Como é a residência em Neurocirurgia na USP

Chegou a hora de você saber mais sobre os caminhos que vão te levar direto pra residência médica dos seus sonhos: a residência em Neurocirurgia na USP (Universidade de São Paulo).

Vista aérea do Hospital das Clínicas

Que a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP-SP) é referência internacional em educação na área da saúde e conta com um dos programas de residência médica mais buscados de SP, não é novidade pra ninguém, muito menos pra você que está na luta por uma vaga na residência e já espera por uma disputa acirradíssima quando for fazer a prova de residência da FMUSP! O que talvez você não sabia é que pra se tornar um Neurocirurgião, o percurso é longo e bastante desafiador. 

Apesar de ser uma especialidade de acesso direto, para concluí-la são necessários mais 5 anos de estudos – uma das residências com a maior duração! Para aqueles que desejam adquirir ainda mais conhecimento e desenvolver novas habilidades, com mais um 1 ano é possível cursar alguma subespecialidade da Neurocirurgia e atuar nas subáreas de coluna vertebral, base do crânio e vascular, por exemplo. 

E pra contar mais sobre a rotina de quem fez residência em Neurocirurgia na USP, e como foi ser residente no maior sistema acadêmico de saúde da América Sul, a gente bateu um papo reto com o Vítor, que concluiu sua a residência de Neurocirurgia na USP e vai te ajudar a tirar as principais dúvidas sobre a especialidade. Dá só uma olhada no que ele nos contou!

Alexandre: Vou começar com uma pergunta que sei que é muito pessoal, mas é inevitável: para você, qual é o melhor estágio da residência em Neurocirurgia na USP?

Vítor: Para mim, os melhores estágios foram em Neuro-oncologia e Neurocirurgia Vascular.

Alexandre: Tem algum médico assistente que você considere que foi sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê?

Vítor: Sem citar nomes, posso dizer que houve muitos médicos que foram exemplos de gestão de pessoas e de coordenação de serviços médicos.

Alexandre: Conta um pouco sobre onde você rodou nos seus estágios ao longo de toda a residência em Neurocirurgia na USP.

Vítor: No R1, foram 8 meses com a neurologia clínica e estágios de neurovascular, emergências neurológicas, enfermarias e ambulatórios. 3 meses em emergências neurocirúrgica e UTI com pacientes neurocirúrgicos.

Já no R2, rodamos e aprendemos sobre os cuidados pré e pós-operatórios de pacientes neurocirúrgicos e suas complicações clínicas, além de procedimentos básicos iniciais da neurocirurgia.

Chegando no R3, o foco era em etapas iniciais dos procedimentos de maior complexidade em neurocirurgia, avaliação de interconsultas e discussão de casos operados e artigos semanais.

Finalmente no R4 e R5, houve aumento progressivo de participação em tempos cirúrgicos principais de maior complexidade e discussão dos casos e condutas de casos internados e ambulatoriais diretamente com assistentes e chefes de grupo.

Alexandre: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Vítor: Sim, é possível durante o R5 fazer estágios de três meses fora do país.

Alexandre: De 0 (nada) a 10 (demais), quanto a residência em Neurocirurgia na USP focou em parte teórica? Conta pra gente quais foram as principais atividades teóricas que você teve ao longo da sua residência.

Vítor: Dou nota 8. Nossa rotina de atividade teóricas durante a residência é assim: temos 1 journal club por semana, 1 discussão de capítulo de livro semanal, fazemos 2 reuniões gerais com discussão dos casos operados e internados, além das reuniões individuais pós-ambulatório de praticamente todos os 10 grupos de atuação da neurocirurgia.

Alexandre: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica? Como você enxerga o foco na parte acadêmica da instituição que você fez sua residência?

Vítor: Nota 9. Havia necessidade de publicação ou participação com apresentação em congresso anual. Isso era cobrado pelo professor titular.

Alexandre: Quais os pontos fortes da residência em Neurocirurgia na USP? Dá uma aprofundada pra gente.

Vítor: Um dos principais pontos fortes é o volume de cirurgias. A USP tem o maior volume de Neurocirurgia do país. Além disso, o HC-FMUSP possui todas as subespecialidades da neurocirurgia.

Alexandre: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Vítor: Eu acho que poderia haver mais disponibilidade da estrutura, com mais leitos e mais salas cirúrgicas para atendimento adequado da demanda de cirurgias.

Alexandre: Acha que dá para conciliar a residência médica em Neurocirurgia na USP com plantões externos? A maioria faz isso?

Vítor: Não dá não, e por isso mesmo poucos fazem plantão externo ao final da residência.

Alexandre: Quais “comodidades” a sua residência disponibiliza?

Vítor: A USP dispõe de moradia e refeitório. O processo de seleção para a moradia inclui avaliação social de renda pessoal e familiar, além de local de origem e especialidade realizada pelo residente.

Alexandre: Você que não é natural do estado de São Paulo, pretende voltar para seu estado de origem? Acha que é possível se inserir bem em outra cidade? Conta pra gente!

Vítor: Eu não sou de São Paulo, mas não pretendo voltar. Eu creio que seja possível sim se inserir hoje. O mercado está saturado no momento, mas há possibilidades de trabalho menos atraentes que algumas oferecidas durante a residência.

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência médica na USP?

A residência em Neurocirurgia na USP é exigente, né? Não tem uma rotina muito fixa e, depois de formado, você poderá dar muitos plantões e atuar em hospitais públicos e privados, de sobreaviso: chegou paciente a qualquer hora da noite? Você vai ser chamado! Com isso, o estresse físico e o psicológico podem ser constantes na profissão,mas o dia a dia também pode ser excitante e com novas descobertas!

E se você curtiu nosso papo sobre essa especialidade, mas ainda está com um pulguinha atrás da orelha… antes de dar o seu “sim” e decidir finalmente pela residência médica em Neurocirurgia na USP, vale muito correr atrás de outras informações e possibilidades. Já falamos tudo sobre como é a residência médica em neurocirurgia na Unifesp aqui no blog. Falamos também sobre quanto ganha um neurocirurgião no Brasil!

E fica de olho aqui, pois estamos sempre trazendo entrevistas sobre como é a residência médica nas principais instituições de São Paulo! Tem alguma que você está queria saber mais? Fala pra gente aqui nos comentários! Pode ser um dos nossos próximos artigos!

Agora se você já sabe que é na USP mesmo que você quer fazer seu R1, minha dica é o nosso Guia Definitivo da USP-SP, que conta tudo o que você precisa saber para se tornar residente lá, da preparação à vida de residente!

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Alexandre Remor

Nascido em 1991, em Florianópolis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) e Residência em Administração em Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Fanático por novos aprendizados, empreendedorismo e administração.