Como é residência em Genética Médica na USP

Já pensou atuar em uma das áreas médicas com menos profissionais e mais oportunidades? Pois saiba que isso é possível com a residência em Genética Médica na USP.

Além de a área se destacar, a realização da especialização na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) faz a diferença. Ela tem duração de 3 anos e é uma residência médica com abordagem completa sobre a investigação genética e análises relevantes – áreas que, vamos ser sinceros, temos pouquíssimo contato durante a graduação!

Para que você saiba mais sobre o programa, conversamos com Matheus, do segundo ano, e Débora, do terceiro ano da residência médica. Assim, você terá uma visão completa sobre a área.

A seguir, veja todas as informações mais relevantes sobre a residência em Genética Médica na USP que separamos!

João Vitor: Para começar, vocês podem contar um pouco sobre onde vocês rodam ao longo da residência?

A residência em Genética Médica na USP é realizada em vários institutos do HC
A residência em Genética Médica na USP é realizada em vários institutos do HC

Matheus: No primeiro ano, passamos na neurologia infantil, cuidados paliativos pediátricos, endocrinologia, laboratório de cariótipo e no ambulatório de genética, além de termos aula no campus da USP uma vez por semana no segundo semestre.

No segundo ano, passamos ele quase todo no ambulatório de genética, mas também rodamos na GO (reprodução humana) e na APAE (triagem neonatal e erros inatos do metabolismo).

Temos alguns turnos na semana em que vamos a diversos serviços, como autópsias na patologia, laboratório de Array, ambulatórios de neuromuscular, malformações vasculares, autismo, medicina fetal, fibrose cística e erros inatos do metabolismo.

No terceiro ano, alternamos entre o ambulatório de genética e laboratório de exoma, serviço de oncogenética (no Sírio ou em Barretos), erros inatos do metabolismo (HCPA e Instituto da Criança), além do estágio optativo.

Débora: Basicamente rodamos em ambulatórios de outras especialidades, laboratórios que fazem exames genéticos.

Durante o meu primeiro ano de residência em Genética Médica na USP, rodamos em enfermaria pediátrica, berçário, endócrino, neurologia. Hoje, a grade do R1 foi alterada, rodando em outras áreas. No R2, rodamos em patologia, medicina fetal, neuromuscular, hepatologia, cirurgia vascular (com enfoque em avaliações de malformações vasculares). No R3, rodamos nos laboratórios, Neurometabólica, oncologia, erros inatos do metabolismo com estágio externo.

João Vitor: E, apesar de sabermos que isso é muito pessoal, para vocês, qual é o melhor estágio da residência em Genética Médica da USP?

Matheus: O serviço de Genética Médica do Instituto da Criança. É onde passamos a maior parte da residência, principalmente no R2 e R3. O serviço é amplamente direcionado para dismorfologia, com 3 turnos de ambulatórios (1 para pacientes já com diagnóstico, 1 para casos em investigação e 1 para casos novos). Temos ainda 1 ambulatório de displasias esqueléticas.

Maior parte da residência em Genética Médica na USP se passa no Instituto da Criança do HC
O serviço de Genética Médica do Instituto da Criança (ICr) é onde os residentes de Genética Médica passam a maior parte do tempo

É o melhor estágio na minha opinião porque temos a oportunidade de aprender bastante com os casos confirmados (como há alguns projetos de pesquisa, conseguimos exames confirmatórios para vários pacientes) e o raciocínio diagnóstico com os casos ainda em investigação e os casos novos. Discutimos todos os pacientes em duas reuniões pré-clínicas semanais com os médicos assistentes, nas quais revisamos seus prontuários, levantamos hipóteses diagnósticas e discutimos várias condições genéticas.

Débora: Mesmo ainda terminando a residência em Genética Médica na USP, há vários estágios bons. O melhor no R1 foi de Neurologia, com a possibilidade de aprender a fazer exame físico. Pessoalmente, acho que outro estágio bom foi de Medicina Fetal e Patologia, no R2, podendo ver malformações e aprender diferentes condutas durante a gestação.

João Vitor: Existem estágios eletivos na sua residência? Dá para fazer algum fora do país?

Matheus: Existe estágio eletivo no R3. As oportunidades fora do país são muitas e praticamente todos os residentes que querem conseguem estágio no exterior em excelentes serviços.

João Vitor: Tem algum médico assistente que você super admira e considera um exemplo? Por quê?

Matheus: Dra. Débora Bertola, que tem conhecimento enorme e descobriu novos genes associados à síndrome de Noonan e a algumas displasias esqueléticas.

Débora: Sim, a assistente que auxilia nos ambulatórios (Dra. Rachel). Ela fez residência em Genética Médica, e sabe das suas competências; aquilo que ela não sabe, ela assume. E também se mostra aberta a auxiliar o residente que precisar.

João Vitor: A residência em Genética Médica da USP, de uma forma geral, respeita as 60 horas semanais? Qual é a carga máxima de plantão que vocês dão?

Débora: Sim, respeitam. No HC não existe esquema de plantão para a Genética. Temos que fazer interconsultas durante o R2, nos horários que não forem preenchidos com reuniões ou ambulatórios.

João Vitor: De 0 (nada) a 10 (demais), o quanto a residência em Genética Médica da USP foca em parte teórica?

Matheus e Débora: 7.

João Vitor: Conta um pouco sobre quais são as principais atividades teóricas que vocês têm.

Matheus: Temos aulas semanais, além de 2 reuniões pré-clínicas semanais em que discutimos o caso de todos os pacientes que vamos atender na semana seguinte.

Débora: Temos muitas reuniões clínicas para as discussões dos casos do ambulatório. Isso requer tempo para preparar o caso e estudá-lo. Temos algumas aulas programadas também.

João Vitor: E como vocês classificam, também de 0 (nada) a 10 (demais), o foco da residência na parte acadêmica?

Matheus: 10.

Débora: 7.

João Vitor: Tem como conciliar a residência com plantões externos? A maioria faz isso?

Matheus: Dá tranquilamente. Muitos fazem isso.

João Vitor: E o que a sua residência disponibiliza de “comodidade” para os residentes?

Matheus: O HC disponibiliza uma moradia para residentes em que o processo seletivo é baseado em dados socioeconômicos e entrevista com assistente social, mas quase todos que têm interesse acabam conseguindo vaga aqui. É um prédio dentro do complexo do hospital e também é dado café da manhã (simples) nos dias úteis para os moradores.

Todos os residentes têm direito a almoço e jantar no PRC, restaurante self-service que fica no subsolo do HC, onde temos direito a um prato de comida, um copo de suco e uma sobremesa. No jantar, podemos trocar isso por uma pizza. Ou ainda podemos pegar 11 reais em produtos caso não queiramos a refeição.

João Vitor: Quase terminando por aqui: Quais são os pontos fortes da residência em Genética Médica da USP?

Matheus: Vínculo com muitos projetos de pesquisa, por isso temos uma disponibilidade de mais exames em relação a outros serviços. Por exemplo, conseguimos fazer alguns exames de trio todo mês. Por isso, temos vários pacientes com diagnóstico confirmado e isso permite um aprendizado único.

Além disso, passamos em muitos serviços externos e ampliamos nossa rede profissional. Há amplo material e estímulo para publicação, também.

Débora: Somos estimulados a fazer publicações para congressos. Acho que o maior forte é termos casos complexos que precisam de maior estudo, e aprender a fazer esse estudo de cada caso de maneira correta e eficaz.

João Vitor: E o que acham que podia ser melhor?

Matheus: O foco é, sem dúvidas, em dismorfologia e displasias esqueléticas, então as demais áreas da Genética Médica (erros inatos do metabolismo, oncogenética, neurogenética), apesar de estarem presentes na grade, poderiam ter um peso maior.

Débora: Temos 4 ambulatórios somente, e não podemos atender em outras especialidades (exceto Neurologia no R1).

João Vitor: Matheus, você, que não é de São Paulo, pretende voltar para sua cidade depois da residência? Conhece alguém que fez isso? Acha que dá para se inserir bem?

Matheus: Sim, pretendo voltar. No Rio Grande do Norte, só há um médico geneticista, que fez residência em Genética Médica na Unicamp. Ele voltou e se inseriu muito bem. Acredito que ainda há bastante espaço, pois Genética é a especialidade médica com menos profissionais no Brasil.

João Vitor: Tem mais alguma coisa sobre a residência em Genética Médica na USP que vocês acham importante dizer?

Matheus: Há poucos serviços de Genética que oferecem residência médica no Brasil, e todos têm um foco maior ou menor em algumas áreas da especialidade. A nossa é uma das mais novas, mas já é bastante consolidada, com excelentes profissionais formados por aqui e que são bem inseridos em grandes hospitais e laboratórios do país.

Gostou de saber mais sobre como é fazer residência médica na USP?

A residência em Genética Médica na USP é uma das referências do país e oferece uma atuação diferenciada e completa. Com essa escolha, você poderá se tornar um dos especialistas mais cobiçados do país.

E se você está se preparando para conquistar esse sonho, temos aqui uma coisa ótima para você: um ebook com 20 questões de Preventiva que caíram na prova teórica de residência da USP nos últimos anos! Mas é claro que você também precisa saber tudo sobre essa prova para se dar bem e nós, inclusive, já contamos tudo sobre a prova de residência médica na USP (direto ao ponto!) aqui no blog.

Quer saber mais sobre o que cai na prova de residência médica da USP? Então dá uma olhada nesse Guia Estatístico da USP, que mostra quais são os principais temas que caem em cada uma das grandes áreas na prova da FMUSP. No nosso canal do YouTube também temos falado bastante sobre esse assunto, trazendo, toda segunda e sexta-feira, aulas sobre temas importantes que caem nas principais provas de residência médica de São Paulo. Dá uma olhada nesse aqui, em que o Micael fala sobre um tema importante que sempre cai em Clínica Médica:

Ainda não sabe exatamente qual é a residência médica ideal para você? Então continue acompanhando a gente aqui no blog, pois vamos trazer uma série de posts sobre como é fazer residência médica nas principais instituições de São Paulo. Tem alguma que você quer saber mais? Deixe aqui nos comentários!

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João Vitor

Capixaba, nascido em 90. Graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e com formação em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e Administração em Saúde pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE). Apaixonado por aprender e ensinar.