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Como é a residência em Neurologia na Unicamp

Para se tornar um especialista em Neurologia e cuidar dos distúrbios do sistema nervoso de adultos e crianças, prepare-se pra estudar e trabalhar muito! São 3 anos de residência médica em Neurologia pra obter a titulação (alguns programas de residência foram modificados para 4 anos, sendo essa a tendência para a especialidade nos próximos anos), nessa que é uma especialidade de acesso direto que tem atraído cada vez mais médicos recém-formados. E se o seu sonho é estudar em uma instituição de peso, é aqui que você vai encontrar todas as informações que precisa pra fazer a Residência em Neurologia na Unicamp

Fachada do Hospital de Clínicas, onde ocorre a residência em Neurologia na Unicamp
Fachada do Hospital de Clínicas da Unicamp

Além de estudar no Departamento de Neurologia de uma das melhores universidades públicas do país, é bom que você saiba que grande parte do trabalho desse profissional é clínica e exames complementares — quem faz cirurgia é o neurocirurgião. E, das doenças que mais levam pacientes aos consultórios, a gente pode listar as cefaleias, os distúrbios do sono, tontura/vertigem, as crises convulsivas, os distúrbios do movimento, doenças neuromusculares e diversas outras. Nas crianças, a maior procura dos pais para os atendimentos neurológicos são a identificação dos sintomas de déficit de atenção e hiperatividade, alteração na visão e mudança de comportamento em idade escolar.

E sobre a Unicamp, informação é o que não falta aqui no nosso Blog! Já fizemos um artigo contando tudo sobre como é a prova dessa instituição tão renomada. Também abordamos todos os conteúdos importantes do processo seletivo de 2021: o edital e as mudanças ocasionadas pela pandemia, a concorrência e as notas de corte por especialidade, e, por fim, a prova na íntegra e seu gabarito. Dá uma olhada nesses materiais, porque eles podem ser bem úteis no seu preparo!

E pra contar um pouquinho mais pra vocês como é estar lá dentro da residência, a gente conversou com o Felipe e com o Uéslei, que são R3 em residência em Neurologia na Unicamp. Confira a entrevista!

João: Vou começar com uma pergunta que a gente sabe que é bastante pessoal, mas todo mundo pergunta: na sua opinião, qual o melhor estágio da sua residência e por quê?

Felipe: Eu acho que é o PS da Neurologia, em que temos preceptoria full time para atender e discutir as urgências em Neurologia. 

Uéslei: Na minha opinião é o PS. No HC-Unicamp, a Neurologia fica 24 horas por dia no PS, com preceptoria presente o tempo todo. Recebemos muito AVC em tempo de trombólise que realizamos com frequência. Além disso, o hospital é referência para aproximadamente 6 milhões de habitantes, então chegam muitos casos raros. Os ambulatórios são fenomenais também e temos uma enfermaria de Neurologia que interna casos investigativos.

João: Tem algum médico assistente que você considere sensacional ou um exemplo para sua formação? Por quê? 

Felipe: Tem sim! O Dr. Marcondes é um exemplo de bom médico, pesquisador e professor. Além de ser uma das referências no país em pesquisas sobre Neurogenética, ensina a nós, residentes, semiologia e diagnóstico neurológico com uma clareza ímpar.

Uéslei: Os nossos chefes são, em geral, muito bons e presentes, fica difícil elencar apenas um. Mas o Professor Marcondes França é genial e muito presente, ensina muito bem sobre semiologia e diagnóstico diferencial. Também temos o professor Fernando Cendes, o professor Alberto Costa, o professor Wagner Avelar, entre outros, todos excelentes. É realmente difícil falar de somente um.

João: Conta um pouco pra mim sobre onde vocês rodam ao longo de toda a residência em Neurologia na Unicamp.

Felipe: No R1, rodamos a maioria dos estágios como clínica, sendo estágios como PS, enfermaria de clínica, entre outros, que nos capacitam para cuidar de complicações clínicas dos pacientes neurológicos. No R1, também ficamos 2 meses em UTI neurológica, o que nos ensina os cuidados neurointensivos, inclusive aprendendo na prática a realizar procedimentos. Temos ainda um mês na enfermaria de Neurologia, para termos um contato mais próximo com a especialidade. No R2 já começa a neurologia em si, com estágios como PS, enfermaria e ambulatório, além de neuropediatra. É um ano intenso, no qual vivemos e aprendemos Neurologia, na prática e na teoria. Já no R3, aperfeiçoamos esse aprendizado, com estágios de ambulatório, neurofisiologia, interconsulta, neuroinfectologia, neurovascular e neuroimagem.

Uéslei: No R1, somos da clínica médica. Rodamos em PS, na retaguarda e em enfermarias; também fazemos plantões divididos com a Clínica, a Dermato e a Infecto. Damos aproximadamente 52 plantões. De diferente, rodamos por 2 meses na UTI-Neuro (o hospital tem uma UTI de 7 leitos da Neurologia) e 1 mês na enfermaria de Neurologia com o R2. O R1 é ótimo porque pegamos muita mão de emergência clínica, o que é muito importante para a Neurologia.

No R2, rodamos 2 meses na enfermaria, 2 meses no PS Neuro, 2 meses na neuropediatria e em ambulatórios modulares divididos por subespecialidades, com chefes também subespecialistas. 

No R3, rodamos no ambulatório, na Neuroimagem, temos 2 meses na Neurofisiologia (EEG e ENMG) e 2 meses de interconsulta. Passamos na Neuroftalmologia e na Neurotologia também. Além disso, temos 3 semanas de Neuroinfectologia no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, e mais 2 meses de optativos, nos quais em pelo menos um deles vamos para fora do Brasil.

João: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Felipe: Sim! Na residência em Neurologia na Unicamp, temos 2 meses de estágios eletivos no R3, que podemos fazer aqui na universidade mesmo, dentro do Brasil e também fora. Nossos professores têm excelentes contatos fora do Brasil e sempre temos a possibilidade de ótimos estágios internacionais.

Uéslei: Sim. Temos 2 meses. É meio que uma tradição do serviço nós irmos para fora do Brasil em pelo menos um deles. 

João: Sua residência, de forma geral, respeita as 60 horas semanais? E qual a carga máxima de plantão que você dá na sua residência? Existe algum período de descanso pré ou pós-plantão? Conta pra gente como é isso! 

Felipe: Em geral, respeita sim. A carga de plantões é muito variável e depende de você organizar e decidir seus plantões. Mas, como em toda residência, a quantidade de plantões é alta. Temos direito a um turno de pós-plantão no dia seguinte, que pode ser de manhã ou à tarde.

Uéslei: Sim. No R1, damos 52 plantões pela clínica. No R2, são 50 plantões pela Neurologia e, no R3, 10 plantões. Temos sempre um pós-plantão de 6 horas, como determina a Comissão Nacional de Residência Médica. O total costuma ficar dentro das 60 horas, porém depende da carga de plantões de cada mês.

João: Me conta rapidinho: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte teórica? Conta pra gente quais são as principais atividades teóricas que você tem ao longo da sua residência.

Felipe: Nota 9. Temos aulas semanais ou quinzenais de quase todas subespecialidades da Neurologia, supervisionadas pelos chefes. Além disso, temos reunião clínica semanal, com discussão de casos desafiadores em Neurologia com os chefes.

Uéslei: Para mim, a nota é 10. A partir do R2, toda terça-feira à tarde temos reunião clínica na qual um residente da enfermaria leva um caso clínico em investigação. Os chefes e os residentes participam, é discutido diagnóstico sindrômico, topográfico e etiológico; a Neurorradiologia participa também, é muito legal para o aprendizado. Temos aula semanal de cada subespecialidade também (epilepsia, neuromuscular/neurogenética, vascular, cefaleia etc). Há épocas do ano em que temos aula quase todos os dias. Os chefes são bem acadêmicos nas discussões também.

João: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica? Explica pra mim como você enxerga o foco na parte acadêmica dentro da Unicamp.

Felipe: Nota 9 também. Temos uma vasta oportunidade de pesquisa e de carreira acadêmica na residência em Neurologia na Unicamp. Somos estimulados a fazer uma pesquisa e uma publicação no TCC, porém a oportunidade de fazer pesquisa é mais ampla, podendo até estender com mestrado/doutorado nos anos seguintes.

Uéslei: Dou 10 novamente. Os nossos chefes, em sua grande maioria, são pesquisadores reconhecidos nacional e intencionalmente, então somos muito estimulados para pesquisar e publicar. A Unicamp é uma universidade voltada para isso; o nosso TCC é uma pesquisa também. A Neurologia tem um CEPID chamado BRAINN que recebe fundos para estímulo. Em geral, se a pesquisa for de interesse do residente, ele consegue com facilidade fazer pós-graduação (mestrado e doutorado) após a residência. 

João: Quais os pontos fortes da sua residência?

Felipe: Pega muita mão! Isso com certeza! Aprendemos na prática a Neurologia, com semiologia, tratamento e diagnóstico diferencial, além de ser um clima muito agradável durante toda residência. Temos um aprendizado teórico muito bom e com apoio próximo dos chefes em todas as áreas.

Uéslei: Os pontos fortes da residência em Neurologia na Unicamp são, sem dúvida, a proximidade que temos com os chefes (nunca estamos sozinhos) e a riqueza de pacientes e patologias. Por ser um hospital terciário e de referência, nós vemos muitos casos interessantes e raros, daqueles que só imaginávamos ver em livros. Costumamos conseguir investigar os pacientes de maneira mais completa do que a maioria dos hospitais do SUS (ex: temos RM de 1,5 e 3T, liquor com relativa facilidade, teste genético em protocolo de pesquisa, AAQP4 e Anti-MOG). Pegamos realmente muita mão na residência e somos bem recebidos no mercado de trabalho devido à boa reputação da Unicamp.

João: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Felipe: Os maiores empecilhos são com relação à dificuldade de recursos em uma instituição pública e às burocracias do hospital, que infelizmente acontecem com frequência. Porém, este é um problema de quase todos os hospitais universitários, e não só da residência em Neurologia na Unicamp. 

Uéslei: No momento, não realizamos trombectomia mecânica no hospital e acho que isso poderia ser melhorado. Contudo, devido a termos participado do estudo Resilient e da recente aprovação e incorporação da trombectomia no SUS, provavelmente esse procedimento começará a ser realizado no hospital em breve. 

João: Dá pra conciliar a residência com plantões externos? A maioria faz isso?

Felipe: Dá, porém não dá pra fazer muitos plantões por fora. Campinas é uma cidade não muito cara, então, dá pra viver com a bolsa também dependendo das suas necessidades de vida.

Uéslei: Dá sim. Assim, cada um sabe onde o sapato aperta, né? Algumas pessoas fazem mais e outras menos, eu costumava fazer 2 plantões por mês no R2 para ajudar nas contas. Campinas tem o custo de vida mais barato do que São Paulo, porém não tão barato assim. No R3, você tem mais tempo livre e dá para fazer mais. A maioria dos meus colegas de residência dão plantão fora.

João: A residência em Neurologia na Unicamp disponibiliza quais “comodidades” para os residentes?

Felipe: Temos alimentação no bandejão do hospital e temos um auxílio-moradia que todos residentes de acesso direito recebem no valor de cerca de 400 reais por mês. Dá uma ajuda boa!

Uéslei: Temos direito a almoço, jantar e ceia no hospital sem custo. Falando de estudo, temos acesso ao VPN da Unicamp, temos Uptodate livre e acesso ao Pubmed. Não temos direito à moradia.

João: O Felipe é de São Paulo mesmo, mas o Ueslei não é e pretende voltar para sua cidade de origem. Vocês conhecem alguém de fora e que voltou ou pretende voltar para a sua cidade após a residência? Acham que é possível se inserir bem no mercado?

Felipe: Sim, muitos fazem isso e é muito possível! Ainda mais que a Neurologia é uma especialidade com mercado bom em praticamente qualquer lugar do país.

Uéslei: Tudo na vida é network. Mas, de maneira geral, a formação na Unicamp é muito boa e as pessoas conseguem voltar para as suas cidades de origem e se darem relativamente bem.

João: Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Felipe: O clima é muito bom na residência em Neurologia na Unicamp, tanto com os residentes da Neurologia, quanto com outras especialidades. Me senti muito acolhido! A residência é pesada, mas saímos bem formados do ponto de vista prático e teórico.

Uéslei: No geral, a residência em  Neurologia na Unicamp é muito boa, não poderia ter feito escolha melhor na vida. O clima é sensacional entre residente-residente e residente-chefes.

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência em Neurologia na Unicamp?

Bacana, né? Os estágios são incríveis, pega muita mão e a vivência é marcante! Se é lá em Campinas que mora o seu sonho de residência médica, não deixa de conferir como é a prova de residência médica da Universidade Estadual de Campinas! Nós também contamos tudo sobre como é se tornar um residente na Unicamp, da preparação à vida de residente, no nosso Guia Definitivo da Unicamp. Vale a pena conferir!

Curtiu a entrevista e quer saber mais? Corre aqui no blog pra saber sobre os outros programas de residência médica e confira quais são as instituições mais buscadas pra fazer residência médica em Neurologia em São Paulo!

Se você quer saber mais ainda sobre outros programas de residência médica, então fica ligado, pois estamos sempre trazendo entrevistas sobre como é a residência nas principais instituições do Brasil! Não deixe de comentar aqui sobre o curso que você quer, que a gente conta tudo pra você nos próximos artigos! 

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JoãoVitor

João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.