Como é a residência em Ortopedia na Unicamp

A residência médica em Ortopedia na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) exige 3 anos de formação. Ou seja, além dos 6 anos de graduação em Medicina, são necessários mais 3 anos de estudos e treinamentos em serviço na residência médica. Essa é uma residência de acesso direto – isso quer dizer que, ao concluir a faculdade, o médico já pode iniciar sua especialização sem a necessidade de pré-requisitos.

Saiba mais sobre como é a residência em Ortopedia na Unicamp
Saiba mais sobre como é a residência em Ortopedia na Unicamp

E como a residência médica em Ortopedia é uma das áreas que mais têm se expandido por conta dos avanços tecnológicos, do crescimento dos grandes grupos de saúde privados e da necessidade de cada vez mais haver profissionais específicos para as enfermidades da população, as subespecializações da Ortopedia e Traumatologia são sempre uma excelente opção de aprendizado e destaque no mercado de trabalho. 

Pra contar tudo pra gente, como é morar numa cidade do interior, estudar numa das melhores universidades públicas do Brasil e lidar com o dia a dia da residência médica, a gente trouxe pra bater um papo, a Samilly, que é R4, e o Fábio, residente do terceiro ano na residência médica em Ortopedia na Unicamp. 

Joana: Qual o melhor estágio da residência em Ortopedia na Unicamp na sua opinião? E por quê?

Samilly: Para mim, é o estágio no Hospital Estadual de Sumaré, um hospital que faz parte da rede da Universidade Estadual de Campinas. É um estágio relevante para quem faz residência em Ortopedia na Unicamp, pois há muita aplicação prática, cirurgias e, nele, quem realmente opera e é o protagonista do centro cirúrgico é o residente. Inclusive, experiências com traumas de baixa, média e até alta complexidade não vão faltar. Também, lá você pode contar com preceptores incríveis, comprometidos com a formação do cirurgião e em estar ao seu lado. No mais, a maioria dos estágios nas áreas da Ortopedia lá são muito bem representados, com ambulatórios de todas as subespecialidades e, por ser um centro de referência, cirurgias específicas são realizadas e você se depara com uma variedade grande de casos, dos mais corriqueiros aos mais raros, vistos geralmente só em livros. 

Fábio: Bom, na minha opinião é o estágio do trauma, pois tem maior carga horária de centro cirúrgico e você passa seu tempo realmente fazendo as cirurgias.

Joana: Tem algum médico assistente que você considera sensacional ou exemplo para sua formação? Por quê?

Samilly: Sim! O Dr. William Belangero e Dr. Bruno Livani, referências internacionais em Ortopedia Infantil e Traumatologia.

Fábio: Sim. Não sei citar nomes, mas admiro aqueles que tentam fazer o mais correto para os pacientes e para os profissionais da equipe sem serem tão corrompidos pelo “sistema”.

Joana: Conta um pouco sobre onde vocês rodam ao longo de toda a residência médica em Ortopedia e Traumatologia na Unicamp. 

Samilly: No R1, aprendemos uma introdução a especialidade, cuidado integral do paciente: estágios de enfermaria, pronto-socorro, ambulatório (incluindo todas as subespecialidades), Hospital Estadual de Sumaré e centro cirúrgico. No R2, rodamos pelo pronto socorro, Trauma, Infantil, Coluna, Ombro e Cotovelo, Mão, Quadril, Joelho, Tornozelo e pé, Hospital Regional de Piracicaba e Hospital Estadual de Sumaré. No R3, nós passamos de novo em tudo que o R2 passa, focando principalmente na especialidade (pronto-socorro, trauma infantil, coluna, ombro, cotovelo, mão, quadril, joelho). Passamos também no Hospital de Sumaré, mas Piracicaba fica um pouco mais à escolha, depende da turma. Apesar de ser um hospital bom, no R3 a gente foca muito na preparação da prova de título. Então, o grupo de R3 tem que pensar um pouco se eles preferem ocupar esse tempo a mais estudando ou indo pra Piracicaba. No R3, a gente tem o privilégio de poder escolher sobre entrar em cirurgia, você pode fazer a cirurgia ou então passar para os outros fazerem, isto é, você tem a prioridade cirúrgica. Em relação ao estágio, são os mesmos do R2, em todas as especialidades, em todos os ambulatórios e em todos os centros cirúrgicos também.

Fábio: Rodamos em todas as subespecialidades ortopédicas: trauma, tumor, coluna, pediátrica, ombro, mão, quadril, joelho e pé. Temos atividades em pronto socorro, ambulatório e centro cirúrgico (eletivo e de urgência) em todos os anos da residência, adquirindo a vivência de enfermaria mais concentrada no R1. Estagiamos em 3 hospitais diferentes, sendo eles o HC da Unicamp, o Hospital Estadual de Sumaré e o Hospital Regional de Piracicaba.Todos os anos rodamos em todas as especialidades, seja ambulatório, pronto socorro ou centro cirúrgico e a única grande diferença mesmo é que as atividades de enfermaria são mais pro R1.

Joana: Existem estágios eletivos na sua residência? É possível fazer um estágio fora do país?

Samilly: É possível sim. 

Fábio: Depende do número de residentes por ano. O último ano que houve estágio eletivo foi 2018, havendo possibilidade de estágio internacional.

Joana: Sua residência médica, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? Conta pra gente qual é a carga máxima de plantão que você dá e se tem algum período de descanso pré ou pós-plantão.

Samilly: Não respeita não. São de 80 a 100 horas, sendo maior no R1 e diminuindo conforme os anos de residência, tanto pela hierarquia, quanto pela expertise em realizar as funções. A carga máxima de plantão é de 36 horas e o pós-plantão costuma existir, porém, depende de cada estágio.

Fábio: Todos os dias há um R1, um R2 e um R3 de plantão. Então, o número de plantões no ano depende do número de vagas preenchidas, no meu ano foram 8 residentes, logo, tivemos aproximadamente 45 plantões, 12 horas ou 24 horas cada. O período pós-plantão também varia entre os anos, pois a grade horária não costuma ser fixa e, por haver diferença de número de residentes entre os anos, não são todos os plantões que têm descanso, mas há descanso sim.

Joana: Me conta rapidinho: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte teórica? (Aulas, discussão de caso clínico, Journal Club…). Conta pra gente quais são as principais atividades teóricas que você tem ao longo da sua residência.

Samilly: Nota 8. Durante os anos de residência em Ortopedia na Unicamp, temos um cronograma de aulas específico para cada ano da especialidade (conforme sua complexidade e necessidade de cada ano: R1, R2 e R3). Também, possuímos atividades gerais, como discussão de casos semanal de cada especialidade, aula do departamento semanal (que os residentes de todos os anos e chefes participam e discutem sobre o tema). Possuímos provas teóricas de abril a dezembro durante o R1 e R2. (a cada meses aproximadamente.) Já no R3, o ano é focado para preparação para a prova de título (teot).

Fábio: Nota 7. Houve uma grande mudança ao longo dos anos e principalmente devido à pandemia, mas há uma carga grande de aulas teóricas e reuniões de especialidades, ministradas pelos professores e, principalmente, entre os próprios residentes, que realizam discussões, as quais são sempre mediadas por um ou mais professores. Também, há reuniões quase que semanais de praticamente todas as especialidades.

Joana: Aproveitando o embalo: de 0 (nada) a 10 (demais), o quanto sua residência foca em parte acadêmica? (Serviço muito acadêmico, grande número de publicações, você se sente estimulado a publicar artigos). Conta mais pra gente sobre como você enxerga o foco na parte acadêmica na instituição em que você faz residência.

Samilly: Nota 7. Temos desde o R1 a oportunidade de ingressar no mestrado (profissional, simultâneo a residência). E temos nossos professores, que muitos são docentes da universidade e estimulam a produção e publicação. Temos ao final do curso que apresentar TCC.

Fábio: Nota 5. Há a necessidade da realização de um TCC para concluir a residência, fora isso não sinto grande estímulo para produção científica.

Joana: Quais são os pontos fortes da residência em Ortopedia na Unicamp? Dá uma aprofundada pra gente.

Samilly: Os pontos de destaque são: boa base teórica, consolidação no mercado e nome respeitado.

Fábio: O ponto forte da residência em Ortopedia na Unicamp é o fato de que, por ser um centro de referência estadual e até nacional, encontramos lá grande complexidade e variedade de casos. Há, também, a presença de todos os grupos das subespecialidades ortopédicas.

Joana: E tem algum ponto que você acha que poderia melhorar?

Samilly: Acredito que deveria haver uma diminuição de tempo gasto com burocracia e um aumento de tempo no centro cirúrgico.

Fábio: Como consequência também de ser um grande centro, acumular casos complexos e contar com a presença de muitos residentes (R1, R2, R3, R4 e R5), acaba que o volume cirúrgico fica deficiente, principalmente para os primeiros anos.

Joana: Acha que dá para conciliar a residência em Ortopedia na Unicamp com plantões externos? A maioria faz isso?

Samilly: No primeiro ano é muito difícil. no segundo e terceiro você consegue, apesar de ser cansativo.

Fábio: Dá pra conciliar sim. No R1 é muito difícil, mas é possível, mas já no R2 e R3 é mais factível, mas basicamente aos finais de semana.

Joana: Quais “comodidades” a sua residência disponibiliza?

Samilly: Para nós, é disponibilizada a alimentação no restaurante do hospital (em geral, todos possuem). Sobre a moradia, recebemos um auxílio-moradia no valor da bolsa.

Fábio: A Unicamp dispõe de refeitório gratuito com 3 refeições ao dia (almoço, jantar e ceia) e auxílio moradia embutido na bolsa.

Joana: Vocês não são de São Paulo, né? Pretendem voltar para a sua cidade? 

Samilly: Isso, eu não sou de São Paulo, mas não penso em voltar para a minha cidade. 

Fábio: Eu também não sou de São Paulo, mas quero voltar para a minha cidade de origem quando terminar a residência. 

Joana: Vocês conhecem alguém que voltou ou pretende voltar para a cidade de origem? Acham que é possível se inserir bem no mercado?

Samilly: Sim, conheço e acho perfeitamente possível. A Unicamp é sempre muito bem vista e seus alunos são considerados de qualidade.

Fábio: Eu creio que isso seja algo a ser avaliado caso a caso, existem muitos fatores envolvidos para se dar uma resposta genérica. Mas, a tendência natural é São Paulo oferecer um mercado de trabalho mais receptivo do que Campinas e para aqueles que são oriundos de outras localidades, depende muito de contatos prévios e das demandas de cada região.

Joana: Tem mais alguma coisa que você queira falar sobre a sua residência em Ortopedia e Traumatologia na Unicamp que a gente não perguntou?

Fábio: É residência, não é o melhor dos mundos, mas te prepara para ser um especialista e para conseguir o título.

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência em Ortopedia na Unicamp?

Viu que bacana é fazer residência na Unicamp? E pelas coisas que a Samilly e o Fábio nos contaram, a residência médica em Ortopedia na Unicamp é marcada por estágios em muitas áreas e isso oferece uma experiência pra lá de ampla, não é mesmo?

A gente sabe que você gostou de saber mais sobre essa residência médica. Mas ainda não tem certeza se é na Unicamp que você quer fazer a sua residência? Então, relaxa e vem aqui no blog saber mais sobre outros programas de residência médica em Ortopedia e Traumatologia e confira quais são as instituições mais buscadas pra fazer residência médica em Ortopedia em São Paulo! No nosso Guia Definitivo da Unicamp, você também fica por dentro de como se tornar um residente lá, desde a preparação até a vida depois de aprovado. Inclusive, mirando no futuro, aproveita pra conferir quando ganha um ortopedista no Brasil!

E fica ligado, pois estamos sempre trazendo entrevistas sobre como é a residência médica nas principais instituições de São Paulo! Se tiver alguma coisa que você queria saber mais, fala pra gente aqui nos comentários! Pode ser um dos nossos próximos artigos!

Como está sua preparação para as provas de residência da Unicamp? Para saber mais como é a prova de residência nessa que é uma das melhores universidades públicas do interior do país, não deixe de conferir tudo isso aqui porque a gente foi direto ao ponto: fique por dentro da prova de residência médica da Unicamp. E se você já quer começar a estudar, saiba que você pode dar os primeiros passos nessa jornada no Extensivo São Paulo, nosso curso que rola ao longo do ano inteiro com videoaulas sobre os temas que você precisa saber e um app com milhares de questões comentadas. Tá esperando o quê? Bora pra cima!

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JoãoVitor

João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.