Carregando

Como é a residência em Radiologia na USP-RP

Escolher a especialidade médica é uma das etapas mais importantes da carreira do médico e envolve habilidades específicas, gostos por procedimentos e afinidades com a área. Tudo isso gera dúvidas e ansiedade, não é mesmo? Para ajudar você nessa jornada rumo à residência dos seus sonhos, vamos conhecer um pouco mais da Residência em Radiologia na USP-RP

Desde 1948, quando foi iniciado o programa de Residência Médica em Radiologia e Diagnóstico por Imagem no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) – essa unidade da Universidade de São Paulo (USP) tem voltado seus olhos para o ensino e pesquisa em medicina, e o melhor: nem é tão longe assim! Fica a noroeste da capital, distante cerca de 315 km apenas. 

A charmosa cidade de Ribeirão Preto vai ser a casa de quem busca essa especialidade de acesso direto, com 3 anos de duração, e que é  uma das mais amplas e requisitadas hoje em dia, já que exames como radiografia, mamografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética são sempre solicitados por outras especialidades médicas para que o diagnóstico seja preciso. A demanda por um profissional treinado para realizar e interpretar com segurança exames de imagem, e também realizar outros procedimentos guiados por imagem como biópsias e arteriografias por cateter, é grande e bem absorvida pelo mercado de trabalho, sabia?

O Victor, que é R3, e a Cecília, que é R2, conhecem bem a realidade de quem vai ser esse profissional  e contaram tudo para gente!  Dê uma olhada nessa entrevista repleta de noções valiosas sobre os estágios e o dia a dia de quem faz Residência em Médica em Radiologia na USP Ribeirão.  Aproveite também, para se inscrever no nosso canal do YouTube e acompanhar, toda semana, as aulas sobre os temas mais cobrados nas provas de residência médica em São Paulo.

Agora bora pra entrevista?

Joana: Vou começar com uma pergunta que a gente sabe que é bastante pessoal, mas todo mundo pergunta. Qual é o melhor estágio da residência em Radiologia na USP RP? Por quê?

Cecília: Nossos estágios são divididos por mês e por áreas: neuro, abdome, tórax, pediatria, musculoesquelético, mama, intervenção, etc, e passamos em todas as áreas desde o R1 até o R3, mas com enfoques diferentes (por exemplo, o R1 vê mais radiografias e o R3 vê mais ressonância magnética). Todos os estágios são bons e com chefes dedicados.

Victor: Pessoalmente, eu gosto do estágio da Radiologia Intervencionista (já que é a área na qual pretendo me subespecializar). Mas, dentro da Radiologia geral, eu gosto muito da área de urgência e emergência. Acredito que na dinâmica do serviço de urgência e emergência, um bom radiologista é fundamental para – primeiramente o paciente – e também para as clínicas solicitantes.

Joana: Há algum médico-assistente que você considere sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê? 

Cecília: Sim, há vários! O conhecimento deles vai muito além das imagens, eles dominam também as manifestações clínicas e os achados patológicos das doenças, além de serem referências nacionais e até mundiais em suas áreas. E tudo isso, sempre buscando se aperfeiçoar mais e mais.

Victor: Sim! O professor Dr. Daniel Abud. O grau de conhecimento e a importância que ele dá para o ensino são admiráveis! 

Joana: Conta um pouco pra mim onde vocês rodam ao longo de toda a residência.

Cecília: Nossos estágios são mensais e passamos por todas as subáreas da radiologia, em todos os anos da residência (desde o R1 até o R3): tórax, abdome, neuro, pediatria, intervenção, mama/saúde da mulher, cabeça e pescoço, musculoesquelético, ultrassonografia geral. 

Além disso também passamos 1 mês na Unidade de Emergência, onde também fazemos plantões noturnos, nos finais de semanas e nos feriados, distribuídos ao longo de todo o  ano.

Victor: Durante os 3 anos, rodamos basicamente nos mesmos estágios, repetindo a cada ano. O que muda é o enfoque (tipo de método de imagem/complexidade dos exames) dado em cada ano.

Temos o estágio do tórax/vascular, do abdome, da neuro, da cabeça e pescoço, da pediatria, da saúde da mulher (mama e pelve feminina), músculo esquelético, radiologia intervencionista, ginecologia e obstetrícia, ultrassonografia e urgência /emergência.

Joana: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Cecília: Não temos estágios eletivos, mas temos 1 mês de férias que pode ser utilizado para este fim. Nossos chefes têm muito contato com profissionais das mais diversas universidades e países. Então, para quem deseja realizar estágio no exterior, a gama de opções é bem ampla.

Victor: Não existe estágio eletivo. É possível fazer estágio fora sim, os professores costumam ter alguns contatos, mas seria realizado nas suas férias.

Joana: Sua residência, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? E qual a carga máxima de plantão que você dá na sua residência? Se existir algum período de descanso pré ou pós-plantão, explica pra gente funciona.

Cecília: Sim, a residência respeita as 60 horas semanais. Geralmente temos 1 plantão noturno por semana e temos a manhã livre no dia seguinte, retornando às atividades à tarde. As escalas de final de semana e feriado, nós a organizamos para que fique adequado para todos.

Victor: Respeita, sim. O plantão mais longo (oficialmente) que é dado na radiologia é de 24 horas. Há quem goste de fazer as trocas pessoais e fazer 48 horas. Após o plantão, temos folga de meio período (período da manhã) do dia seguinte. Retornando aos trabalhos no período da tarde.

Joana: De 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte teórica? Quais as principais atividades teóricas que vocês têm?

Cecília: Minha nota é 10! Temos aulas teóricas todos os dias às 7h30 da manhã e  discussão de casos clínicos semanais da radiologia abdominal e pélvica. Há também reuniões multidisciplinares com outras especialidades (neurorradio com neurocirurgia e neurologia; musculoesquelético com ortopedia; radiologia torácica com pneumo e cirurgia torácica, e por aí vai…). Além disso, também fazemos discussões de artigos semanais no tórax, abdome e musculoesquelético.

Victor: Nota 10! As aulas de teoria – cada dia uma especialidade – são diárias e começam cedo, logo às 7h30 da manhã!  Além disso, cada especialidade costuma ter algumas reuniões para discussão de casos com outras clínicas além de, semanalmente, encontros para discussão de artigos. As aulas são obrigatórias para todos os residentes. As demais atividades são obrigatórias para os residentes que estão naquele específico estágio.

Joana: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica?

Victor: Minha nota é 10. 

Joana: Quais os pontos fortes da sua residência em Radiologia na USP RP em que você está?

Cecília: Para mim, só temos pontos fortes. Temos muitas discussões teóricas, o que com certeza é um diferencial. Nossos chefes são referências nacionais e até mundiais em suas áreas. Temos um volume bom de exames, e exames muito complexos, casos raros, já que o HC da USP de Ribeirão é referência nas mais diversas áreas. Isso também nos diferencia no mercado. Temos uma relação muito boa com as demais áreas e especialidades, o que permite uma troca de conhecimento que agrega muito na formação.

Fachada do HCFMUSP-RP (Créditos: USP-RP/Reprodução)
Fachada do Hospital das Clínicas da USP-RP

Victor: Gosto muito da minha residência. Existem alguns pontos negativos inerentes ao fato de o hospital ser público, tipo quebra de aparelho e redução de verba, mas em geral, esses pontos não costumam demorar para serem resolvidos. Gosto também da proximidade com os professores. Não existe aquele distanciamento tradicional que ouvimos falar das grandes instituições. 

O mercado tem uma ótima aceitação dos residentes daqui de Ribeirão. Sempre ouço falar bem. E já na residência somos chamados para começar pequenos serviços já dentro da área. Em termos teóricos, como já dito anteriormente, também estou bem satisfeito. Com relação a volume de exames, acredito que às vezes tem até demais. Apesar de ser cansativo em alguns momentos, acredito ser um ponto positivo, já que somos expostos a uma variedade muito grande de exames e acabamos “pegando mão” também.

Joana: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Cecília: Qualquer local tem pontos que poderiam ser melhorados. No nosso serviço, estávamos com uma carência de médicos assistentes, o que sobrecarregou os docentes e o serviço como um todo. Mas esse problema já vem sendo resolvido: só esse ano já tivemos pelo menos 5 novas contratações.

Victor: Poderíamos ter uma quantidade maior de chefes. Essa questão já está sendo resolvida. Há cerca de 1 ou 2 anos atrás, tivemos uma grande saída de chefes. Mas recentemente, estão abrindo vários concursos e a cada 2-3 meses tem chefe novo sendo aderido ao serviço.

Joana: A sua residência disponibiliza quais “comodidades” para os residentes?

Cecília: Temos disponível o refeitório, com café da manhã, almoço e jantar. Para seleção para moradia, necessita de uma comprovação de renda. Mas, próximo à USP, existem ótimos lugares para se morar, a um preço acessível.

Victor: Não sei sobre o processo de moradia para residentes. Mas, em todos os hospitais que rodamos ganhamos café da manhã, almoço, jantar e até ceia. Há também conforto médico exclusivo para cada especialidade (existe o quarto da GO, o quarto da rádio, o quarto da neuro…).

Joana: Vocês dois, mesmo sendo de São Paulo, devem conhecer  alguém de fora, que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem? Acham que é possível se inserir bem no mercado?

Cecília: Sim, conheço. Com certeza é possível se inserir muito bem no mercado.

Victor: Conheço, e ele se inseriu muito bem. Não existia nenhum subespecialista na área dele na nossa região.

Joana: Última pergunta. Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Cecília: Nossos R4 (subespecialidades) tem mestrado profissional. Então você já sai do R4 radiologista, subespecializado e mestre. É o local perfeito para quem deseja carreira acadêmica. E para quem não deseja, tudo bem, vai sair da residência com uma formação incrível, completa e muito diferenciada.

Victor: Aqui não existe diferenciação, nem com relação aos professores, nem com relação aos outros residentes, entre quem formou “na casa” e quem formou fora. Ouvimos histórias que isso pode ocorrer em outros hospitais. Pelo menos no contexto em  que estou hoje, isso nunca aconteceria aqui no HC de Ribeirão.

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência em Radiologia na USP de Ribeirão Preto?

E aí? Curtiu? Nós já contamos tudo sobre como funciona o processo seletivo da USP Ribeirão Preto, já está pronto? Se ainda não está, vem descobrir tudo sobre a prova de residência médica da USP- RP com a gente, pois ainda dá tempo de se preparar!

Aqui nesse Guia Estatístico contamos quais são os seis focos que mais caíram na instituição em cada grande área nos últimos cinco anos – é ou não é um ótimo jeito de dar um gás na sua preparação?

Não se esqueça de que a prova prática da USP-RP pode valer 40% ou 50% da sua nota dependendo da sua especialidade, então nada de dar bobeira nessa preparação, hein? O CRMedway pode ser o grande diferencial pra você saltar várias posições na sua classificação final só com uma boa prova prática!

E se você não se sente seguro sobre a escolha da especialidade ou da instituição certa para fazer sua residência médica, fique ligado! Vamos trazer mais artigos sobre outros programas de residência médica. Quer saber de algum em especial? Então, deixe aqui nos comentários!

Receba conteúdos exclusivos!

Telegram
JoanaRezende

Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.