O Dr. Pedro Sérgio Magnani, excelente cirurgião ginecológico!

Mayra: A Dra. Patricia Melli, médica muito respeitosa e dedicada aos pacientes, se dedica muito ao ensino aos alunos e residentes, muito inteligente e sempre ativa na área de pesquisa.

Joana: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Camila: Há 3 semanas para estágio optativo no R3; há convênio com a Universidade de Melbourne (Austrália), mas é possível realizar em diversos serviços nacionais e internacionais.

Joana: Sua residência, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? Qual é a carga máxima de plantão que você dá na sua residência? Conta pra gente se existe algum período de descanso pré ou pós-plantão.

Camila: Sim, respeita. Os plantões geralmente são de 24h, com folga pós plantão também de 24h. Em semanas de Mater (centro obstétrico de baixo risco), centro obstétrico de alto risco e unidade de emergência, geralmente fazemos rotina de 12h diurno de segunda a sexta, com finais de semana livres. Nossa escala é programada por semana, o que por um lado é bom pelo “espiral de conhecimento”, pois passamos diversas vezes por diferentes cenários; o lado ruim é que a continuidade se perde um pouco, mas não compromete o aprendizado.

Mayra: Não em alguns momentos. A carga horária semanal varia bastante conforme o estágio, podendo variar de 40h a 50h em estágios ambulatoriais a 72h em estágios de urgência. Em uma semana, em geral fazemos 3 plantões de 24h, na pandemia em algumas semanas tivemos que fazer 96h, mas não é o mais comum. Na maior parte das vezes, temos o pós-plantão, a não ser que seja necessária a cobertura de alguém de férias. Nos cronogramas da pandemia foram necessários retirar alguns dos pós-plantão

Joana: De 0 (nada) a 10 (demais), o quanto a residência em Ginecologia e Obstetrícia na USP-RP foca em parte teórica? Quais as principais atividades teóricas que vocês têm?

Camila: Nota 10! Temos aulas de 2h toda semana, dividido em módulos de cada grande área de ginecologia e obstetrícia. Temos o módulo de endocrinologia/reprodução humana, oncologia ginecológica, patologias do trato genital inferior, patologias obstétricas e cirurgia. Às vezes temos 2 aulas de 2h por semana, a depender do módulo.

As aulas, previamente à pandemia, eram presenciais, às 20h, com coffee break às vezes. Agora na pandemia é pelo Google Meet, com aulas gravadas e colocadas em um drive para acesso de todos, inclusive colegas que porventura estivessem de plantão.

Rodrigo: 10! Temos cursos teóricos com aulas semanais, discussões de casos clínicos.

Mayra: Eu dou nota 8. A parte teórica da residência está sendo reestruturada, estamos tendo mais aulas, além das reuniões de departamentos e discussões de casos em reuniões de especialidades, e a previsão é de que iniciemos discussões de artigos também.

Joana: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica?

Camila: Nota 5! 

Rodrigo: Eu dou nota 10! 

Mayra: Minha nota é 5 também! Apesar de estarmos em uma universidade e estarmos em contato com diversas pesquisas que estão ocorrendo, não vejo muito estímulo para a participação dos residentes. A preocupação acaba acontecendo mais no R3 para melhora de currículo para o concurso de R4. Não fazemos TCC na nossa residência.

Joana: Quais os pontos fortes da residência em Ginecologia e Obstetrícia na USP-RP? Dá uma aprofundada pra gente.

Camila: Excelente base teórica, atualizações frequentes, treinamentos práticos frequentes, boa mão prática, grande variedade de procedimentos, privilégio de ter bastante contato com áreas que poucos lugares oferecem (como uroginecologia, por exemplo), chefes atualizados e referência em diversos protocolos, boas referências e indicações para futura colocação no mercado de trabalho, por ser um grande centro de referência

Rodrigo: Muita mão para obstetrícia, ótima base para ginecologia ambulatorial, boa base teórica, volume e fluxo muito altos de pacientes e diversidade de casos.

Mayra: A parte prática da obstetrícia é muito boa, saímos bem capacitados para lidar com plantões obstétricos. Acredito que a nossa formação em ultrassom também seja um diferencial. Mas para mim a melhor parte é o contato com chefes bastante competentes que tem muito a ensinar.

Joana: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Camila: Poderia ser melhor a divisão de atividades específicas para cada ano (R1, R2 e R3), pois algumas vezes a escolha de quem fará o procedimento depende da equipe que está de plantão (alguns R+ “papam” procedimentos de R menos).

Rodrigo: Mão cirúrgica ginecológica precisa melhorar!

Mayra: Poderia melhorar a quantidades de cirurgias…

Joana: A sua residência disponibiliza quais “comodidades” para os residentes?

Camila: Não há moradia para os residentes, também não há auxílio moradia. Em todos os cenários (maternidade, HC, unidade de emergência e Américo brasiliense) há refeitórios gratuitos para os residentes.

Rodrigo: Hospitais com refeitórios disponíveis para os residentes em atividade no dia, com café da manhã, almoço, jantar e ceia.

Joana: Todos vocês, mesmo sendo de São Paulo, devem conhecer alguém de fora que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem? Acham que é possível se inserir bem no mercado?

Camila: A maioria dos ex-residentes que conheço voltou para suas cidades de origem, uma parcela menor permanece em Ribeirão Preto, por ser uma cidade saturada de médicos, com custo de vida mais alto. Todos que conheço tiveram extrema facilidade de se inserir em locais de trabalho.

Rodrigo: Sim, é fácil a inserção no mercado de trabalho, mesmo em outras cidades ou estados.

Mayra: Aqui acontece bastante das pessoas saírem da cidade, pois o mercado não absorve o tanto de médico que se forma aqui, nunca ouvi dizer que alguém teve dificuldade para inserção no mercado de trabalho.

Joana: Última pergunta! Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a residência em Ginecologia e Obstetrícia na USP-RP que a gente não perguntou?

Camila: Acho importante levar em consideração se a pessoa tem interesse de fazer um R+. É sabido que serviços menores, com menos subespecialidades, oferecem menor vivência em termos de variedade de casos e vivências, porém, os residentes gerais acabam fazendo mais procedimentos. Aqui na USP-RP, por ser um serviço grande com muitas subespecialidades, os procedimentos acabam tendo que ser divididos entre R1, R2, R3 e R4 ou R5. Então, se a pessoa não tem interesse em fazer uma sub, um serviço menor não deve ser totalmente “rejeitado”, pois sairá com uma mão boa.

Outra coisa que acho relevante é que aqui pegamos bastante mão de ultrassom, saímos sabendo nos virar em quase qualquer situação sem precisar fazer curso extra ou pós, algo que é um diferencial, pois a grade geral da formação básica de GO não inclui US.

Rodrigo: Sou formado na UFTM e, dentro da USP-RP, tive ótimo acolhimento pelos chefes, colegas da casa e alunos. Boa sorte aos futuros GOs!

Gostou de saber mais sobre a residência em Ginecologia e Obstetrícia na USP-RP?

Aproveita então para conferir nosso artigo sobre quanto ganha um ginecologista!

Se você quer ocupar um lugar no pódio dos aprovados da residência da USP-RP, corre e vem com a gente que ainda dá tempo de se preparar! Já contamos tudo sobre essa prova aqui no blog — e é bom lembrar que ela tem fama de ser bem difícil. Aproveita e dá uma olhada no nosso Guia Estatístico com os seis focos que mais caíram na prova da USP-RP nos últimos anos!

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JoanaRezende

Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.