Como é a residência em Oftalmologia na Unicamp

Que tal cursar a residência em Oftalmologia na Unicamp? Se você já cogitou essa possibilidade, hoje a conversa é com você mesmo! Vamos falar tudo sobre esse programa que dura três anos, é de acesso direto (isto é, sem exigência de pré-requisitos) e forma oftalmologistas em uma das instituições mais renomadas do país e também uma das mais procuradas para se fazer Oftalmo no estado de São Paulo!

De fato, a boa fama do serviço não existe à toa. A residência em Oftalmologia da Unicamp foi pioneira em cirurgia ambulatorial de catarata e na colocação de lente intraocular. Outro destaque de lá é o atendimento descentralizado de pacientes, que amplia a capacidade de assistência à população mais vulnerável. Além disso, a Faculdade de Ciências Médicas (FCM), com seus 57 anos de tradição, tem um programa de residência robusto: são 47 especialidades, 36 áreas de atuação e 6 programas de anos adicionais. 

E claro que uma instituição tão atrativa é também muito concorrida: no edital para ingresso em 2021, foram disponibilizadas apenas 9 vagas para Oftalmologia. Com 260 inscritos, a relação candidato/vaga ficou em 28,29 — um número de respeito. Quem pensa em conquistar o seu lugar na residência em Oftalmologia na Unicamp não pode dar bobeira, precisa ter um preparo de qualidade. Para ajudar, publicamos aqui no Blog um artigo contando tudo sobre como é essa prova. Confira!

Agora vamos ao que interessa para um candidato à residência em oftalmologia na Unicamp! Como funciona a residência lá, afinal? Quem vai contar tudo hoje é o Ahmad, que é R2, e o Gabriel, que se formou há pouco tempo por lá e hoje faz uma subespecialização. Vem saber sobre os estágios, as atividades teóricas, acadêmicas e muito mais!

Hospital de Clínicas. um dos locais onde quem passar na prova de Residência Médica da Unicamp pode adquirir experiência
Fachada do Hospital de Clínicas da Unicamp (Créditos: Caius Lucilius/HC Unicamp)

Joana: Vou começar com uma pergunta que é pessoal, mas precisa ser feita: na sua opinião, qual o melhor estágio da residência em Oftalmologia na Unicamp?

Ahmad: Para mim, é o estágio da urgência, pela grande diversidade de casos que chegam pela necessidade de realizar os diferentes diagnósticos. 

Gabriel: Na minha opinião, é a urgência/pronto-socorro de Oftalmo. É o estágio em que mais examinamos pacientes e aprendemos a manejar aquelas queixas que aparecerão no dia a dia do oftalmologista. 

Joana: Tem algum médico assistente que você considere sensacional e um exemplo para sua formação? Por quê? 

Gabriel: O Dr. José Paulo, docente da área de glaucoma. Um professor extremamente técnico e atencioso com alunos de Medicina, residentes, funcionários, médicos e pacientes, além de excelente pesquisador. 

Joana: Por onde vocês rodam ao longo da residência? 

Ahmad: Na residência em Oftalmologia na Unicamp, a gente roda em estágios de: urgência, plástica ocular, externas, glaucoma, estrabismo, visão subnormal, retina, catarata, catarata congênita, uveíte, neuroftalmologia, transplante de córnea. Atuamos no HC da Unicamp e no Hospital Regional de Divinolândia.

Gabriel: O R1 começa com aulas teóricas sobre Oftalmologia, o que a gente chama de curso básico. São 2 semanas em que a Oftalmologia é apresentada para os novos residentes da Unicamp e de outros lugares que também vêm para o curso. Além disso, a rotina do serviço, os setores e as burocracias também são apresentadas. No primeiro dia, o R1 já começa com os plantões, sempre supervisionados. Depois desse curso básico é que começa pra valer: o R1 passa em todos os setores da Oftalmologia (urgência, catarata, glaucoma, córnea, plástica, estrabismo, retina, lente de contato, uveíte). Cada estágio dura, em média, 2 meses. Sobre cirurgias, o R1 opera pterígio, enucleação e evisceração (retirada do globo ocular). O R1 também faz as captações de córnea no dia a dia, geralmente em outras cidades, seguindo um protocolo estabelecido pela Central de Captações.

O R2 basicamente repete os estágios do R1, com um detalhe: é nesse ano que iniciam as cirurgias de catarata, que são o principal foco de todo residente de Oftalmologia. Apesar de o R2 repetir os estágios do R1, a visão do estágio e as responsabilidades são diferentes.

Já o R3 passa pelos mesmos estágios, mas o foco são os procedimentos, principalmente os a laser (e temos vários), e as cirurgias, quando refinamos a técnica.

Joana: Existem estágios eletivos na residência em Oftalmologia na Unicamp? É possível (e comum) fazer um estágio fora do país?

Ahmad: Eu desconheço a possibilidade de fazer estágio eletivo fora do país, porém temos opção de realizar um curso de Oftalmologia nos EUA que dura de 3 a 4 semanas, em que apenas um residente é selecionado por ano para ir.

Gabriel: Não temos um estágio separado para isso na residência em Oftalmologia na Unicamp, mas em 2018 acabei fazendo um curso de 7 semanas em Harvard por conta de uma oportunidade que surgiu. Em 2019, outro colega foi, e assim teria sido em 2020 se não fosse a pandemia.

Joana: Sua residência, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? Se fosse para dar um valor geral, você trabalha quantas horas por semana?

Ahmad: Não. Em geral, chego a trabalhar 76 horas por semana

Joana: E qual a carga máxima de plantão que você dá na sua residência? Se existir algum período de descanso pré ou pós-plantão, explica pra gente como é isso. 

Ahmad: Depende muito do dia, é bem variável. Mas, quando estamos no R1, fazemos as captações de córneas em cidades distantes e o plantonista é o responsável por ir.

Gabriel: Todo dia (à noite) e todo fim de semana (o dia todo) tem um R1 de plantão. A média é de um plantão por semana. Somos em 10, mas combinamos que a dupla que está no estágio da urgência não dá plantão.

Joana: Me conta rapidinho: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte teórica? Conta pra gente quais são as principais atividades teóricas que você tem ao longo da residência em Oftalmologia na Unicamp. 

Ahmad: Minha nota para a parte teórica é 10. Temos aulas todos os dias de manhã, das 7h às 8h, e no fim do dia, das 17h até acabar a apresentação. 

Gabriel: Nesse quesito, minha nota é 8. As aulas diárias de subespecialidades às vezes são dadas por professores, outras por residentes. De vez em quando, temos também discussão de casos ou artigos. É bastante variado, cada área organiza como acha melhor. 

Joana: E de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica? Explica um pouco sobre como você enxerga o foco nessa área. 

Ahmad: Dou nota 7 para a parte acadêmica. Tem que persistir e correr muito atrás, sinto falta de convites para participar de trabalhos. 

Gabriel: Minha nota é 7. Sou suspeito para falar. Gosto muito da parte acadêmica, inclusive fiz mestrado junto com a residência (sim, a Unicamp permite isso), o que, pra mim, é uma grande vantagem, já que vamos ter que apresentar um TCC no final da residência. Então fazer o mestrado ao mesmo tempo possibilita que a gente corte caminho para o doutorado. As áreas de glaucoma e olho seco são as que mais publicam no setor. 

Joana: Quais são os pontos fortes da residência em Oftalmologia na Unicamp?

Ahmad: Temos muita prática, muitos pacientes, muitos residentes no mesmo espaço compartilhando conhecimento, muitos casos diferentes. No começo a gente sofre, são muitas funções para o R1, mas conforme o contato com a especialidade vai aumentando, as coisas vão ficando mais fáceis. Apesar das dificuldades da residência, sempre tive orientação, seja de R+ ou de chefes. Os que vejo saindo para o mercado de trabalho estão conseguindo encontrar boas oportunidades

Gabriel: O volume de atendimentos é grande na residência em Oftalmologia na Unicamp, o que possibilita ver muitos casos e sedimentar o conhecimento. Sobre os equipamentos que o setor dispõe, alguns são os melhores do mercado, são novos, o que nos ajuda muito a aprender e fazer diagnósticos e pesquisas. A possibilidade de seguir uma vida acadêmica também é uma grande vantagem. 

Joana: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Ahmad: Tem, mas envolve questões em que fica difícil intervir, como administração hospitalar no SUS e funcionalismo público.

Gabriel: Com certeza sempre temos a melhorar! O volume cirúrgico é grande, suficiente para desenvolver uma boa técnica, mas poderia ser um pouco maior. A impossibilidade de todos os residentes fazerem algum estágio eletivo eu também vejo como algo a melhorar.

Joana: E dá pra conciliar a residência com plantões externos? A maioria faz isso?

Ahmad: Dá, mas não recomendo. Se o residente der plantão fora, tem que ter sabedoria para não deixar a ganância tirar o foco da residência. A minoria faz isso. 

Gabriel: No R1? Difícil. Como temos a carga horária diária pesada, não é fácil assumir um compromisso depois do expediente normal. Aos finais de semana é mais possível, mas a minoria trabalha fora. Já no R2 e R3, conseguimos um pouco mais de tempo e organização para isso. 

Joana: A sua residência disponibiliza quais comodidades para os residentes?

Ahmad: Na residência em Oftalmologia na Unicamp, temos alimentação, bolsa do Ministério da Saúde e auxílio mensal para moradia. 

Gabriel: Todos os residentes do HC da Unicamp têm direito a almoço, jantar e ceia de graça no refeitório do hospital.

Joana: Nenhum de vocês é natural da cidade em que faz a residência. Vocês pretendem retornar para suas cidades de origem após a residência?

Ahmad: Sim. 

Gabriel: Não.

Joana: Você conhece alguém que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem? Acha que é possível se inserir bem no mercado?

Ahmad: Conheço e acho que é possível sim.

Gabriel: A maioria dos residentes retorna para cidades de origem ou busca oportunidades pelo Brasil. Oftalmologia é um mercado bastante saturado nas grandes cidades e as oportunidades costumam surgir fora delas. Quem pretende se fixar num grande centro talvez demore mais para se estabelecer.

Joana: Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência que a gente não perguntou?

Gabriel: Só gostaria de deixar o convite a todos que quiserem vir conhecer a residência em Oftalmologia da Unicamp, com certeza serão muito bem recebidos. O prazer de receber vocês é todo nosso!

E aí, o que achou da residência em Oftalmologia da Unicamp?

Se esse sonho é forte em você, aposto que já se imaginou passando pelas experiências que o Ahmad e o Gabriel relataram enquanto lia as entrevistas. Aproveite para descobrir também quanto ganha o oftalmologista e quais as subespecialidades oftalmológicas! E saiba que, obviamente não é fácil chegar lá — se eu dissesse que é tranquilo, estaria mentindo pra você. Mas o importante é que, com um bom direcionamento, seus estudos podem ser potencializados e você aumenta suas chances de ler seu nome na lista dos aprovados. E aí, tá a fim?

Então pega essa super ajuda que a gente oferece pra você: produzimos dois e-books que vão fazer diferença na sua preparação. Um deles é o Guia Definitivo da Residência Médica na Unicamp, com todas as informações sobre o processo seletivo e o funcionamento da instituição. O outro é o Guia Estatístico da Unicamp, um compilado dos 6 principais temas das 5 grandes áreas que caem na prova; afinal, o segredo de tudo é ter um estudo focado.

Também já falamos sobre várias outras especialidades e instituições aqui no Blog, vale a pena dar uma navegada e conferir esses conteúdos! Comece pelo nosso artigo a respeito da residência em Oftalmologia na USP! Caso você queira que a gente publique sobre algum programa de residência ou instituição que ainda não esteja por aqui, é só escrever nos comentários, beleza?

Pra fechar com chave de ouro, minha dica final é que você conheça o Extensivo São Paulo. “O que é isso, João?”. É o nosso curso que está com inscrições abertas e vai rolar ao longo do ano inteiro com videoaulas ao vivo sobre os temas que você precisa saber de verdade para ter o almejado rendimento de 80% nas provas das principais instituições paulistas. Nossos professores são pessoas que já estiveram no seu lugar e foram aprovados nas residências mais concorridas do país.

E se isso ainda for pouco, você também vai ter acesso ao nosso app com milhares de questões comentadas e ao curso Intensivo a partir do meio do ano. Não vou me alongar em todos os benefícios, porque são muitos, beleza? Você pode conferir com seus próprios olhos na página no Extensivo e aproveitar para fazer a sua inscrição! Bora pra cima! Rumo à aprovação! 

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JoanaRezende

Joana Rezende

Carioca da gema, nasceu em 93 e formou-se Pediatra pela UFRJ em 2019. No mesmo ano, prestou novo concurso de Residência Médica e foi aprovada em Neurologia no HCFMUSP, porém, não ingressou. Acredita firmemente que a vida não tem só um caminho certo e, por isso, desde então trabalha com suas duas grandes paixões: o ensino e a medicina.