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Como é a residência em Neurocirurgia na Unicamp

Já pensou em fazer residência em Neurocirurgia na Unicamp? Se você tem vocação pra essa área e vê a instituição campineira como um bom local para se desenvolver profissionalmente, vou te contar uma coisa: é um ótimo lugar mesmo. Mas calma, eu não estou tirando isso das fontes da minha cabeça. Nós batemos um papo com o Alfredo, R2, e com o Lucas, R4, que são residentes por lá e nos contaram tudo sobre o programa. 

Antes de conhecer todas as informações que eles nos passaram, vamos contextualizar um pouco as coisas. Pra começar, a Unicamp é uma das instituições mais buscadas para se fazer residência de Neurocirurgia em SP — e, vamos combinar, no país inteiro. No processo seletivo para ingresso de 2021, a Neurocirurgia foi a segunda especialidade mais concorrida: com relação de 45,33 candidatos por vaga, contou com 136 inscritos disputando apenas 3 posições. Números de respeito, né? Pra te tranquilizar, já contamos tudo aqui no Blog sobre como é a prova da Unicamp, dá uma olhada! 

Boa parte da vivência da residência ocorre no Departamento de Neurocirurgia do Hospital de Clínicas da Unicamp, local onde mais de 32 mil consultas são realizadas todo mês! É um ambiente excelente para pegar muita mão pelo volume de casos durante os 5 anos da residência em Neurocirurgia na Unicamp. Além disso, a respeitada Faculdade de Ciências Médicas (FCM) de lá, em seus 57 anos de existência, prepara profissionais em 47 especialidades

Curioso para saber mais? Então chegou a hora de ver tudo que o Alfredo e o Lucas nos disseram. Confere a entrevista aqui embaixo! Ah, e se quiser, você pode ver também bate-papos sobre outras instituições que oferecem residência em Neurocirurgia. É só clicar aqui.

A residência em Neurocirurgia na Unicamp pode ser a ideal para você que busca algo complexo!

Alexandre: Vou começar com uma pergunta bem pessoal, mas todo mundo pergunta: na opinião geral, qual o melhor estágio da sua residência?

Alfredo: Difícil pergunta para a residência em Neurocirurgia na Unicamp. Em nosso serviço, acabamos nos responsabilizando por todos os pacientes do hospital, em diferentes níveis de responsabilidade. No início, temos funções mais burocráticas e de cuidado com o paciente no geral, e, aos poucos, começamos a nos responsabilizar pelas cirurgias eletivas. Assim, o melhor estágio da residência será provavelmente no quinto ano, quando operamos no microscópio nas cirurgias eletivas. Por enquanto, os melhores estágios são aqueles que consigo entrar em mais cirurgias.

Lucas: Acredito que o maior diferencial da residência é o treinamento focado em microcirurgia. Desta forma, temos várias oportunidades de treinamento em laboratório, que é essencial para a formação microcirúrgica. Na Unicamp, temos contato com laboratório de microcirurgia em todos os anos da residência. Outro diferencial é o Hospital Boldrini, um centro de referência em oncologia pediátrica no qual temos um volume muito grande de cirurgias.

Alexandre: Tem algum médico assistente que você considere sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê? 

Alfredo: Todos os médicos assistentes são exemplo para mim e contribuem, cada um em algo específico, para minha formação.

Lucas: A residência em Neurocirurgia da Unicamp tem uma equipe muito variada e competente de professores. Os casos são discutidos em conjunto em reunião semanal, permitindo diferentes pontos de vista complementares que enriquecem muito a conduta. Os chefes de subespecialidades neurocirúrgicas são referências na suas áreas, inclusive internacionalmente, o que facilita para conseguir acesso a estágios internacionais com relativa tranquilidade, inclusive vários egressos realizaram/estão realizando fellows internacionais, sempre apoiados pela escola. Todos os chefes acrescentam muito na formação, principalmente pela versatilidade com que lidam nos casos desafiadores que são característicos de um hospital universitário com a complexidade do HC-Unicamp.

Alexandre: Conta um pouco pra mim onde vocês rodam ao longo de toda a residência em cada um dos anos como residente.

Alfredo: No R1, passamos os nove primeiros meses na Neurologia Clínica, sendo dois meses no pronto-socorro, dois meses na enfermaria, um mês na Neurologia Infantil e três meses no PS. O outro mês são as férias do R1. Em dezembro, iniciamos na Neurocirurgia paulatinamente, nos dividindo entre laboratório de microcirurgia, UTI e cirurgias eletivas. No R2 temos, em teoria, 4 meses de pronto-socorro e UTIs, 4 meses de enfermaria e 3 meses de laboratório de microcirurgia. No meu caso, esses rodízios foram prejudicados pelo coronavírus e alterados pela desistência de uma R igual. No R3, vivenciamos 6 meses de cirurgia eletiva e 5 meses de Pediatria. No R4, normalmente temos 4 meses em coluna, 4 meses como auxiliar da coluna e 3 meses no Hospital Estadual de Sumaré – outro hospital conveniado com a Unicamp. No meu caso, serão 6 meses na coluna e 5 meses em Sumaré. Por fim, no R5, praticamos cirurgias eletivas. Neste ano, nos revezamos como residentes-chefe do serviço.

Lucas: O R1 da residência é em Neurologia. Rodamos em: enfermaria, pronto-socorro e ambulatório de Neurologia e Neuropediatria — outro diferencial da formação, já que a residência de Neurologia Clínica é muito forte na Unicamp. No final do R1 e no R2, temos a possibilidade de frequentar o laboratório de microcirurgia do Dr. Evandro de Oliveira. Os outros estágios do R2 são de enfermaria, pronto-socorro e UTI. No R3, iniciamos nas cirurgias eletivas/principais com acessos microcirúrgicos, além de passarmos pela oncologia pediátrica, pela Neuropediatria geral e por estágios externos em Neurointervenção e Neurocirurgia Funcional. O R4 tem 3 grandes estágios: o de cirurgia de coluna, o de cirurgias mais complexas no Hospital Boldrini e o estágio no Hospital Estadual de Sumaré, onde, por sermos “R único” deste hospital, temos um volume de cirurgias muito grande. O R5 realiza todas as cirurgias de alta complexidade, fazendo o tempo principal de microcirurgia, além do estágio eletivo.

Alexandre: Por falar em estágio eletivo, é possível (e comum) fazer um estágio fora do país ao longo da residência em Neurocirurgia na Unicamp?

Alfredo: Sim, no R5 temos período de estágio eletivos. A maioria dos residentes acaba indo para fora do país

Lucas: Durante o R5, temos um tempo reservado ao estágio eletivo. A maioria opta por realizá-lo em laboratórios de microcirurgia internacionais, porque essa experiência tem um impacto essencial na formação do microcirurgião. O bom relacionamento dos professores do serviço ajuda a conseguirmos vagas em ótimos serviços externos, no Brasil e no exterior.

Alexandre: De 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte teórica? Aproveita e conta pra gente quais são as principais atividades teóricas que você tem ao longo da sua residência.

Alfredo: Nesse quesito, minha nota é 7. Às segunda-feiras, temos discussão de casos do final de semana e aula sobre temas neurocirúrgicos ministrada por residentes. Nas terças, temos aula sobre acesso transesfenoidal/hipófise pela manhã e aula sobre coluna à noite. De quinta-feira, acontece reunião do serviço, alternando casos clínicos e aulas ministradas por chefes. E, às sexta-feiras, fazemos reunião quinzenal com a endocrinologia (neuroendócrino).

Lucas: Para mim, a parte teórica da residência em Neurocirurgia na Unicamp é nota 8. Temos visita a beira-leito diariamente; além disso, na segunda-feira temos aula de algum tema de Neurocirurgia e em seguida discutimos todos os casos do final de semana, principalmente porque o fluxo do PS é muito alto. Temos semanalmente uma reunião multidisciplinar para tomada de conduta em conjunto que é muito proveitosa. Semanalmente, ainda temos aula especificamente sobre coluna, e variavelmente, discussões semanais de artigos. Mensalmente participamos de reunião multidisciplinar de Neuroendocrinologia, com um volume muito bom de cirurgia de base de crânio endoscópica

Alexandre: Aproveitando, de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica? Explica pra gente a sua nota. 

Alfredo: Na parte acadêmica, minha nota é 6. Os chefes publicam muito. Dependendo do seu interesse, há muitas oportunidades para desenvolver trabalhos.

Lucas: Dou nota 8. Temos a possibilidade de realização de mestrado profissional, ou mesmo de alcançar o doutorado direto; é um caminho pelo qual muitos residentes optam, terminando a residência já com título de mestre ou doutorado em andamento, com programas de impacto como os da Unicamp (alguns programas com conceito 7, que é o máximo, na CAPES). A pesquisa é incentivada e cobrada, desde relatos dos casos raros, até estudos mais complexos. Ano passado, um artigo desenvolvido no serviço foi capa do JNS, um dos maiores periódicos de Neurocirurgia do mundo.

Alexandre: Quais os pontos fortes da residência em Neurocirurgia na Unicamp?

Alfredo: A grande variedade de casos durante a formação, vendo quase todos os pontos chave da Neurocirurgia. Além disso, temos participação ativa em cirurgias desde início, conseguindo pegar mão nas principais áreas.

Lucas: O maior diferencial, pra mim, é a residência estar associada à universidade, implicando num ambiente acadêmico/didático que traz também volume alto de pacientes complexos. Nosso ponto forte é a microcirurgia, a escola mantém a tradição do Dr. Evandro de Oliveira, que foi chefe da instituição durante muito tempo. Todos saem com muita mão cirúrgica.

Alexandre: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Alfredo: O Hospital de Clínicas em si é muito burocrático. Para funcionar, perdemos um tempo muito grande em serviços que poderia ser melhor aproveitado durante a residência em Neurocirurgia na Unicamp. 

Lucas: A quantidade de salas cirúrgicas sempre poderia melhorar. Somos referência para população de mais de 40 cidades, então o volume é absurdo e muitas vezes ficamos com dificuldade para prestar a melhor assistência a todos. Isso é um problema geral, mas piora quando você é o ponto final de referência.

Alexandre: Falta pouco agora! Me diz: dá pra conciliar a residência com plantões externos? A maioria faz isso?

Alfredo: No início, não. A partir do R3, fica mais tranquilo conciliar.

Lucas: A maioria dos residentes realiza plantões externos. A maior carga de plantões é no R1 e R2, fica puxado, mas conseguimos conciliar com alguns plantões. A partir do R3, é mais tranquilo trabalhar fora.

Alexandre: A residência em Neurocirurgia na Unicamp disponibiliza quais comodidades para os residentes? 

Alfredo: bolsa-habitação para quem é de fora, com valor aproximado de trezentos reais. Para todos, é oferecida alimentação no restaurante do hospital

Lucas: Podemos tomar café, almoçar e jantar no refeitório da universidade. Sei que existe uma moradia universitária, mas não sei se residentes podem aplicar. A Unicamp fornece um adicional de moradia para os residentes, além da bolsa nacional.

Alexandre: Vocês dois não são naturais da cidade em que fazem a residência. Pretendem voltar?

Alfredo: Sim.

Lucas: Não.

Alexandre: E vocês conhecem alguém que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem? É possível se inserir bem no mercado?

Alfredo: Conheço sim. É difícil, mas possível.

Lucas: A formação na Unicamp abre muitas portas para o retorno à cidade de origem. Conheço egressos que fizeram isso com sucesso. Acho o mercado em Campinas um pouco saturado, mas ainda existe espaço, seja aqui ou nas cidades da região.

Alexandre: Você tem algo a acrescentar que a gente não perguntou sobre a residência em Neurocirurgia na Unicamp?

Alfredo: É uma residência difícil, com carga de trabalho extremamente elevada. Para quem realmente gostar da área e estiver disposto a se dedicar integralmente, vale muito a pena o esforço.

Lucas: A residência na Unicamp era meu objetivo durante muito tempo da graduação e eu sou muito grato por fazer parte de um serviço que trata os pacientes com a seriedade devida. A residência de Neurocirurgia é difícil em qualquer lugar, mas aqui eu tenho a certeza da importância para uma boa formação.

O que achou da residência em Neurocirurgia na Unicamp?

As informações que o Alfredo e o Lucas nos contaram são aquelas que eles mesmos gostariam de ter recebido quando não eram nem R1 ainda. É sempre bom ter a visão de quem já está dentro, né? Agora, quem sabe você não é o próximo a ingressar na residência em Neurocirurgia na Unicamp? Aliás, dá uma espiada em quanto você pode ganhar como neurocirurgião no Brasil.

Essa é a nossa torcida: que você conquiste sua vaga na especialidade e na instituição que realmente sonha. E ajudar você nessa jornada é a nossa missão. Por isso, não dá bobeira e já baixa agora o Guia Definitivo da Residência Médica na Unicamp, um e-book que preparamos com TUDO que você precisa saber pra passar pelo processo seletivo entendendo a fundo a instituição. Outro material valioso é o e-book Guia Estatístico da Unicamp, no qual mostramos os principais temas que caem nas provas em cada grande área, um direcionamento imprescindível pra você focar seus estudos no que realmente importa.  

Além disso, tenho um convite pra você. Em 2021, a Unicamp não teve prova prática por conta da pandemia de covid-19, no entanto, essa é uma figurinha carimbada da instituição. E muita gente treme na base quando pensa em prova prática. De fato, ela pode mudar completamente sua classificação. Por isso, fica a dica pra conhecer o CRMedway, nosso curso voltado às provas de habilidades e de multimídia. São mais de 40 estações simuladas e mais de 300 checklists para que você possa praticar, além das lives e de vários treinamentos. Vale a pena estar totalmente preparado nesse momento, vai por mim! Te vejo no CRMedway? Inscreva-se agora

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AlexandreRemor

Alexandre Remor

Nascido em 1991, em Florianópolis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e com Residência em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP) e Residência em Administração em Saúde no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Fanático por novos aprendizados, empreendedorismo e administração.